Quanto os preços ao consumidor da China subiram em cada mês, como o NBS divulga na primeira frase do comunicado — sem a suavização dos doze meses.
O mês fechado: quanto o CPI chinês variou em relação ao mês anterior, direto do comunicado mensal do NBS (环比涨跌幅, "variação em cadeia").
Por que a série começa em outubro de 2021. É o mesmo limite do núcleo: o NBS só arquiva os últimos cinco anos de comunicados no site. Tentamos estender para trás recompondo a variação mensal a partir do índice de longo prazo do BIS — a mesma fonte do acumulado em 12 meses —, mas no trecho em que as duas se sobrepõem (out/2021–ago/2026) o pior desvio chega a 0,2 ponto percentual, bem acima da tolerância usada aqui (0,1 p.p.); o mês do desvio é justamente janeiro de 2026, a virada mais recente de base do CPI. Preferimos parar em out/2021 a arriscar um mês fora do lugar.
Sazonalidade não descontada. Diferente do CPI americano, que separa uma série com ajuste sazonal para a variação mensal, o NBS publica um único número mensal, sem desconto de sazonalidade — janeiro costuma vir mais alto por causa do Ano-Novo Lunar, que também muda de mês todo ano e distorce a comparação direta entre janeiros.
O que o CPI chinês mede. O índice de preços ao consumidor (居民消费价格指数, CPI) é calculado pelo NBS, o Escritório Nacional de Estatísticas da China (国家统计局), a partir de preços coletados em cerca de 500 cidades e municípios do país, em quase 120 mil pontos — mercados, supermercados, farmácias, plataformas de comércio eletrônico. A cesta tem oito grandes categorias: alimentos, tabaco e bebidas (com o consumo fora de casa), vestuário, moradia, artigos e serviços domésticos, transporte e comunicação, educação e lazer, saúde, e outros bens e serviços.
O ciclo do porco. Carne suína é o item isolado que mais balança o índice chinês: pesa mais do que qualquer outra proteína na cesta de alimentos, e o rebanho reage ao preço com atraso de mais de um ano, o tempo de engordar um leitão até o abate. Um choque de oferta — a peste suína africana de 2019, ou a superoferta comum que derrubou os preços entre 2023 e 2025 — costuma mover o índice cheio sozinho: em agosto de 2026 a carne suína caiu 11,8% em doze meses, e o grupo de carnes como um todo ("畜肉类" no comunicado do NBS, que inclui suína, bovina e ovina) puxou sozinho cerca de 0,2 ponto percentual do CPI para baixo nesse mês.
Base rotativa, não fixa. A cada cinco anos o NBS troca o ano-base da cesta — a virada mais recente, em janeiro de 2026, passou para 2025 = 100 — e o país não publica um número-índice contínuo como o CPI americano ou a série do IPCA desde dez/1993. O NBS divulga só variações, mês a mês e em doze meses; quem reconstrói um índice de longo prazo, encadeando essas variações numa régua só (2010 = 100), é o BIS — o banco dos bancos centrais —, e é dessa reconstrução que sai o trecho anterior a outubro de 2021 do acumulado em 12 meses.
A deflação de 2023–2025. Depois de subir com a reabertura pós-pandemia até 2,8% em setembro de 2022, o CPI chinês recuou para perto de zero e passou boa parte de 2023 a 2025 no negativo: onze dos meses entre julho de 2023 e setembro de 2025 fecharam em queda, o pior em janeiro de 2024 (-0,8%, empurrado também por um efeito de calendário — o Ano-Novo Lunar caiu num mês diferente do ano anterior, distorcendo a comparação). Por trás, a mesma história do ciclo do porco somada a uma recuperação do consumo mais lenta que a da produção industrial. Desde outubro de 2025 o índice roda positivo de novo, mas ainda abaixo de 1% ao ano — 0,8% em agosto de 2026, uma fração dos 3,4% dos Estados Unidos ou dos 4,2% do IPCA brasileiro no mesmo mês.
| Período | CPI (mês) | vs. período anterior |
|---|---|---|
| ago/2026 | 0,4% | +0,5 p.p. |
| jul/2026 | −0,1% | +0,2 p.p. |
| jun/2026 | −0,3% | −0,2 p.p. |
| mai/2026 | −0,1% | −0,4 p.p. |
| abr/2026 | 0,3% | +1,0 p.p. |
| mar/2026 | −0,7% | −1,7 p.p. |
| fev/2026 | 1,0% | +0,8 p.p. |
| jan/2026 | 0,2% | 0,0 p.p. |
| dez/2025 | 0,2% | +0,3 p.p. |
| nov/2025 | −0,1% | −0,3 p.p. |
| out/2025 | 0,2% | +0,1 p.p. |
| set/2025 | 0,1% | +0,1 p.p. |
| ago/2025 | 0,0% | −0,4 p.p. |
| jul/2025 | 0,4% | +0,5 p.p. |
| jun/2025 | −0,1% | +0,1 p.p. |
| mai/2025 | −0,2% | −0,3 p.p. |
| abr/2025 | 0,1% | +0,5 p.p. |
| mar/2025 | −0,4% | −0,2 p.p. |
| fev/2025 | −0,2% | −0,9 p.p. |
| jan/2025 | 0,7% | +0,7 p.p. |
| dez/2024 | 0,0% | +0,6 p.p. |
| nov/2024 | −0,6% | −0,3 p.p. |
| out/2024 | −0,3% | −0,3 p.p. |
| set/2024 | 0,0% | −0,4 p.p. |
| ago/2024 | 0,4% | −0,1 p.p. |
| jul/2024 | 0,5% | +0,7 p.p. |
| jun/2024 | −0,2% | −0,1 p.p. |
| mai/2024 | −0,1% | −0,2 p.p. |
| abr/2024 | 0,1% | +1,1 p.p. |
| mar/2024 | −1,0% | −2,0 p.p. |
| fev/2024 | 1,0% | +0,7 p.p. |
| jan/2024 | 0,3% | +0,2 p.p. |
| dez/2023 | 0,1% | +0,6 p.p. |
| nov/2023 | −0,5% | −0,4 p.p. |
| out/2023 | −0,1% | −0,3 p.p. |
| set/2023 | 0,2% | −0,1 p.p. |
| ago/2023 | 0,3% | +0,1 p.p. |
| jul/2023 | 0,2% | +0,4 p.p. |
| jun/2023 | −0,2% | 0,0 p.p. |
| mai/2023 | −0,2% | −0,1 p.p. |
| abr/2023 | −0,1% | +0,2 p.p. |
| mar/2023 | −0,3% | +0,2 p.p. |
| fev/2023 | −0,5% | −1,3 p.p. |
| jan/2023 | 0,8% | +0,8 p.p. |
| dez/2022 | 0,0% | +0,2 p.p. |
| nov/2022 | −0,2% | −0,3 p.p. |
| out/2022 | 0,1% | −0,2 p.p. |
| set/2022 | 0,3% | +0,4 p.p. |
| ago/2022 | −0,1% | −0,6 p.p. |
| jul/2022 | 0,5% | +0,5 p.p. |
| jun/2022 | 0,0% | +0,2 p.p. |
| mai/2022 | −0,2% | −0,6 p.p. |
| abr/2022 | 0,4% | +0,4 p.p. |
| mar/2022 | 0,0% | −0,6 p.p. |
| fev/2022 | 0,6% | +0,2 p.p. |
| jan/2022 | 0,4% | +0,7 p.p. |
| dez/2021 | −0,3% | −0,7 p.p. |
| nov/2021 | 0,4% | −0,3 p.p. |
| out/2021 | 0,7% | — |