FGC trava empréstimo de R$ 6,6 bi ao BRB por falta de balanços
O Fundo Garantidor de Crédito informou ao STF que a análise do socorro financeiro ao BRB está suspensa devido à ausência de demonstrações financeiras auditadas.
Pontos principais
- O FGC exige os balanços de 2025 e do primeiro semestre de 2026 para avaliar o risco da operação.
- O empréstimo de R$ 6,6 bilhões visa cobrir prejuízos de ativos herdados de operações com o Banco Master.
- O BRB estima que R$ 8,8 bilhões em créditos adquiridos do Banco Master sejam ativos de difícil recuperação.
- O FGC declarou ao STF que não é parte do acordo judicial e que a documentação é um requisito estatutário.
- O ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, foi preso em abril de 2026 na Operação Compliance Zero.
- O ministro Luiz Fux agendou uma audiência de conciliação para o dia 13 de agosto para tratar do impasse.
- Não há, até o momento, instituições financeiras formalizadas como garantidoras da operação de crédito.
O Fundo Garantidor de Crédito (FGC) comunicou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que a análise do pedido de empréstimo de R$ 6,6 bilhões para o Banco de Brasília (BRB) permanece travada. Segundo o Fundo, a instituição financeira não entregou os balanços auditados referentes ao ano de 2025 e ao primeiro semestre de 2026, documentos considerados indispensáveis para a avaliação de risco e viabilidade do aporte. O FGC reforçou que não integra o acordo judicial firmado entre o Distrito Federal e a União, reiterando que a transparência contábil é um requisito estatutário inegociável para a liberação de recursos.
A crise financeira do BRB está diretamente ligada a operações realizadas com o Banco Master entre 2024 e 2025, que somaram cerca de R$ 30 bilhões. O banco estima que aproximadamente R$ 8,8 bilhões desses ativos sejam inexistentes ou de difícil recuperação, o que motivou a investigação da Polícia Federal na Operação Compliance Zero. O desdobramento das investigações levou, inclusive, à prisão do ex-presidente da instituição, Paulo Henrique Costa, em abril de 2026.
O impasse documental gera incertezas sobre o socorro financeiro, uma vez que bancos privados, que seriam potenciais avalistas da operação, exigem garantias mais robustas para participar do sindicato de crédito. Diante da inércia e das divergências sobre as contragarantias oferecidas pelo governo local, o ministro Luiz Fux marcou uma audiência de conciliação para o dia 13 de agosto. O objetivo é destravar o processo e evitar uma possível intervenção do Banco Central na instituição, que enfrenta dificuldades para manter a conformidade regulatória.
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