Inadimplência de pessoas físicas no crédito rural bate recorde de 9,7%
No Brasil, o Cepea-Esalq/USP sustenta que o recorde de inadimplência rural decorre do custo e da composição da dívida, e não do seu tamanho em relação à renda do setor.
Pontos principais
- Inadimplência de pessoas físicas no crédito rural: 9,7% do saldo em agosto de 2026, recorde da série do Banco Central.
- Taxa média das concessões a pessoas físicas: de 6,3% ao ano em 2021 para 12,2% em 2025.
- Juros anuais estimados sobre o passivo rural: de cerca de R$ 34 bilhões em 2021 para R$ 99 bilhões em 2025 (a preços de 2025).
- Carteira rural equivalente a 94% da renda agropecuária em 2025, dentro da faixa de 87% a 109% observada de 2013 a 2019.
- Taxas de mercado concentram 77% do saldo em atraso, com inadimplência de 17,6%, contra 3,8% nas taxas controladas.
- Carteira problemática de R$ 205 bilhões em agosto de 2026, 23,8% da carteira ativa; três quartos estão renegociados ou prorrogados.
No Brasil, o Cepea-Esalq/USP sustenta que a inadimplência recorde não vem do tamanho da dívida, e sim do custo e da composição do passivo. O crédito a taxas de mercado, que acompanha a Selic, passou de 5% das contratações em 2013 para 40% em 2025, e é nessa parcela que o atraso se concentra.
A taxa de inadimplência subestima o problema, porque deixa de fora as operações renegociadas e prorrogadas. O Cepea reconhece que os dados não separam a inadimplência de custeio da de investimento e não provam causalidade. Para o Cepea, a explicação mais defensável são dívidas de investimento contratadas nas margens de 2020 a 2022, que venceram quando a margem dos grãos encolheu e os juros dobraram.
A geografia do problema é outra. No Rio Grande do Sul, a inadimplência é de 3,2%, mas 32,7% da carteira está renegociada ou prorrogada, com prorrogações concedidas após as enchentes de maio de 2024. Nos estados de grãos do Centro-Oeste e do Matopiba, a inadimplência é a mais alta do país.
