Quanto da dívida do Tesouro argentino está em dólar, euro ou direitos do FMI — a parte que só se paga com divisas que o país precisa ganhar ou comprar.
A parcela da dívida bruta da Administração Central denominada em moeda estrangeira — dólar, euro, iene e direitos especiais de saque do FMI —, no fim de cada ano.
É o número que explica as crises argentinas. Dívida em pesos o Tesouro paga com imposto ou, no limite, com emissão. Dívida em dólar só se paga com dólares, que vêm de exportação líquida, de reservas ou de novo empréstimo. Quando a moeda estrangeira pesa muito, uma desvalorização aumenta a dívida medida contra a economia no mesmo dia em que encarece o pagamento — é o mecanismo que levou a dívida sobre o PIB de 53,7% para 166,7% entre 2001 e 2002.
De 97% a pouco mais da metade. Em 2001, com a conversibilidade, 96,9% da dívida era em moeda estrangeira. A pesificação de 2002 e a troca de 2005, que emitiu títulos em pesos corrigidos pela inflação, derrubaram a parcela para perto de 52%. Ela voltou a subir até 77,7% em 2019, com a emissão em dólar do governo Macri e o empréstimo do FMI, e caiu para 55,0% em 2024 e 57,8% em 2025, com o Tesouro se financiando em pesos — boa parte em títulos corrigidos pela inflação (CER) ou que capitalizam juros.
O FMI conta aqui. Os empréstimos do Fundo são em direitos especiais de saque, uma cesta de moedas, e desde 2018 são a maior dívida individual do Tesouro.
O denominador exclui a dívida ainda em calote (os títulos de 2001 fora das trocas), como faz a Finanzas neste indicador.
O que entra na conta. A dívida da Administração Central — o Tesouro nacional —, em títulos, letras, empréstimos de organismos internacionais (o FMI é o maior credor individual) e adiantamentos do Banco Central. Províncias, municípios e o próprio BCRA ficam de fora, e não existe série oficial que os some. É um perímetro menor que o do Brasil, que conta estados e municípios.
| Período | Em moeda estrangeira | vs. período anterior |
|---|---|---|
| 2025 | 57,8% | +2,9 p.p. |
| 2024 | 55,0% | −16,9 p.p. |
| 2023 | 71,8% | +5,1 p.p. |
| 2022 | 66,7% | −3,4 p.p. |
| 2021 | 70,1% | −6,2 p.p. |
| 2020 | 76,3% | −1,4 p.p. |
| 2019 | 77,7% | +1,5 p.p. |
| 2018 | 76,2% | +7,7 p.p. |
| 2017 | 68,5% | +1,1 p.p. |
| 2016 | 67,4% | +0,5 p.p. |
| 2015 | 66,9% | +2,0 p.p. |
| 2014 | 64,9% | +3,0 p.p. |
| 2013 | 61,9% | +3,0 p.p. |
| 2012 | 59,0% | −1,1 p.p. |
| 2011 | 60,1% | +1,3 p.p. |
| 2010 | 58,8% | +4,7 p.p. |
| 2009 | 54,1% | +1,5 p.p. |
| 2008 | 52,5% | −0,2 p.p. |
| 2007 | 52,8% | +0,7 p.p. |
| 2006 | 52,1% | +0,6 p.p. |
| 2005 | 51,4% | −24,2 p.p. |
| 2004 | 75,6% | −0,2 p.p. |
| 2003 | 75,8% | −3,3 p.p. |
| 2002 | 79,1% | −17,8 p.p. |
| 2001 | 96,9% | +2,6 p.p. |
| 2000 | 94,3% | — |