O superávit ou déficit do governo geral chinês em cada ano, depois dos juros da dívida, na medida "aumentada" que o FMI usa para comparar a China com outros países.
O dado mais recente é preliminar e ainda será revisado pela fonte.
Barras mais claras: dado preliminar, ainda sujeito a revisão da fonte.
Quanto o governo geral chinês — central, local e os dois orçamentos que os cobrem — arrecadou a menos do que gastou em cada ano, incluindo os juros da dívida, em proporção ao PIB. É o "net lending/borrowing" do FMI (GGXCNL_NGDP), a medida que a consulta do Artigo IV usa para acompanhar a China.
Déficit alto e crescente desde 2015. A série do FMI mostra um déficit perto de 1% do PIB até meados dos anos 2010, saltando para mais de 6% em 2020, na pandemia, e sem voltar perto disso desde então: 6,7% em 2023, 7,1% em 2024 e 7,9% em 2025 (preliminar). A queda na receita de venda de terra, que financiava boa parte do gasto dos governos locais, é uma das razões que os economistas do FMI apontam para o déficit não recuar quando a pandemia passou.
Por que o déficit aqui é quase o dobro do que Pequim anuncia. O orçamento chinês tem duas contas paralelas: o "orçamento público geral" (一般公共预算), a que o governo central e os governos locais submetem à Assembleia Popular Nacional com uma meta de déficit definida — cerca de 3% do PIB em 2024, elevada a cerca de 4% em 2025 —, e o "orçamento de fundos governamentais" (政府性基金预算), que cobre sobretudo a venda de direitos de uso da terra e o produto de títulos especiais (专项债券) emitidos por governos locais para financiar infraestrutura. O FMI soma as duas contas — é o "governo geral aumentado" (augmented general government) — porque separadamente nenhuma das duas mede o esforço fiscal inteiro: a primeira deixa de fora bilhões em gasto de capital financiado por títulos especiais; a segunda inclui receita de venda de terra, que caiu junto com o mercado imobiliário e forçou mais emissão de dívida para manter o gasto. Esta série é essa soma; por isso o número aqui (perto de 7% a 8% do PIB) é quase o dobro da meta que o governo chinês anuncia. Não inclui, ainda assim, o gasto das plataformas de financiamento dos governos locais (LGFV) fora do orçamento — ver dívida bruta, onde essa dívida pesa mais.
O que entra na conta. O governo geral aumentado, como o FMI o define para a China: governo central, governos locais (províncias, cidades, distritos) e os dois orçamentos — o público geral e o de fundos governamentais —, mais a previdência e os fundos de garantia do Estado. Não inclui as plataformas de financiamento dos governos locais (LGFV), empresas estatais que tomam dívida fora do orçamento para financiar obra pública em nome dos governos locais; o FMI trata parte delas como quase-fiscais só na dívida, não no resultado do ano.
Como é calculado. O FMI monta esta série a partir dos dados oficiais chineses (Ministério das Finanças, NBS) somando as duas contas do orçamento; não é um número que a China publique diretamente com este recorte. A ingestão confere que a diferença para o resultado primário — os juros líquidos — fica entre 0 e 3 pontos do PIB em todo ano da série, e que 2025, o mais recente, bate com uma segunda leitura independente do FMI.
2025 é preliminar. A prestação de contas final do orçamento chinês de um ano só é aprovada pela Assembleia Popular Nacional por volta de junho do ano seguinte; em abril de 2026, quando o FMI publicou esta edição, a de 2025 ainda não tinha saído. O número pode mudar quando ela sair.
Compare com o resultado primário do Brasil, que soma um perímetro de setor público diferente (inclui estatais, não inclui fundos de terra) e não tem hoje um déficit deste tamanho.
| Período | Déficit do governo geral | vs. período anterior |
|---|---|---|
| 2025preliminar | −7,9% | −0,8 p.p. |
| 2024 | −7,1% | −0,4 p.p. |
| 2023 | −6,7% | +0,6 p.p. |
| 2022 | −7,3% | −1,4 p.p. |
| 2021 | −5,9% | +3,7 p.p. |
| 2020 | −9,6% | −3,6 p.p. |
| 2019 | −6,0% | −1,8 p.p. |
| 2018 | −4,2% | −0,9 p.p. |
| 2017 | −3,3% | −0,0 p.p. |
| 2016 | −3,3% | −0,8 p.p. |
| 2015 | −2,5% | −1,8 p.p. |
| 2014 | −0,7% | +0,2 p.p. |
| 2013 | −0,8% | −0,5 p.p. |
| 2012 | −0,3% | −0,2 p.p. |
| 2011 | −0,1% | +0,3 p.p. |
| 2010 | −0,4% | +1,4 p.p. |
| 2009 | −1,7% | −1,7 p.p. |
| 2008 | 0,0% | −0,1 p.p. |
| 2007 | 0,1% | +1,2 p.p. |
| 2006 | −1,1% | +0,3 p.p. |
| 2005 | −1,4% | +0,1 p.p. |
| 2004 | −1,5% | +0,9 p.p. |
| 2003 | −2,4% | +0,5 p.p. |
| 2002 | −2,8% | −0,3 p.p. |
| 2001 | −2,6% | +0,2 p.p. |
| 2000 | −2,8% | −0,5 p.p. |
| 1999 | −2,3% | −1,2 p.p. |
| 1998 | −1,1% | −0,3 p.p. |
| 1997 | −0,7% | +0,0 p.p. |
| 1996 | −0,7% | +0,2 p.p. |
| 1995 | −0,9% | +0,7 p.p. |
| 1994 | −1,7% | −0,8 p.p. |
| 1993 | −0,9% | +0,3 p.p. |
| 1992 | −1,2% | −0,2 p.p. |
| 1991 | −1,0% | −0,3 p.p. |
| 1990 | −0,7% | +0,2 p.p. |
| 1989 | −0,9% | +0,1 p.p. |
| 1988 | −1,0% | −0,3 p.p. |
| 1987 | −0,7% | −0,4 p.p. |
| 1986 | −0,3% | −1,3 p.p. |
| 1985 | 0,9% | +0,9 p.p. |
| 1984 | 0,1% | +0,1 p.p. |
| 1983 | 0,0% | −0,2 p.p. |
| 1982 | 0,2% | — |