A inflação chinesa sem alimentos e energia: mostra que a deflação de 2023–2025 foi puxada pelo ciclo do porco, não por uma economia inteira em queda de preços.
O CPI chinês sem os itens de alimentos e de energia, em doze meses — o NBS chama de "扣除食品和能源价格后的核心CPI" (核心CPI, "core CPI" nos comunicados em inglês) e publica na própria tabela do comunicado mensal, ao lado do índice cheio.
O núcleo escapa da deflação do porco. Dos 59 meses cobertos aqui desde outubro de 2021, o índice cheio fechou negativo em onze; o núcleo, uma única vez (fevereiro de 2025, -0,1%). A diferença confirma que a deflação do período veio de alimentos (leia-se, na prática, carne suína) e de energia, não de um enfraquecimento generalizado da demanda — o mesmo papel que o núcleo cumpre nos Estados Unidos e no Brasil.
Não é o núcleo do Brasil nem dos Estados Unidos. O Banco Central brasileiro acompanha vários núcleos do IPCA (por exclusão, médias aparadas, dupla ponderação); o Fed americano olha o núcleo do PCE mais do que o do CPI. O núcleo chinês é o mais simples dos três — uma exclusão direta —, mas a comparação é de tendência, não do número.
Por que a série começa em outubro de 2021. O NBS não mantém arquivo de longo prazo dos comunicados no site: a lista guarda as últimas mil divulgações, o que hoje cobre justamente a partir de out/2021, e nenhum republicador confiável (BIS, FMI, Banco Mundial) recalcula o núcleo chinês — só o índice cheio.
O que o CPI chinês mede. O índice de preços ao consumidor (居民消费价格指数, CPI) é calculado pelo NBS, o Escritório Nacional de Estatísticas da China (国家统计局), a partir de preços coletados em cerca de 500 cidades e municípios do país, em quase 120 mil pontos — mercados, supermercados, farmácias, plataformas de comércio eletrônico. A cesta tem oito grandes categorias: alimentos, tabaco e bebidas (com o consumo fora de casa), vestuário, moradia, artigos e serviços domésticos, transporte e comunicação, educação e lazer, saúde, e outros bens e serviços.
O ciclo do porco. Carne suína é o item isolado que mais balança o índice chinês: pesa mais do que qualquer outra proteína na cesta de alimentos, e o rebanho reage ao preço com atraso de mais de um ano, o tempo de engordar um leitão até o abate. Um choque de oferta — a peste suína africana de 2019, ou a superoferta comum que derrubou os preços entre 2023 e 2025 — costuma mover o índice cheio sozinho: em agosto de 2026 a carne suína caiu 11,8% em doze meses, e o grupo de carnes como um todo ("畜肉类" no comunicado do NBS, que inclui suína, bovina e ovina) puxou sozinho cerca de 0,2 ponto percentual do CPI para baixo nesse mês.
Base rotativa, não fixa. A cada cinco anos o NBS troca o ano-base da cesta — a virada mais recente, em janeiro de 2026, passou para 2025 = 100 — e o país não publica um número-índice contínuo como o CPI americano ou a série do IPCA desde dez/1993. O NBS divulga só variações, mês a mês e em doze meses; quem reconstrói um índice de longo prazo, encadeando essas variações numa régua só (2010 = 100), é o BIS — o banco dos bancos centrais —, e é dessa reconstrução que sai o trecho anterior a outubro de 2021 do acumulado em 12 meses.
| Período | CPI núcleo (12 meses) | vs. período anterior |
|---|---|---|
| ago/2026 | 1,0% | +0,1 p.p. |
| jul/2026 | 0,9% | −0,1 p.p. |
| jun/2026 | 1,0% | −0,1 p.p. |
| mai/2026 | 1,1% | −0,1 p.p. |
| abr/2026 | 1,2% | +0,1 p.p. |
| mar/2026 | 1,1% | −0,7 p.p. |
| fev/2026 | 1,8% | +1,0 p.p. |
| jan/2026 | 0,8% | −0,4 p.p. |
| dez/2025 | 1,2% | 0,0 p.p. |
| nov/2025 | 1,2% | 0,0 p.p. |
| out/2025 | 1,2% | +0,2 p.p. |
| set/2025 | 1,0% | +0,1 p.p. |
| ago/2025 | 0,9% | +0,1 p.p. |
| jul/2025 | 0,8% | +0,1 p.p. |
| jun/2025 | 0,7% | +0,1 p.p. |
| mai/2025 | 0,6% | +0,1 p.p. |
| abr/2025 | 0,5% | 0,0 p.p. |
| mar/2025 | 0,5% | +0,6 p.p. |
| fev/2025 | −0,1% | −0,7 p.p. |
| jan/2025 | 0,6% | +0,2 p.p. |
| dez/2024 | 0,4% | +0,1 p.p. |
| nov/2024 | 0,3% | +0,1 p.p. |
| out/2024 | 0,2% | +0,1 p.p. |
| set/2024 | 0,1% | −0,2 p.p. |
| ago/2024 | 0,3% | −0,1 p.p. |
| jul/2024 | 0,4% | −0,2 p.p. |
| jun/2024 | 0,6% | 0,0 p.p. |
| mai/2024 | 0,6% | −0,1 p.p. |
| abr/2024 | 0,7% | +0,1 p.p. |
| mar/2024 | 0,6% | −0,6 p.p. |
| fev/2024 | 1,2% | +0,8 p.p. |
| jan/2024 | 0,4% | −0,2 p.p. |
| dez/2023 | 0,6% | 0,0 p.p. |
| nov/2023 | 0,6% | 0,0 p.p. |
| out/2023 | 0,6% | −0,2 p.p. |
| set/2023 | 0,8% | 0,0 p.p. |
| ago/2023 | 0,8% | 0,0 p.p. |
| jul/2023 | 0,8% | +0,4 p.p. |
| jun/2023 | 0,4% | −0,2 p.p. |
| mai/2023 | 0,6% | −0,1 p.p. |
| abr/2023 | 0,7% | 0,0 p.p. |
| mar/2023 | 0,7% | +0,1 p.p. |
| fev/2023 | 0,6% | −0,4 p.p. |
| jan/2023 | 1,0% | +0,3 p.p. |
| dez/2022 | 0,7% | +0,1 p.p. |
| nov/2022 | 0,6% | 0,0 p.p. |
| out/2022 | 0,6% | 0,0 p.p. |
| set/2022 | 0,6% | −0,2 p.p. |
| ago/2022 | 0,8% | 0,0 p.p. |
| jul/2022 | 0,8% | −0,2 p.p. |
| jun/2022 | 1,0% | +0,1 p.p. |
| mai/2022 | 0,9% | 0,0 p.p. |
| abr/2022 | 0,9% | −0,2 p.p. |
| mar/2022 | 1,1% | 0,0 p.p. |
| fev/2022 | 1,1% | −0,1 p.p. |
| jan/2022 | 1,2% | 0,0 p.p. |
| dez/2021 | 1,2% | 0,0 p.p. |
| nov/2021 | 1,2% | −0,1 p.p. |
| out/2021 | 1,3% | — |