O resultado do Estado alemão antes dos juros da dívida, em cada ano, em proporção ao PIB — a medida que se compara com o primário brasileiro.
O dado mais recente é preliminar e ainda será revisado pela fonte.
Barras mais claras: dado preliminar, ainda sujeito a revisão da fonte.
O resultado do governo geral sem a conta de juros: quanto a arrecadação cobre das despesas que o governo decide hoje. É o conceito do resultado primário do Brasil e do primário dos Estados Unidos.
A Alemanha voltou a ter déficit primário. De 2011 a 2019 o Estado alemão gerou superávit primário todo ano, acima de 2% do PIB em sete deles. Desde 2020, gasta mais do que arrecada mesmo antes dos juros: −3,70% do PIB em 2020, −1,15% em 2022 e −1,93% em 2025.
Os juros pesam pouco, e voltaram a subir. A conta de juros do Estado era de 3,5% do PIB em 1995, depois da reunificação; caiu para 0,59% em 2021, com os juros negativos dos títulos alemães no fim da década de 2010, e voltou a 1,08% em 2025. Por isso o déficit total e o primário ficam perto um do outro, ao contrário do Brasil, onde a conta de juros separa os dois.
Como é calculado. Resultado de Maastricht mais os juros pagos pelo governo geral (a rubrica D.41 das contas nacionais, consolidada: os juros que um nível de governo paga a outro se cancelam), dividido pelo PIB nominal do ano. Os juros são os das contas nacionais, na mesma safra do resultado.
O que entra na conta. O governo geral inteiro ("Staat", na estatística alemã): a União (Bund) com seus fundos especiais, os 16 estados (Länder), os municípios e a seguridade social (previdência, saúde, desemprego). É o recorte que o Tratado de Maastricht usa para o limite de 3% do PIB e o que a Alemanha notifica à Comissão Europeia em março e setembro. A União sozinha respondeu por € 85,3 bilhões dos € 136,5 bilhões de déficit de 2025; os municípios, por € 35,3 bilhões. No Brasil, o número de referência do Banco Central também soma estados e municípios (e as estatais); nos Estados Unidos, só o governo federal.
Os últimos anos ainda mudam. Todo agosto o Destatis (o instituto de estatística alemão) revisa os quatro anos anteriores com as estatísticas estruturais das empresas. Em 2026 a revisão pesou: o déficit de 2025, notificado em abril como 2,7% do PIB, passou a 3,0%, com investimento público maior (pesquisa e software, sobretudo) e uma correção nas contas dos estados; o de 2023 caiu de 2,5% para 2,2%. Os anos que a fonte ainda vai revisar aparecem como preliminares.
| Período | Resultado primário | vs. período anterior |
|---|---|---|
| 2025preliminar | −1,93% | −0,22 p.p. |
| 2024preliminar | −1,71% | −0,35 p.p. |
| 2023preliminar | −1,36% | −0,21 p.p. |
| 2022 | −1,15% | +1,43 p.p. |
| 2021 | −2,58% | +1,12 p.p. |
| 2020 | −3,70% | −5,81 p.p. |
| 2019 | 2,11% | −0,69 p.p. |
| 2018 | 2,80% | +0,43 p.p. |
| 2017 | 2,36% | +0,05 p.p. |
| 2016 | 2,31% | +0,01 p.p. |
| 2015 | 2,30% | −0,02 p.p. |
| 2014 | 2,32% | +0,39 p.p. |
| 2013 | 1,93% | −0,31 p.p. |
| 2012 | 2,24% | +0,60 p.p. |
| 2011 | 1,63% | +3,61 p.p. |
| 2010 | −1,98% | −1,42 p.p. |
| 2009 | −0,56% | −2,97 p.p. |
| 2008 | 2,41% | −0,41 p.p. |
| 2007 | 2,82% | +1,88 p.p. |
| 2006 | 0,93% | +1,57 p.p. |
| 2005 | −0,64% | −0,00 p.p. |
| 2004 | −0,64% | +0,29 p.p. |
| 2003 | −0,93% | +0,19 p.p. |
| 2002 | −1,11% | −1,00 p.p. |
| 2001 | −0,11% | −1,57 p.p. |
| 2000 | 1,46% | +0,23 p.p. |
| 1999 | 1,23% | +0,53 p.p. |
| 1998 | 0,70% | +0,33 p.p. |
| 1997 | 0,37% | +0,54 p.p. |
| 1996 | −0,18% | +5,76 p.p. |
| 1995 | −5,93% | −6,70 p.p. |
| 1994 | 0,77% | +0,70 p.p. |
| 1993 | 0,06% | −0,39 p.p. |
| 1992 | 0,45% | +0,98 p.p. |
| 1991 | −0,53% | — |