Entenda em poucas linhas
- O que é: um movimento nacional de estudantes secundaristas. Alunos de 15 a 18 anos bloqueiam a entrada dos liceus (as escolas de ensino médio) com lixeiras e barricadas e fazem passeatas; universitários aderiram em 1º de outubro.
- Por quê: faltam professores, as turmas são grandes, os prédios estão degradados e as jornadas são longas. A seleção para a universidade pelo Parcoursup também entrou na pauta.
- Como começou: com uma greve de professores num liceu de Créteil, na periferia de Paris, em 17 de setembro de 2026. Os alunos bloquearam a escola no dia seguinte, e vídeos no TikTok espalharam a ideia para o resto do país.
- Tamanho: no auge, em 6 de outubro, 256 mil pessoas foram às ruas, segundo o governo (450 mil, segundo os organizadores), e 891 dos 3.700 liceus do país tiveram as aulas suspensas.
- Violência: houve escolas incendiadas e professores agredidos, e também denúncias de abuso policial. Um aluno de 15 anos perdeu a mão numa explosão de granada da polícia em Lens. Até 8 de outubro, 6.877 pessoas tinham sido detidas, 86% delas menores de idade.
- Resposta do governo: o primeiro-ministro Sébastien Lecornu condena a violência e acusa a França Insubmissa (LFI) de inflar o movimento. O governo desistiu de criar taxas de matrícula para cursos técnicos e preparatórios, abriu uma consulta on-line aos alunos e, em 8 de outubro, mandou 3.000 professores substitutos para as escolas em pior situação.
- E agora: o movimento perdeu força nas escolas (141 liceus fechados em 9 de outubro, contra quase 600 no início da semana), mas as entidades marcaram nova greve para 13 de outubro. As férias escolares começam em 17 de outubro, e o governo promete as primeiras decisões para o fim do mês.
O que está acontecendo
Desde meados de setembro de 2026, estudantes do ensino médio (lycéens, de 15 a 18 anos) bloqueiam e protestam em frente a escolas em toda a França contra as condições de ensino. O movimento começou em 17 de setembro, com uma greve de professores contra a falta de funcionários no liceu Saint-Exupéry, de Créteil, na periferia sudeste de Paris; no dia seguinte, os alunos bloquearam a escola. O protesto passou a outros subúrbios da capital e, na última semana de setembro, se espalhou pelo país. Em 1º de outubro, universitários aderiram aos bloqueios.
Segundo o Ministério do Interior, 1.027 liceus foram afetados por manifestações na quinta-feira, 1º de outubro, 222 deles bloqueados. Cerca de 30 campi universitários também foram bloqueados naquele dia, incluindo unidades em Paris, Estrasburgo, Marselha, Lyon, Reims, Poitiers e Nanterre, segundo a União Estudantil. Na sexta-feira, 2 de outubro, cerca de 400 das 3.700 escolas de ensino médio do país foram fechadas por ordem dos prefeitos de polícia, e muitas passaram para aulas a distância.
Na segunda-feira, 5 de outubro, início da segunda semana de protestos em escala nacional, entre 400 e 500 liceus tiveram as aulas suspensas total ou parcialmente porque as condições de segurança "não foram cumpridas", segundo o ministro da Educação, Édouard Geffray. O ministério contou protestos ou bloqueios em 413 escolas pela manhã, contra 564 ao meio-dia da sexta-feira anterior, queda que atribuiu ao "diálogo constante com os alunos"; no balanço do dia, 589 dos 3.700 liceus tiveram as aulas perturbadas, e 32 universidades, segundo uma entidade estudantil. Em Lens, no norte do país, um aluno de 15 anos perdeu a mão numa explosão durante confronto com a tropa de choque.
Na terça-feira, 6 de outubro, a União Sindical Liceal (USL) convocou o "Ato III" do movimento, um dia nacional de mobilização com adesão de sindicatos de professores, da CGT, de entidades universitárias e de associações de pais. As autoridades esperavam de 20 mil a 40 mil manifestantes em Paris, com ato marcado para as 14h na praça da República. A USL afirmou que 1.800 liceus estavam bloqueados ou fechados e 90% das universidades bloqueadas, números que o governo não confirmou.
O "Ato III" foi o maior dia do movimento até então: o Ministério do Interior contou 256 mil manifestantes no país, 56 mil deles em Paris, e as entidades estudantis que convocaram os atos falaram em 450 mil, 100 mil na capital. O Ministério da Educação informou que 891 dos 3.700 liceus tiveram as aulas suspensas total ou parcialmente naquele dia. A maior parte das marchas transcorreu sem incidentes graves, mas houve vandalismo e confrontos em Paris, onde a polícia usou gás lacrimogêneo, e em Marselha; em Rennes, a tropa de choque dispersou estudantes com canhões d'água, e houve choques em Lyon e Estrasburgo. Na quarta-feira, 7 de outubro, o número de liceus com aulas suspensas caiu para 528, segundo o ministério. A União Estudantil e a USL convocaram novo dia de mobilização para quinta-feira, 8 de outubro.
O "Ato IV", em 8 de outubro, teve apoio dos sindicatos da educação Snes-FSU, CGT, FO e Sud, que convocaram greve e manifestações em todo o país. Pela manhã, segundo o Ministério da Educação, 375 liceus estavam fechados total ou parcialmente (224 fechados e 151 reabertos em parte). Em Paris, alunos ergueram barricadas com lixeiras diante do liceu Hélène-Boucher, e a polícia respondeu com gás lacrimogêneo. O Ministério do Interior contou 71,5 mil manifestantes no país, 24,5 mil em Paris, bem menos que no "Ato III"; a CGT falou em mais de 130 mil. No fim da tarde, houve confronto na praça da Bastilha, com pedras lançadas contra a polícia, que respondeu com canhões d'água e gás lacrimogêneo. À noite, Geffray anunciou o envio de 3.000 professores substitutos às escolas com mais falta de docentes.
Na sexta-feira, 9 de outubro, o movimento perdeu força nas escolas: 141 dos 3.700 liceus estavam fechados, contra 157 na véspera e quase 600 no início da semana, segundo o ministério. Uma fonte do governo ouvida pela AFP falou em "nítida desaceleração" e numa dinâmica "muito localizada". Ainda assim, houve bloqueios em liceus como o Montaigne, em Paris, e passeatas como a de Nantes, e pela primeira vez grandes escolas de ensino superior, como a ENS da rua d'Ulm e a ENS Paris-Saclay, foram bloqueadas com lixeiras. As entidades estudantis e os sindicatos convocaram nova greve e novas manifestações para terça-feira, 13 de outubro.
Por que os estudantes protestam: o contexto
A raiva tem números por trás. Numa pesquisa com 1.033 escolas publicada em 9 de setembro de 2026, o Snes-FSU, maior sindicato de professores do ensino médio, contou ao menos um professor faltando em 53% dos colégios e liceus públicos, com picos nas regiões de Versalhes (70%), Toulouse, Nantes e Créteil (61%). Segundo o próprio ministério, 10% das horas de aula previstas nos liceus não foram dadas no ano letivo 2024-2025, e cerca de 10% dos prédios escolares são considerados degradados demais. A conservação dos liceus cabe às regiões, que aumentaram o investimento na última década. Alunos relatam goteiras, janelas quebradas, aquecimento que não funciona e banheiros interditados. No calor de junho de 2026, provas do bac, o exame de conclusão do ensino médio, foram feitas em salas sem ar-condicionado.
A carga horária também pesa. Éric Charbonnier, analista de educação da OCDE, disse à rádio RTL que o liceu francês tem cerca de 1.200 horas de aula por ano, contra 960 na média dos países da organização, num ano letivo mais curto (36 semanas, contra 38). Segundo ele, a reforma do ensino médio, em que cada aluno escolhe três de treze disciplinas de aprofundamento, gera 286 combinações possíveis e grades picotadas, com dias que podem ir das 8h às 18h.
No fim do ensino médio está o Parcoursup, a plataforma nacional de admissão no ensino superior. Em julho de 2026, ao fim da fase principal, 163.372 candidatos (18% dos inscritos) não tinham sido aceitos em nenhum dos cursos que pediram, contra 103 mil (11,9%) em 2025.
O momento político agrava tudo. O governo prepara o orçamento de 2027 com pouca margem para gastar, os servidores públicos estão em greve por salário e a eleição presidencial de 2027 já começou a pautar os partidos.
Reivindicações
Os estudantes reclamam de jornadas longas, falta de professores, ausências de docentes que não são repostas, turmas superlotadas, prédios deteriorados e salas superaquecidas durante as ondas de calor do ano. Uma aluna ouvida pela AFP citou aulas das 8h às 18h e turmas sem professor responsável.
Desde os primeiros atos em Créteil, os alunos denunciam também a desigualdade entre escolas: ensino, instalações e chances de avanço piores nos bairros pobres. Cartazes do primeiro protesto diziam "Desigualdade demais, estamos enojados" e "Educação é um direito, não um privilégio".
Não há uma pauta nacional única. Geffray afirmou que o movimento nasceu de "um conjunto bastante diverso de reivindicações locais". As entidades estudantis pedem "financiamento maciço" para liceus e universidades. Em 6 de outubro, a USL listou como reivindicações a abertura de 150 mil vagas no ensino superior, €10 bilhões para a reconstrução emergencial de escolas e a contratação em massa de professores. A Unef, terceira maior organização estudantil do país, protesta também contra a redução de vagas nas universidades e o congelamento do auxílio-moradia. A porta-voz da União Estudantil, Sabrine Kharbach, disse em 8 de outubro que a mobilização continua "enquanto não houver 10 bilhões na mesa". Outras bandeiras que aparecem nos atos são o fim do Parcoursup, mais igualdade entre as escolas da periferia e as das metrópoles, mais funcionários de apoio (enfermeiros, inspetores, assistentes de alunos com deficiência) e o fim da proibição do celular nas escolas, em vigor desde o início do ano letivo de 2026.
O projeto de orçamento de 2027 do governo reserva €65,5 bilhões para as escolas, mais que os €63,4 bilhões da defesa. Segundo a BBC, o aumento previsto para a Educação é de 1,7%, abaixo da inflação, e o custo anual da dívida pública já supera o orçamento central da pasta.
Cronologia
- 17 de setembro (quinta): professores do liceu Saint-Exupéry, em Créteil, na região de Paris, entram em greve contra a falta de funcionários.
- 18 de setembro (sexta): alunos do Saint-Exupéry fazem o primeiro bloqueio da escola.
- 21 de setembro (segunda): os deputados Louis Boyard e Clémence Guetté, da LFI, visitam o liceu e divulgam o protesto nas redes; na semana, cerca de dez liceus do Val-de-Marne são bloqueados, segundo a reitoria de Créteil.
- 24 de setembro (quinta): o site de rap Booska-P publica entrevista com oito alunos do Saint-Exupéry que falam de abandono e desigualdade na periferia; o vídeo passa de 1,5 milhão de visualizações no TikTok. Em 24 e 25 de setembro, cerca de 60 liceus da região de Paris têm aulas perturbadas.
- 28 de setembro (segunda): o movimento chega a Marselha, Lille e outras regiões; 180 escolas afetadas e 164 detidos, segundo o Ministério do Interior.
- 29 de setembro (terça): dia de confrontos, com incêndio de contêineres e objetos lançados contra a polícia; 440 pessoas detidas, segundo o Ministério do Interior.
- 30 de setembro (quarta): o movimento atinge 356 escolas, contra 338 na véspera; 625 detidos e 83 policiais e gendarmes feridos. Em Tours, um estudante é hospitalizado com ferimento na cabeça que o Ministério Público considerou "compatível" com disparo de LBD, arma não letal da polícia. O governo anuncia uma plataforma de consulta para os alunos.
- 1º de outubro (quinta): universidades aderem; 1.027 liceus afetados e 1.949 pessoas detidas no dia; 305 policiais, gendarmes e bombeiros feridos. Incêndios atingem escolas em Nantes e Rouen. O primeiro-ministro Sébastien Lecornu convoca reunião de crise e manda ministros cancelarem viagens oficiais. À noite, o governo retira a proposta de taxa de matrícula para cursos BTS e classes preparatórias.
- 2 de outubro (sexta): cerca de 400 escolas fechadas; novos focos de incêndio e confrontos com a polícia. O ministro da Justiça, Gérald Darmanin, diz que 735 escolas foram afetadas "de uma forma ou de outra"; o ministro do Interior, Laurent Nuñez, contabiliza 1.747 detidos no dia.
- 4 de outubro (domingo): Geffray anuncia a suspensão total ou parcial das aulas em 400 a 500 liceus na segunda-feira e faz o balanço de 24 escolas incendiadas ou saqueadas e 78 funcionários da educação feridos. Lecornu envia a ministros uma lista de medidas para a escola.
- 5 de outubro (segunda): começa a segunda semana; 589 liceus com aulas perturbadas, segundo o Ministério da Educação. Em Lens, um aluno de 15 anos perde a mão na explosão de uma granada da polícia em frente ao liceu Auguste Béhal; o Ministério Público de Béthune entrega a investigação à IGPN. À noite, a Anistia Internacional pede o fim da "repressão policial desproporcional".
- 6 de outubro (terça): "Ato III", dia nacional de mobilização convocado pela USL, com adesão de sindicatos da educação, da CGT e da maior federação de associações de pais da escola pública; as autoridades esperam de 20 mil a 40 mil manifestantes em Paris. Em Clermont-Ferrand e em 15 liceus do Finistère, a Justiça mantém a proibição de aglomerações perto das escolas. Em Paris, pais e militantes com braçadeiras brancas formam correntes humanas entre alunos e gendarmes diante do liceu Hélène-Boucher. Lecornu recebe os presidentes das regiões para discutir a reforma dos prédios escolares. No balanço do dia, 256 mil manifestantes no país, segundo o Ministério do Interior (450 mil, segundo os organizadores), e 891 liceus com aulas suspensas; gás lacrimogêneo em Paris e Marselha e canhões d'água em Rennes. Na Assembleia, Lecornu condena a "ultraviolência", nega que haja "violência policial" e anuncia um "período de democracia interna" nos liceus. O Irã convoca o embaixador francês em Teerã para protestar contra a repressão.
- 7 de outubro (quarta): o ministro do Interior, Laurent Nuñez, suspende temporariamente o uso de granadas de efeito moral pela polícia nos atos estudantis; 528 liceus com aulas suspensas total ou parcialmente. À noite, em pronunciamento na TV a partir de Matignon, Lecornu diz que a polícia não recebeu ordem de "confrontar" os alunos e promete as primeiras decisões do governo para o fim de outubro; a USL pede uma reunião com o primeiro-ministro.
- 8 de outubro (quinta): "Ato IV", com greve convocada pelos sindicatos da educação Snes-FSU, CGT, FO e Sud; 375 liceus fechados total ou parcialmente pela manhã. A polícia usa gás lacrimogêneo contra alunos que bloqueiam o liceu Hélène-Boucher, em Paris. Geffray e o ministro do Ensino Superior, Philippe Baptiste, recebem à tarde as três principais organizações secundaristas. O Ministério do Interior conta 71,5 mil manifestantes no país (24,5 mil em Paris); há confronto na praça da Bastilha. As entidades convocam nova greve para 13 de outubro. À noite, no telejornal da TF1, Geffray anuncia 3.000 professores substitutos para mais de 500 liceus em dificuldade.
- 9 de outubro (sexta): 141 liceus fechados, o menor número em duas semanas. O Ministério da Justiça contabiliza 6.877 detidos desde o início, 86% menores. Geffray visita um liceu em Cachan, na região de Paris. A porta-voz do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos, Shabia Mantoo, diz acompanhar os incidentes "com preocupação" e pede que a polícia não use força desproporcional.
Violência e detenções
O governo passou a classificar os protestos como "violência urbana". Houve lixeiras e contêineres incendiados, barricadas e disparos de rojões. Em Nantes, o fogo de uma lixeira se espalhou para a entrada do liceu Nelson Mandela. Em Marselha, funcionários do liceu Victor Hugo foram atingidos por gasolina, e o transporte público de Marselha e Estrasburgo foi interrompido em 1º de outubro.
Até 2 de outubro, Geffray contabilizava 170 alunos feridos desde o início do movimento e mais de 100 escolas com danos graves. Em 4 de outubro, o ministro elevou para 78 o número de funcionários da educação feridos, "algo que nunca vimos antes", e informou que 24 escolas foram incendiadas ou saqueadas. Em 6 de outubro, o governo contava 215 alunos e 715 policiais feridos desde o início do movimento, e o gabinete de Lecornu, 85 profissionais da educação feridos; em 7 de outubro, o número de policiais feridos já chegava a cerca de 750.
Na semana de 28 de setembro a 2 de outubro, a polícia fez mais de 5 mil detenções, 85% delas de menores de idade, segundo o ministro do Interior. Em 5 de outubro, o Ministério da Justiça contabilizou 5.060 detidos desde o início do movimento, 87% menores; 1.802 pessoas respondiam a processo (1.483 menores e 319 adultos), 14 estavam em prisão preventiva e 790 casos tinham sido arquivados. Em 7 de outubro, as detenções passavam de 6.500, quase todas de menores, e mais de 1.800 pessoas respondiam a processo, perto de 1.500 delas com menos de 18 anos, segundo o Ministério da Justiça. No balanço divulgado em 9 de outubro, com dados até as 17h do dia 8, eram 6.877 detidos desde o início do movimento (86% menores), 2.376 processados (1.923 menores) e 21 pessoas em prisão preventiva, seis delas menores. Uma fonte do governo estimou os danos em escolas e espaços públicos em "no mínimo 30 milhões de euros".
Geffray afirmou que "há ativistas, sobretudo da extrema esquerda, que se infiltraram no movimento dos estudantes do ensino médio, o sequestraram dos próprios alunos e praticaram violência extrema". Yvon Manac'h, diretor de um liceu perto de Toulouse e dirigente do sindicato de diretores SNPDEN, disse à Franceinfo que a violência extrema em algumas escolas costuma vir de fora delas, "e não dos nossos alunos".
A IGPN, órgão que investiga a polícia, abriu três inquéritos sobre estudantes feridos em Sevran, Saint-Ouen-l'Aumône e Tours. Em Saint-Ouen-l'Aumône, Eden, de 14 anos, teve fratura dupla da mandíbula depois de ser atingido na cabeça, segundo relatos, por uma granada de gás lacrimogêneo, e passou por cirurgia; outro caso apurado é o de um jovem de 16 anos ferido no olho por balas de borracha, segundo amigos. Nuñez afirmou que as forças de segurança agiram "com muita proporcionalidade" e, em 5 de outubro, informou que a polícia já tinha aberto dez investigações internas sobre denúncias de abuso.
Em 5 de outubro, em Lens, um aluno de 15 anos perdeu a mão e parte do antebraço numa explosão em frente ao liceu Auguste Béhal. Segundo o prefeito do Pas-de-Calais, François-Xavier Lauch, de 200 a 250 manifestantes atiraram pedras, rojões e morteiros contra policiais, e uma companhia da tropa de choque (CRS) foi enviada ao local; a vida do aluno não corre risco. Uma fonte sindical da polícia disse à AFP que o jovem pegou uma granada de dispersão (grenade de désencerclement) lançada pelos agentes, que explodiu na mão dele; uma colega ouvida pelo jornal La Voix du Nord afirmou que ele não pegou a granada. O Ministério Público de Béthune entregou a investigação à IGPN. No mesmo dia, a Anistia Internacional pediu às autoridades que acabem com a "repressão policial desproporcional", e a USL acusou a polícia de "repressão sem precedentes". Em 7 de outubro, a mãe do aluno disse à BFMTV que a mão do filho foi amputada e que ele não tentou pegar a granada: "Roubaram a vida dele. É um garoto de 15 anos, como podem tratar crianças assim?".
Em 7 de outubro, Nuñez disse à rádio RTL que mandou suspender temporariamente o uso de granadas de efeito moral pela polícia "no contexto do movimento dos estudantes do ensino médio", "até sabermos exatamente o que aconteceu" em Lens. Ele informou que 18 investigações internas sobre denúncias de brutalidade policial estavam abertas, entre elas a de um jovem que perdeu vários dentes e a de um estudante que perdeu a visão de um olho. No caso dos dentes, um aluno de 14 anos atingido no rosto por uma granada de gás lacrimogêneo disparada de perto no noroeste de Paris, um policial foi indiciado em 6 de outubro. Em 9 de outubro, o Ministério do Interior informou que a IGPN já tinha 24 investigações abertas, seis delas sobre disparos de LBD; uma das mais recentes apura uma joelhada de um policial no rosto de um manifestante na Bastilha, na véspera.
Advogados de menores detidos também denunciam o tratamento sob custódia. Ainoha Pascual, que defende três menores em Paris, disse que eles ficaram "aterrorizados" e que muitos chegam à delegacia com ferimentos de cassetete ou por terem sido arrastados no chão; Prisca Ancion, do Coletivo de Ação Judicial, relatou queixas de agressões verbais, tapas, estrangulamentos e cabeças pressionadas contra o chão.
Resposta do governo
Além da reunião de crise de 1º de outubro, o governo anunciou uma plataforma on-line em que todos os alunos do ensino médio podem registrar demandas, para depois dar "respostas estruturadas". A primeira concessão concreta veio na noite de 1º de outubro: Geffray anunciou que o orçamento de 2027 deixaria de prever taxas de matrícula de €178 para alunos não bolsistas dos cursos técnicos BTS e de €270 para os das classes preparatórias às grandes écoles.
Em 2 de outubro, Darmanin disse ter pedido ao Ministério Público que busque a responsabilização civil dos pais de menores envolvidos em vandalismo: "Não é o menor quem paga, são os pais". Geffray pediu aos pais que impeçam os filhos de ir aos bloqueios e marcou reuniões com entidades estudantis, associações de pais e sindicatos de professores.
Em 4 de outubro, Lecornu enviou a ministros uma carta com propostas: prioridade para cobrir afastamentos longos e vagas de professor não preenchidas, uso de inteligência artificial para montar os horários escolares, melhor organização da jornada, reforma dos prédios e mais transparência no Parcoursup, a plataforma de admissão nas universidades. Um levantamento com o custo e o prazo de cada medida deve ser apresentado ao governo até o fim de outubro. "Esse diálogo precisa levar a mudanças visíveis nos liceus", escreveu. "Ao mesmo tempo, não vamos ceder à violência." O primeiro-ministro também mandou acelerar o projeto de lei "vândalo-pagador", que obriga os responsáveis por danos ao patrimônio público a pagar o conserto. A porta-voz do governo, Maud Bregeon, disse que o texto será votado em regime acelerado a partir de 27 de outubro; Lecornu afirmou que a indenização poderá ser descontada de auxílios familiares e de moradia, preservada uma renda mínima, e a líder da CGT, Sophie Binet, disse que a medida "vai acabar atingindo as famílias mais vulneráveis".
Em 5 de outubro, Geffray disse esperar resolver "a maior parte das situações problemáticas" até 16 de outubro e retomar as aulas nas escolas afetadas no dia 7. A USL respondeu que o governo não ofereceu "nada concreto". Na véspera do ato de 6 de outubro, o gabinete de Lecornu pediu manifestações "pacíficas" e a volta a "uma forma de oposição estruturada, legal e democrática".
Em 6 de outubro, na sessão de perguntas ao governo na Assembleia Nacional, Lecornu disse que "a ultraviolência chegou à porta dos liceus" e que "incendiar um liceu não melhora o estado dos prédios escolares; linchar um professor não ajuda a repor professores". Rejeitou o termo "violência policial": "Podem ocorrer acidentes numa operação de ordem pública tão sensível? A resposta é sim. [...] 'Violência policial' implicaria a existência de diretrizes políticas de repressão policial. Isso é falso, é uma mentira". Para acalmar o movimento, anunciou a suspensão das aulas nos liceus no fim daquela semana para um "período de democracia interna" com os alunos. A plataforma de consulta aberta por Geffray em 5 de outubro fica no ar até 23 de outubro, e o ministro disse que responderia às reivindicações, entre elas a reposição de professores, na semana seguinte. Depois do ato, Macron convocou uma reunião de emergência do governo. O prefeito socialista de Paris, Emmanuel Grégoire, anunciou em carta aberta que as prefeituras de distrito da capital abririam as portas para os alunos "se reunirem, debaterem e se organizarem democraticamente", e os presidentes de universidades pediram um "fórum nacional da juventude".
Na noite de 7 de outubro, num pronunciamento na TV a partir de Matignon, Lecornu disse que o país não pode ficar "indiferente" e que "a raiva dos jovens não vem do nada", negou que policiais e gendarmes tenham recebido "ordens para confrontar" os manifestantes e afirmou que "as primeiras decisões do governo serão apresentadas no fim de outubro". Condenou também os "responsáveis políticos que usam essa raiva para travar suas batalhas eleitorais". A USL respondeu que o governo ainda não apresentou medida concreta; seu presidente, Ryad Rani, disse que a entidade tem "propostas com custo calculado" e pediu reunião com Lecornu já na semana seguinte. Em 8 de outubro, Geffray visitou um liceu profissional de Reims, informou que a plataforma de consulta já tinha recebido 51 mil contribuições e, com o ministro do Ensino Superior, Philippe Baptiste, recebeu no ministério as três principais organizações secundaristas: USL, Renouveau Lycéen e Lycéens!. Para abrir espaço ao "período de democracia interna" anunciado por Lecornu, as grades de horário de quinta e sexta-feira (8 e 9 de outubro) foram liberadas para que cada liceu organizasse um "tempo lycéen" de debate com os alunos.
Na noite de 8 de outubro, no telejornal da TF1, Geffray apresentou um plano de emergência: 3.000 professores substitutos que estavam sem turma seriam mandados, entre sexta e a terça seguinte, a mais de 500 liceus em dificuldade, apontados por uma nova ferramenta que mede a falta de docentes (114 classificados como "vermelhos" e cerca de 400 como "laranjas"). Os reitores também poderão contratar acima do teto previsto, algumas centenas de professores a mais. Geffray disse que o governo vai apresentar emendas ao orçamento da Educação com base nas contribuições da consulta on-line e afirmou ser "a primeira vez que nossos alunos de liceu terão efeito sobre o orçamento da Educação Nacional". Em 9 de outubro, ao visitar um liceu em Cachan, disse que os substitutos estavam "sendo contatados diretamente" pelas secretarias regionais. Os ministros voltam a receber as entidades na segunda-feira, 12 de outubro, para discutir a transparência do Parcoursup e a falta de vagas no ensino superior. Marylise Léon, secretária-geral da CFDT, maior central sindical do país, chamou o anúncio de "primeira resposta", mas "muito aquém" do esperado. "As medidas do ministro são um primeiro passo, mas não bastam", disse à AFP Alice, aluna do último ano de um liceu de Marselha.
Os sindicatos de professores receberam o anúncio com desconfiança e pediram plano de longo prazo e mais verba. No liceu Blaise-Cendrars, em Sevran, na Seine-Saint-Denis, escola com mais de mil alunos que já tinha viralizado em 2024 com um vídeo sobre salas e banheiros degradados, os estudantes votaram por continuar os protestos na semana de 12 de outubro, segundo reportagem do jornal The Guardian de 10 de outubro. Eles relatam cadeiras e carteiras insuficientes, infiltrações, mofo, banheiros sem porta e turmas meses sem professor. O prefeito de Sevran, Stéphane Blanchet, apoiou as reivindicações, e o presidente socialista do conselho departamental da Seine-Saint-Denis, Stéphane Troussel, pediu que a polícia deixe de usar o lançador de balas de borracha (LBD).
Em 30 de setembro, o presidente Emmanuel Macron disse entender "as ansiedades, às vezes a raiva" dos jovens, mas afirmou que nada justifica a violência e acusou políticos da esquerda radical de "legitimar a violência".
Repercussão política
Os protestos ocorrem a poucos dias da apresentação do orçamento, num momento em que o juro do título francês de dez anos chegou a passar de 5%, o maior nível em 24 anos, na semana de 28 de setembro, em meio a greves de servidores públicos por reajuste salarial (cerca de 200 mil manifestantes em 29 de setembro, segundo o Ministério do Interior) e a meses da eleição presidencial de maio de 2027, à qual Macron não pode concorrer.
O gabinete de Lecornu descreveu os protestos como "manobra organizada pela LFI e seus satélites na extrema esquerda". Na Assembleia, em 6 de outubro, o próprio Lecornu acusou o partido de ter uma "agenda política" para "lançar o país no caos" antes da eleição de 2027. O coordenador da França Insubmissa (LFI), Manuel Bompard, rejeitou a acusação e, em 4 de outubro, disse que o partido lamenta a violência, mas que o governo não deveria reduzir o movimento a ela. A participação da LFI na organização não foi comprovada de forma independente. O jornal Le Monde teve acesso à nota do serviço de inteligência da polícia de Paris em que o governo se apoia e relatou que ela trata só da Seine-Saint-Denis, descreve 27 ações diante de cerca de 20 liceus entre 21 e 25 de setembro e cita a LFI uma única vez, pela visita de apoio do deputado Éric Coquerel a um liceu de Saint-Ouen. Para o jornal, os elementos mostram mais a tentativa de partidos e sindicatos de aproveitar um movimento fragmentado e espontâneo do que uma operação organizada. Bruno Retailleau, candidato dos Republicanos à Presidência, chamou a LFI de "partido sedicioso" e disse que "a questão da proibição da LFI está posta"; Roussel respondeu que proibir partidos é coisa de ditadura. Em 5 de outubro, o ex-primeiro-ministro Dominique de Villepin e o deputado François Ruffin, ambos de olho em 2027, pediram uma resposta "política, e não policial", o fim do uso de LBD e de granadas contra secundaristas, o fim do Parcoursup e o voto aos 16 anos. A deputada Clémence Guetté, da LFI, eleita pelo distrito de Créteil, esteve com os primeiros manifestantes. Jean-Luc Mélenchon, líder da LFI e candidato pela quarta vez à Presidência, chamou o movimento de "o mais poderoso movimento da juventude secundarista e universitária" desde 1968, classificou a resposta do governo como repressiva, pediu a militantes que se coloquem entre os alunos e a polícia e disse defender protestos não violentos. Marine Le Pen, do Reagrupamento Nacional, afirmou que já não se trata de protesto de estudantes, e sim de "tumultos organizados por profissionais", e defendeu uma nova lei antidistúrbios.
O prefeito de Saint-Denis, Bally Bagayoko (LFI), virou uma das figuras do movimento. Em 29 de setembro, diante do liceu Paul-Éluard, bloqueado pelos alunos, disse que "a violência, em determinado momento, pode ser legítima", e acrescentou que preferia evitá-la. O prefeito de polícia de Paris, Patrice Faure, comunicou o caso ao Ministério Público de Bobigny por "provocação a cometer delito", com base no artigo 40 do Código de Processo Penal. À rádio RTL, Bagayoko disse que não renega "nada do que disse", argumentou que muitos avanços sociais vieram também de formas de violência e pediu aos jovens que se mantenham "unidos e não violentos". Em outro ato, colocou-se entre policiais e alunos com os braços abertos, e depois cobrou de Macron um pedido de desculpas aos estudantes feridos.
O movimento ganhou apoio sindical para o ato de 6 de outubro: a CGT prometeu ficar "lado a lado" com os alunos e "proteger os secundaristas", nas palavras de Binet, e chamou os trabalhadores em greve do setor de energia a se juntarem a eles, e ao menos seis sindicatos da educação, entidades universitárias e a maior federação de associações de pais da escola pública anunciaram adesão. O candidato comunista à Presidência, Fabien Roussel, pediu a professores e trabalhadores que apoiem os estudantes. A líder dos Verdes, Marine Tondelier, pediu a autoridades locais e pais que fossem de branco aos atos para "proteger nossos filhos". O prefeito de Marselha, Benoît Payan, de esquerda, condenou a "violência inaceitável" na cidade e disse que as preocupações dos jovens são legítimas, mas devem ser expressas com calma.
O movimento tem apoio da opinião pública: numa pesquisa feita para a BFMTV, 72% dos franceses consideram legítimas as reivindicações dos alunos e 55% apoiam o movimento. Numa pesquisa Odoxa para o Le Figaro, 62% disseram que o movimento é justificado. Os influenciadores Squeezie e Léna Situations, a cantora Théodora e o astro do basquete Victor Wembanyama, que se disse "contente que os alunos de liceu e os jovens em geral se façam ouvir", manifestaram apoio.
A crise teve eco externo: em 6 de outubro, o Irã convocou o embaixador da França em Teerã, Pierre Cochard, acusou as autoridades francesas de "tratamento violento" contra os manifestantes e de "violações graves e flagrantes dos direitos humanos", segundo a imprensa estatal iraniana. As relações entre os dois países já vinham se deteriorando: em agosto, cada um expulsou diplomatas do outro.
Os protestos estudantis também chegaram à Bélgica. Em Liège, a polícia usou canhões d'água e gás lacrimogêneo e deteve quase 90 pessoas em 7 de outubro, e o prefeito, Willy Demeyer, proibiu aglomerações públicas até a meia-noite de 16 de outubro.
Na Itália, alunos fizeram atos em várias escolas em solidariedade aos franceses, com o lema "fazer como na França". Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump escreveu na Truth Social, em 6 de outubro, que a crise é consequência de "imigração em massa fora de controle" e "do islã", e não das escolas.
Redes sociais e desinformação
O movimento se espalhou pelas redes. A entrevista dos alunos de Créteil ao Booska-P passou de 1,5 milhão de visualizações no TikTok, e chamadas para bloqueios circularam no TikTok, no Snapchat e no Instagram; segundo o Le Monde, parte dos panfletos foi feita com ferramentas de inteligência artificial. As reitorias atribuem a essa circulação a velocidade com que o protesto chegou a escolas de todo o país. O Viginum, órgão do governo que monitora interferência estrangeira on-line, disse em 28 de setembro não ter visto amplificação artificial vinda do exterior.
Também circularam vídeos falsos. A RFI identificou imagens que não foram gravadas durante os protestos, algumas nem na França, publicadas no X, no Facebook, no Instagram e no TikTok para sugerir violência em massa, e rastreou parte delas até contas israelenses, britânicas, russas e americanas que costumam mirar a França e a perfis europeus de extrema direita. Em 29 de setembro, contas e veículos de direita usaram vídeos cortados para acusar o prefeito de Saint-Denis, Bally Bagayoko (LFI), de ter ateado fogo a uma lixeira diante de um liceu; as gravações completas, divulgadas pelo L'Humanité e pelo Libération, mostram que ele afastava a lixeira do portão e ajudava os bombeiros.
O governo francês acusou o Irã de fazer uma campanha de desinformação sobre os protestos em contas oficiais e convocou o embaixador iraniano em Paris.
Quem é quem
- Sébastien Lecornu: primeiro-ministro. Condena a violência, nega que haja "violência policial" e promete decisões para o fim de outubro.
- Édouard Geffray: ministro da Educação. Abriu a consulta on-line aos alunos e anunciou os 3.000 professores substitutos.
- Laurent Nuñez: ministro do Interior, responsável pela polícia. Suspendeu o uso de granadas de efeito moral depois do caso de Lens.
- Gérald Darmanin: ministro da Justiça. Quer que os pais paguem pelos danos causados pelos filhos.
- Philippe Baptiste: ministro do Ensino Superior.
- Emmanuel Macron: presidente. Diz entender a raiva dos jovens, mas acusa a esquerda radical de "legitimar a violência". Não pode concorrer em 2027.
- União Sindical Liceal (USL): entidade secundarista que convoca os atos nacionais. O presidente, Ryad Rani, deixou o liceu em setembro e é próximo da LFI.
- Renouveau Lycéen e Lycéens!: as outras duas entidades secundaristas recebidas pelo governo. O presidente do Renouveau Lycéen, Nathanaël Combary, também já não está no liceu e é próximo do partido de Macron, o Renaissance.
- União Estudantil e Unef: entidades universitárias que levaram os bloqueios para os campi.
- França Insubmissa (LFI): partido de esquerda radical de Jean-Luc Mélenchon, acusado pelo governo de manipular o movimento, o que nega.
Como funciona o ensino médio francês
O liceu (lycée) corresponde ao ensino médio brasileiro: três anos, chamados seconde, première e terminale, para alunos de cerca de 15 a 18 anos. Há cerca de 3.700 liceus no país. O curso termina com o bac (baccalauréat), exame nacional que dá acesso ao ensino superior. A vaga na universidade, nos cursos técnicos de dois anos (BTS) ou nas classes preparatórias para as grandes écoles é disputada pelo Parcoursup, plataforma nacional criada em 2018. Cada liceu pertence a uma académie, a divisão regional do Ministério da Educação, chefiada por um reitor; os prédios dos liceus são das regiões.
Alguns termos que aparecem na cobertura: blocus é o bloqueio da entrada da escola por alunos, em geral com lixeiras; CRS é a tropa de choque da polícia; LBD é o lançador de balas de borracha; IGPN é a corregedoria da Polícia Nacional; garde à vue é a detenção para interrogatório, que pode durar 24 horas ou mais.
Comparação com outros movimentos estudantis
A França tem longa tradição de protestos de estudantes, e alguns arrancaram concessões do governo:
- Maio de 1968: a revolta começou nas universidades e virou uma greve geral de milhões de trabalhadores. Mélenchon chama o movimento de 2026 de o mais poderoso da juventude desde então.
- Outono de 1990: secundaristas, muitos da periferia de Paris, protestaram por segurança, limpeza, professores e material. Chegaram a cerca de 100 mil pessoas em Paris e 150 mil no país, e o ministro da Educação, Lionel Jospin, respondeu com um plano de emergência e mais verba.
- 2005: alunos e professores protestaram contra a reforma do bac do ministro François Fillon, que recuou e tirou as mudanças do exame do projeto.
- 2006: estudantes e sindicatos foram às ruas contra o Contrato de Primeiro Emprego (CPE) do governo de Dominique de Villepin, que permitia demitir jovens sem justificativa nos dois primeiros anos. O contrato foi revogado. Em 2026, Villepin apoia os alunos.
- 2018: universitários ocuparam campi contra o Parcoursup, e no fim do ano os liceus se mobilizaram contra a plataforma e a reforma do bac do ministro Jean-Michel Blanquer, em meio aos protestos dos coletes amarelos. O Parcoursup ficou, com ajustes, e a reforma saiu.
Próximos passos
- 12 de outubro (segunda): os ministros voltam a receber as entidades estudantis para tratar do Parcoursup e das vagas no ensino superior.
- 13 de outubro (terça): novo dia de greve e manifestações convocado pelas entidades estudantis e sindicatos.
- 17 de outubro a 1º de novembro: férias escolares de outono (Toussaint), que costumam esvaziar mobilizações em escolas.
- 23 de outubro: fecha a plataforma de consulta aos alunos.
- A partir de 27 de outubro: votação do projeto "vândalo-pagador" em regime acelerado.
- Fim de outubro: Lecornu promete as primeiras decisões do governo; emendas ao orçamento de 2027 da Educação.
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