Primeiro-ministro da França ordena toques de recolher contra tumultos
Sébastien Lecornu pediu aos préfets que acionem toques de recolher parciais e localizados ainda nesta segunda-feira, após um fim de semana de saques que atingiu pelo menos 3.000 estabelecimentos na França.
Pontos principais
- Lecornu pediu aos préfets, representantes do Estado em cada departamento, que acionem toques de recolher parciais já nesta segunda-feira (19), definidos com prefeitos e câmaras de comércio.
- Lecornu descarta toque de recolher em toda Paris: a situação é “muito localizada” em centros urbanos, como Les Halles e República. O Ministério do Interior deve divulgar um mapa das zonas ao longo da tarde.
- O estado de emergência não foi decretado; Lecornu diz que o recurso será usado “se for útil”.
- Segundo o ministro do Comércio, Serge Papin, pelo menos 3.000 estabelecimentos foram danificados ou saqueados, em avaliação preliminar.
- O chômage partiel começa na terça-feira (20), por instrução ministerial, a 100% e não a 70%, sem esperar os prazos habituais.
- Um fundo de apoio específico aos comerciantes está em discussão, em alternativa a isenções sociais e fiscais; a decisão ficará com os ministros nos próximos dias.
- As seguradoras foram chamadas a acelerar perícias e pagar adiantamentos aos comerciantes.
- Cerca de 200 investigadores da prefeitura de polícia de Paris analisam imagens para identificar saqueadores; Lecornu fala em resposta penal “massiva”, com taxa de persecução próxima de 80%.
- Não houve mortes no sábado, segundo Lecornu, que chamou o resultado de “milagre”.
- Lecornu afirma que os serviços de inteligência identificaram um movimento de ultraesquerda que quer gerar desordem até a eleição presidencial.
- Lecornu diz manter a confiança em Laurent Nuñez, ministro do Interior.
- Os sindicatos apresentaram aviso de manifestação para 5 de novembro.
O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, diz que a violência não está espalhada pelo país. Ela se concentra em centros urbanos, onde a pilhagem e a revenda de bens roubados formam um padrão específico, e não em todo o território. O ministro do Interior, Laurent Nuñez, afirmou que haverá reforço de policiais e gendarmes no fim de semana, e que o presidente Emmanuel Macron pediu medidas para conter os vândalos e saqueadores.
A resposta combina punição e apoio ao comércio. Lecornu diz que quem quebrou deve pagar, com responsabilidade civil para os condenados, e que o projeto de lei que chega ao Parlamento permitirá penhorar benefícios sociais para isso. Ele também afirma que é preciso retomar as atividades rapidamente, para não perder a temporada, com estoques já feitos para o Natal.
Lecornu diz que a liberdade de manifestar não pode ficar refém de grupos violentos, e que a doutrina de manutenção da ordem será discutida com partidos e sindicatos, sem decisão anunciada. Ele afirma que muitos manifestantes de sábado agiram de forma pacífica. Segundo Nuñez, o adiamento não está em questão para a partida entre PSG e Barcelona, marcada para terça-feira à noite.
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