Alternância política eleva rotatividade de diretores escolares
Estudo da USP aponta que mudanças de gestão municipal aumentam a troca de diretores, prejudicando a continuidade pedagógica e o aprendizado.
Pontos principais
- Pesquisa analisou dados de 138 mil escolas municipais entre 2007 e 2019.
- Trocas de governo aumentam em até 30 pontos percentuais a chance de diretores ficarem menos de dois anos no cargo.
- A estabilidade do diretor é apontada como o segundo maior fator de impacto no aprendizado dos alunos.
- A alta rotatividade pode comprometer atividades pedagógicas e a gestão de recursos do Fundeb.
Uma pesquisa realizada pela USP revelou que a alternância política nas prefeituras brasileiras impacta diretamente a permanência de diretores em escolas municipais. O estudo, que analisou dados de 138 mil instituições entre 2007 e 2019, indica que mudanças de gestão aumentam em até 30 pontos percentuais a probabilidade de diretores ocuparem o cargo por menos de dois anos. Esse fenômeno não foi registrado nas escolas estaduais situadas nos mesmos municípios, sugerindo uma influência política específica na esfera local.
Segundo o autor da tese, Bruno Sendra de Assis, a estabilidade na direção escolar é o segundo maior fator determinante para o sucesso do aprendizado dos estudantes. A alta rotatividade prejudica a continuidade de projetos pedagógicos, a organização de materiais didáticos e a gestão eficiente de verbas do Fundeb. A falta de continuidade na liderança escolar é apontada como um obstáculo significativo para a melhoria da qualidade do ensino público municipal no país.
