Fiocruz alerta para riscos à saúde indígena por queimadas no Amazonas
A Fiocruz alerta que a fumaça das queimadas levou o PM2.5 em Manaus a níveis muito acima do recomendado pela OMS e que aldeias indígenas próximas aos focos de incêndio podem estar expostas.
Pontos principais
- Na estação FioAres Manaus, do ILMD/Fiocruz, o PM2.5 chegou perto de 200 µg/m³ em 8 e 9 de outubro e perto de 100 µg/m³ em 10 de outubro; a referência da OMS é de 25 µg/m³.
- Um informe do ILMD registra pico de 235 µg/m³ às 23h de 8 de outubro.
- Centenas de focos de incêndio foram observados em Manacapuru, Manaus, Parintins e Santarém, com aldeias indígenas próximas.
- Onze polos-base do DSEI Manaus aparecem como os mais afetados, entre eles Berurí, Igapó-Açu, Manacapuru e Abacaxis.
- A Fiocruz cita estudos que associam a exposição ao PM2.5 a mais doenças respiratórias e cardiovasculares, incluindo infarto e AVC.
- O El Niño 2026–2027, que a NOAA apontou como em fortalecimento em 8 de outubro, pode favorecer estiagem e propagação de incêndios em algumas áreas, a depender também de outros fatores.
- O AlertAr Saúde Sesai, em desenvolvimento, deve integrar previsões de PM2.5 e focos de calor para apoiar a vigilância nos DSEI.
A Fiocruz alerta, em nota técnica de 10 de outubro feita com a Secretaria de Saúde Indígena (Sesai) do Ministério da Saúde, que a fumaça das queimadas agrava os riscos à saúde de populações indígenas no Amazonas. Segundo a instituição, a exposição se soma às dificuldades de acesso das aldeias à atenção especializada, sobretudo nos casos de maior complexidade.
Crianças, idosos, gestantes, pessoas com doenças respiratórias ou cardiovasculares e trabalhadores ao ar livre são os grupos de atenção especial, segundo a Fiocruz. O Observatório de Clima e Saúde aponta a possibilidade de as concentrações elevadas de PM2.5 se manterem nos próximos dias em diferentes localidades do Amazonas.
O AlertAr Saúde Sesai busca antecipar situações de maior exposição nos territórios indígenas e subsidiar o planejamento de prevenção, vigilância e resposta dos Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI) e de suas equipes de saúde.
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