Daily Journal
Daily Journal

Maduro e Cilia Flores declaram-se inocentes de tortura em NY

O ex-presidente da Venezuela e sua esposa negaram em tribunal federal acusações de conspiração para torturar opositores políticos e cidadãos americanos.

Daily Journal
Foto: SCMP - World
||
15/10 às 13:02, atualizado 15:03

Pontos principais

  • Nicolás Maduro e Cilia Flores compareceram a um tribunal em Manhattan nesta quinta-feira (15).
  • O casal declarou-se inocente da nova acusação de conspiração para cometer tortura.
  • A denúncia formal aponta que os réus lideraram um sistema de repressão entre 1999 e 2025.
  • O sistema teria incluído métodos como choque elétrico, asfixia, estupro e isolamento prolongado.
  • A acusação cita a tortura de diversas vítimas, incluindo três cidadãos dos Estados Unidos.
  • Maduro e Flores foram capturados em Caracas por militares americanos em 3 de janeiro de 2026.
  • O julgamento foi agendado pelo juiz Alvin K. Hellerstein para o dia 14 de junho de 2027.

O ex-presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e sua esposa, Cilia Flores, declararam-se inocentes das novas acusações de conspiração para cometer tortura durante audiência realizada nesta quinta-feira em um tribunal federal de Manhattan, em Nova York. A denúncia, apresentada pelo grande júri, detalha um suposto sistema de repressão estatal que teria operado entre 1999 e 2025, visando silenciar a dissidência política e manter o poder através de violência severa contra opositores.

Segundo a procuradoria do Distrito Sul de Nova York, o esquema incluía práticas como choque elétrico, asfixia, estupro e privação de alimentos, atingindo inclusive três cidadãos norte-americanos. O casal, que já respondia a acusações anteriores de narcoterrorismo e abuso de poder, foi capturado pelas Forças Armadas dos Estados Unidos em Caracas em janeiro de 2026 e permanece detido no Centro de Detenção Metropolitano, no Brooklyn. Após a captura de Maduro, Delcy Rodríguez assumiu a liderança do governo venezuelano, enquanto o juiz Alvin K. Hellerstein marcou o início do julgamento para 14 de junho de 2027.

Fontes primárias

U.S. District Court for the Southern District of New York (grand jury)

Superseding Indictment S5 11 Cr. 205 (AKH) — United States v. Nicolás Maduro Moros e Cilia Adela Flores de Maduro

Acusação formal (superseding indictment, 30 páginas) do grande júri contra Nicolás Maduro Moros e Cilia Adela Flores de Maduro. Count Two, 'Conspiracy to Commit Torture' (18 U.S.C. §§ 2340(1), (2) e 2340A(a), (b)): entre 'pelo menos 1999' e 2025, os réus teriam se conspirado para infligir dor e sofrimento físico e mental severos a pessoas sob custódia deles e de coconspiradores, para reprimir oposição política, silenciar dissidência e preservar o poder. A introdução acusa os réus de 'presidir um sistema de repressão que dependia de violência contra a oposição política, detenção arbitrária e tortura de detidos, incluindo cidadãos norte-americanos'. Os demais counts: narcoterrorismo (1), importação de cocaína (3) e posse de metralhadoras e dispositivos destrutivos (4 e 5). São acusações, não provas; os réus têm presunção de inocência.

U.S. Attorney's Office, Southern District of New York

Nicolás Maduro Moros And Cilia Adela Flores De Maduro Charged With Torture

Comunicado de 8/10/2026 anunciando que Maduro e Flores foram acusados, no Superseding Indictment divulgado naquele dia, de conspirar para cometer tortura, além de narcoterrorismo, conspiração para importar cocaína e crimes com armas. A procuradora Jamie McDonald afirma que os réus 'se engajaram em uma conspiração para cometer tortura, incluindo a tortura de cidadãos norte-americanos'. Segundo a nota, o sistema de repressão incluiu choque elétrico, asfixia, estupro, nudez forçada, isolamento prolongado, privação de comida, celas de punição e tortura psicológica, com ameaças de morte a familiares das vítimas. O comunicado indica pena máxima de 20 anos para a conspiração de tortura e reitera que todas as acusações são alegações, com presunção de inocência.

Comentários

Carregando comentários...