Quanto o Tesouro argentino deve em proporção ao tamanho da economia, no fim de cada ano — o número das metas com o FMI e dos relatórios de risco.
Tudo o que a Administração Central argentina deve no último dia do ano, medido contra o PIB daquele ano. É a razão que aparece nas revisões do acordo com o FMI e nos relatórios das agências de risco.
O câmbio mexe na razão mais que o déficit. A Finanzas calcula o % do PIB convertendo o estoque de 31 de dezembro em pesos pelo dólar daquele dia e dividindo pelo PIB nominal do ano inteiro. Numa desvalorização, o numerador salta no dia e o denominador não acompanha, porque carrega os preços dos onze meses anteriores. Foi o que aconteceu em dezembro de 2023: o dólar oficial foi de 366,5 para 800 pesos no dia 13, e a razão saiu de 84,8% do PIB em 2022 para 154,5% em 2023 — para voltar a 82,5% em 2024, quando a inflação alcançou o câmbio no denominador. No mesmo dezembro, a dívida em dólares caiu US$ 55 bilhões: a parte em pesos encolheu medida em moeda forte. O pico de 166,7% em 2002, na saída da conversibilidade, é o mesmo mecanismo.
Três ciclos em 25 anos. Em 2000, com o peso atado ao dólar, a dívida era 45,7% do PIB; a desvalorização e o calote de 2001–2002 a levaram a 166,7%. As reestruturações de 2005 e 2010 e o crescimento puxado pelas commodities a trouxeram ao piso de 38,9% em 2011. Daí em diante ela voltou a subir: devagar até 2017, rápido com a crise cambial de 2018 e o acordo de US$ 57 bilhões com o FMI (85,2%), até passar de 100% em 2020, na pandemia, ano da reestruturação com os credores privados. Em 2025 fechou em 78,1%.
O que entra na conta. A dívida da Administração Central — o Tesouro nacional —, em títulos, letras, empréstimos de organismos internacionais (o FMI é o maior credor individual) e adiantamentos do Banco Central. Províncias, municípios e o próprio BCRA ficam de fora, e não existe série oficial que os some. É um perímetro menor que o do Brasil, que conta estados e municípios.
Uma parte grande é dívida do Estado com o próprio Estado. Estão nas mãos de outros órgãos públicos — o Banco Central, o fundo da previdência (FGS da ANSES), o Banco Nación — títulos e letras que entram no total. A Finanzas publica também um recorte sem esses credores ("deuda con privados y organismos internacionales"), menor que o total. Esta página traz a dívida bruta inteira, que é a régua das comparações internacionais; quem cita o número menor está usando o outro recorte.
Inclui a dívida que ainda está em calote. A série soma os títulos de 2001 que nunca entraram nas trocas nem foram pagos depois do acordo de 2016 com os fundos que ganharam na Justiça de Nova York — cerca de US$ 2,4 bilhões, menos de meio ponto do PIB.
Anual, e só. A Finanzas publica a razão do ano fechado e a do último trimestre; esta página traz os anos. O estoque em dólares, mês a mês, está em dívida bruta em US$.
| Período | Dívida bruta | vs. período anterior |
|---|---|---|
| 2025 | 78,11% | −4,38 p.p. |
| 2024 | 82,50% | −72,02 p.p. |
| 2023 | 154,51% | +69,69 p.p. |
| 2022 | 84,82% | +4,07 p.p. |
| 2021 | 80,75% | −23,03 p.p. |
| 2020 | 103,78% | +14,02 p.p. |
| 2019 | 89,76% | +4,58 p.p. |
| 2018 | 85,18% | +28,66 p.p. |
| 2017 | 56,52% | +3,46 p.p. |
| 2016 | 53,06% | +0,50 p.p. |
| 2015 | 52,56% | +7,87 p.p. |
| 2014 | 44,70% | +1,18 p.p. |
| 2013 | 43,52% | +3,07 p.p. |
| 2012 | 40,44% | +1,50 p.p. |
| 2011 | 38,94% | −4,51 p.p. |
| 2010 | 43,46% | −11,99 p.p. |
| 2009 | 55,45% | +1,66 p.p. |
| 2008 | 53,79% | −8,31 p.p. |
| 2007 | 62,09% | −8,53 p.p. |
| 2006 | 70,62% | −9,89 p.p. |
| 2005 | 80,51% | −37,58 p.p. |
| 2004 | 118,08% | −21,12 p.p. |
| 2003 | 139,20% | −27,46 p.p. |
| 2002 | 166,66% | +112,98 p.p. |
| 2001 | 53,67% | +8,02 p.p. |
| 2000 | 45,65% | — |