Visão geral
Carlos Roberto Massa Júnior, o Ratinho Júnior (PSD), é o governador do Paraná desde 1º de janeiro de 2019, no segundo mandato. Filho do apresentador Ratinho, do SBT, foi deputado estadual, deputado federal e secretário de Estado antes de chegar ao Palácio Iguaçu.
- Idade e origem: nasceu em 19 de abril de 1981, em Jandaia do Sul (PR), e tem 45 anos.
- Partido: PSD, de Gilberto Kassab, pelo qual se elegeu governador em 2018. Antes passou por PSB, PPS e PSC.
- Eleição de 2026: não foi candidato a nenhum cargo. Desistiu da pré-candidatura à Presidência em 23 de março de 2026 e ficou no governo até o fim do mandato. Como cumpre o segundo mandato seguido, não podia disputar a reeleição.
- Sucessão: o candidato dele ao governo, Sandro Alex (PSD), perdeu no 1º turno, em 4 de outubro de 2026, para Sergio Moro (PL), eleito com 50,11% dos votos válidos.
- Depois do mandato: o sucessor toma posse em 6 de janeiro de 2027. Ratinho Júnior anunciou que pretende voltar ao setor privado e presidir o grupo de comunicação criado pelo pai.
Quem é Ratinho Júnior
Ratinho Júnior é filho de Carlos Roberto Massa, o apresentador Ratinho, e de Solange Martinez Massa. O pai ficou conhecido pelo Programa do Ratinho, no SBT, e é dono do Grupo Massa, que reúne a Rede Massa, a rádio Massa FM e negócios de agropecuária e licenciamento de marcas. O pai também foi deputado federal pelo Paraná entre 1991 e 1995.
Ele se mudou para Curitiba aos três anos. Formou-se em Marketing e Propaganda na Faculdade Internacional de Curitiba (Facinter) em 2004 e trabalhou como apresentador em rádios e TVs do Paraná, entre elas a Massa FM, onde apresentou o programa Microfone Aberto. Em 2011 concluiu pós-graduação em Direito do Estado na Universidade Católica de Brasília. Dirigiu empresas da família, como as rádios Estação FM, em Curitiba, e Eldorado AM, em São José dos Pinhais.
É casado desde 2003 com a empresária Luciana Saito Massa e tem três filhos: Alana, Yasmim e Carlos Roberto Massa Neto.
Direita ou esquerda?
Ratinho Júnior é filiado ao PSD, partido que se define como de centro. Defende um Estado menor, o endurecimento das leis penais e o agronegócio, e privatizou a Copel. Na pré-campanha presidencial adotou tom moderado e evitou pautas do bolsonarismo. Em 2026 não apoiou Lula: depois do 1º turno, declarou apoio a Flávio Bolsonaro (PL) no 2º turno.
Trajetória política
- 2002 — deputado estadual: aos 21 anos, elegeu-se pela primeira vez, pelo PSB, com mais de 189 mil votos, o mais votado do partido no estado. Na Assembleia Legislativa foi vice-presidente da Comissão de Constituição e Justiça e relator da CPI da Copel. Em 2003 trocou o PSB pelo PPS.
- 2006 — deputado federal: eleito pelo PPS com 205.286 votos, a segunda maior votação do Paraná. Logo depois foi para o PSC, que presidiu no estado.
- 2010 — reeleição na Câmara: quase 360 mil votos, então a maior votação da história do Paraná para deputado federal. Foi líder da bancada do PSC.
- 2012 — Prefeitura de Curitiba: liderou o 1º turno pelo PSC, mas perdeu o 2º para Gustavo Fruet (PDT).
- 2013–2014 — secretário: licenciou-se da Câmara para assumir a Secretaria de Desenvolvimento Urbano (Sedu) no governo Beto Richa.
- 2014 — deputado estadual de novo: mais de 300 mil votos, a maior votação para deputado estadual do país naquele ano. Voltou à Sedu e ficou até 11 de setembro de 2017.
- 2018 — governador: pelo PSD, eleito no 1º turno com 3.210.712 votos (59,99% dos válidos), com Darci Piana de vice.
- 2022 — reeleição: 3.319.139 votos (69,75% dos válidos), de novo no 1º turno.
Governo do Paraná (2019–2027)
Primeiro mandato (2019–2022)
- Educação: o Paraná passou de sétimo para primeiro lugar no Ideb do ensino médio, com ensino integral e cursos técnicos.
- Programas: criou o Banco da Mulher Paranaense, voltado ao empreendedorismo feminino, e o Cartão Futuro, de primeiro emprego para jovens.
- Pandemia: o estado abriu mais de 2.000 leitos de UTI.
- Economia: em 2022 o Paraná passou o Rio Grande do Sul e virou a quarta maior economia do país.
- Energia: lançou o Paraná Trifásico, para modernizar a rede elétrica rural.
Segundo mandato (2023–2027)
- Copel: a privatização da Companhia Paranaense de Energia foi concluída em agosto de 2023; a empresa virou uma corporação sem acionista controlador. Apagões na gestão privada, com perdas de produtores rurais em 2026, levaram a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) a cobrar a empresa.
- Pedágio: novas concessões de rodovias. O lote 1 (473 km) foi leiloado em agosto de 2023 com desconto de 18,25% na tarifa; o lote 2 teve desconto de 0,08%, alvo de críticas.
- Escolas cívico-militares: o modelo chegou a 312 escolas em 2024, depois que o governo federal encerrou o programa nacional.
- Ponte de Guaratuba: esperada havia cerca de 40 anos, a ponte de 1.244 metros entre Guaratuba e Matinhos custou mais de R$ 400 milhões. Foi inaugurada em 1º de maio de 2026 e aberta ao tráfego de veículos em 3 de maio, sem pedágio. Substitui aos poucos o ferry boat, em operação desde os anos 1960.
- Celepar: o governo tentou vender a estatal de tecnologia da informação. Em fevereiro de 2026, o ministro Flávio Dino, do STF, suspendeu o leilão marcado para 17 de março, citando riscos à proteção de dados dos cidadãos.
- Aprovação: a Quaest de 20 a 23 de agosto de 2026 mediu 79% de aprovação do governo; a saúde foi apontada como o principal problema do estado por 28% dos entrevistados.
- Contas: o governo encerra o segundo mandato com resultado fiscal positivo, mas menor que o do primeiro, e com menos caixa, porque aumentou os investimentos.
Pré-candidatura à Presidência (2025–2026)
Ratinho Júnior se projetou como presidenciável do PSD em 2025, com apoio de Gilberto Kassab, presidente do partido. O PSD tinha três nomes na disputa interna: ele, Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul, e Ronaldo Caiado, governador de Goiás. Kassab também chegou a citar Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador de São Paulo, como alternativa da direita, mas Tarcísio disse que disputaria a reeleição.
Em janeiro de 2026, Ratinho Júnior intensificou as conversas no partido. Em 14 de janeiro disse que aceitaria o "desafio" se fosse o escolhido. Argumentava que o país estava cansado da polarização e que poderia atrair eleitores das classes C e D. O plano esbarrava nas alianças locais do PSD: em pelo menos seis estados, os diretórios já estavam comprometidos com Lula ou com outros candidatos.
Na Quaest de março de 2026, ele tinha 7% das intenções de voto no 1º turno, à frente de Caiado (4%) e Leite (3%). No 2º turno, perdia para Lula por 33% a 42%, a menor diferença entre os nomes do PSD.
Por que desistiu
Em 23 de março de 2026, Ratinho Júnior anunciou que deixava a disputa e concluiria o mandato. A nota oficial diz que a decisão foi tomada na noite de 22 de março, "após profunda reflexão com a família". Se quisesse disputar qualquer cargo, teria de deixar o governo até 4 de abril.
Três fatores pesaram, segundo a imprensa:
- Pressão da família, preocupada com a exposição de uma campanha nacional.
- O Paraná: dias antes, o senador Rogério Marinho (PL), coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, pediu que ele desistisse e apoiasse Flávio. Diante da recusa, o PL passou a apoiar Sergio Moro para o governo do Paraná, contra o candidato de Ratinho Júnior.
- Baixa viabilidade nacional, apesar de liderar o PSD nas pesquisas.
A desistência surpreendeu aliados. O PSD lançou Caiado, que teve Kassab como vice e terminou o 1º turno em quinto lugar, com 2,18% dos votos válidos no país. Durante a campanha, Caiado anunciou que Ratinho Júnior seria seu ministro da Infraestrutura.
Eleição de 2026: quem ele apoiou
- Governo do Paraná: em 13 de abril de 2026, Ratinho Júnior escolheu o deputado federal Sandro Alex, ex-secretário de Infraestrutura, como candidato do PSD. O ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca (MDB) foi o vice. De 17 de setembro até o 1º turno, o governador se licenciou do cargo, sem salário, para fazer campanha; o vice Darci Piana assumiu. Em 4 de outubro, Moro venceu no 1º turno com 50,11%; Sandro Alex teve 25,37%, e Requião Filho (PDT), apoiado por Lula, 23,48%.
- Presidência: nas eleições de 2026, no 1º turno, apoiou Caiado, do seu partido. Em 10 de outubro de 2026, declarou apoio a Flávio Bolsonaro no 2º turno: "Conversei com o Flávio Bolsonaro e com o governador Tarcísio. Vamos caminhar juntos pelo futuro do nosso Brasil". Lula foi reeleito em 25 de outubro com 51,79% dos votos válidos. No Paraná, Flávio teve 62,58%.
Polêmicas
- Banco Master: em setembro de 2026, a Folha revelou que a Massa & Massa, empresa que tem como sócios o apresentador Ratinho, a mulher dele, Ratinho Júnior e dois irmãos do governador, recebeu R$ 1,68 milhão do Banco Master, de Daniel Vorcaro, em quatro parcelas de R$ 420 mil. Uma parcela aparecia como pendente em planilha de 14 de julho de 2025 anexada a relatório da Polícia Federal. O Grupo Massa disse que o dinheiro pagou um contrato de publicidade com a imagem do apresentador para o cartão consignado CredCesta, encerrado por distrato. O governo do Paraná não comentou.
- Prestação de contas de 2002: em 2014, a Primeira Turma do STF aceitou denúncia contra ele por falsidade ideológica, por omitir R$ 80 mil em doações na campanha de 2002. Ele disse que as contas foram aprovadas e que o caso estava prescrito.
- Câmeras de Foz do Iguaçu: uma delação o acusou, quando secretário de Desenvolvimento Urbano, de viabilizar R$ 4 milhões para 120 câmeras em Foz do Iguaçu em troca de 10% do valor. Ele negou, disse que a licitação não foi concluída e que não conhecia o dono da empresa.
- Operação Metástase: em outubro de 2021, escutas da Polícia Federal o captaram oferecendo ajuda ao prefeito afastado de Umuarama, Celso Pozzobom (PSC), investigado por desvio de R$ 19 milhões da saúde do município.
- Terceirização de aulas: em novembro de 2021, o estado contratou a Unicesumar por R$ 38,4 milhões para dar aulas a distância em cursos técnicos. Depois de reclamações de alunos e uma investigação do Ministério Público pedida pela APP-Sindicato, o modelo recuou a partir de 2023.
- Reconhecimento facial nas escolas: as escolas estaduais passaram a registrar a presença de quase um milhão de alunos por dia com reconhecimento facial, alvo de ação judicial por possível violação da LGPD. Em 2026, o Tribunal de Contas do Estado suspendeu um pregão de cerca de R$ 581 milhões para a plataforma de videomonitoramento Olho Vivo.
- Servidores da segurança: entre março e abril de 2021, policiais, bombeiros e pensionistas acamparam em frente ao Palácio Iguaçu para cobrar reposição salarial. O governo alegou a crise da pandemia e a Lei Complementar 173/2020.
Linha do tempo
- 19 de abril de 1981: nasce em Jandaia do Sul (PR).
- Outubro de 2002: eleito deputado estadual pelo PSB.
- Outubro de 2006: eleito deputado federal pelo PPS.
- Outubro de 2012: perde no 2º turno a eleição para prefeito de Curitiba.
- Janeiro de 2013: assume a Secretaria de Desenvolvimento Urbano do Paraná.
- Outubro de 2018: eleito governador no 1º turno, com 59,99% dos válidos.
- 1º de janeiro de 2019: toma posse como governador.
- Outubro de 2022: reeleito no 1º turno, com 69,75%.
- Agosto de 2023: conclusão da privatização da Copel.
- 14 de janeiro de 2026: diz que aceitaria disputar a Presidência pelo PSD.
- 23 de março de 2026: desiste da pré-candidatura e decide concluir o mandato.
- 13 de abril de 2026: escolhe Sandro Alex como candidato do PSD ao governo.
- 1º de maio de 2026: inaugura a Ponte de Guaratuba.
- 2 de setembro de 2026: a Folha revela os pagamentos do Banco Master à Massa & Massa.
- 17 de setembro de 2026: licencia-se do governo para fazer campanha.
- 4 de outubro de 2026: Sergio Moro vence no 1º turno; Sandro Alex fica em segundo.
- 10 de outubro de 2026: declara apoio a Flávio Bolsonaro no 2º turno.
- 15 de outubro de 2026: primeira reunião de transição com Moro, no Palácio Iguaçu.
- 27 de outubro de 2026: decreto regulamenta a transição, que começa em 5 de novembro.
O que acontece agora
A transição entre os governos de Ratinho Júnior e de Sergio Moro começa em 5 de novembro de 2026, com equipe de até 20 pessoas, dez de cada lado, e vai até 5 de janeiro de 2027. A equipe de Moro trabalha no Chapéu do Pensador, no Bosque da Copel, em Curitiba. Moro toma posse em 6 de janeiro de 2027.
Ratinho Júnior disse, ao desistir da Presidência, que depois do mandato pretende voltar ao setor privado e presidir o grupo de comunicação criado pelo pai.
Perguntas frequentes
Ratinho Júnior é candidato a quê em 2026?
A nada. Ratinho Júnior desistiu da pré-candidatura à Presidência em 23 de março de 2026 e cumpriu o mandato de governador do Paraná até o fim. Não podia disputar a reeleição.
Ratinho Júnior é de qual partido?
Do PSD, presidido por Gilberto Kassab, pelo qual foi eleito governador em 2018 e 2022. Antes foi filiado ao PSB, ao PPS e ao PSC. Não é filiado ao União Brasil.
Quantos anos tem Ratinho Júnior?
Ele nasceu em 19 de abril de 1981 e tem 45 anos.
Ratinho Júnior apoia Lula ou Bolsonaro?
Em 10 de outubro de 2026, declarou apoio a Flávio Bolsonaro (PL) no 2º turno contra Lula. No 1º turno, apoiou Ronaldo Caiado, do PSD.
Quem Ratinho Júnior apoiou para governador?
Sandro Alex (PSD), seu ex-secretário de Infraestrutura, que ficou em segundo lugar, com 25,37%. Sergio Moro (PL) venceu no 1º turno.
Quem é o pai de Ratinho Júnior?
O apresentador Carlos Roberto Massa, o Ratinho, do SBT, dono do Grupo Massa e deputado federal pelo Paraná entre 1991 e 1995.
Até quando Ratinho Júnior é governador?
Até a posse de Sergio Moro, em 6 de janeiro de 2027.
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