Quando serão as eleições na Espanha
As eleições gerais na Espanha escolhem os 350 deputados do Congresso dos Deputados e a maior parte do Senado, as duas câmaras das Cortes Generales. O primeiro-ministro não é eleito diretamente: sai de uma votação de investidura no Congresso depois do pleito. Em 5 de outubro de 2026, o primeiro-ministro Pedro Sánchez, do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), convocou eleições gerais antecipadas para 29 de novembro de 2026.
As próximas eleições gerais estão marcadas para domingo, 29 de novembro de 2026. Sánchez anunciou a data num pronunciamento televisionado na manhã de 5 de outubro de 2026 e convocou para o mesmo dia um Conselho de Ministros extraordinário, que precisa aprovar a dissolução formal do Parlamento.
Sem a antecipação, a votação ficaria para 2027. O mandato das câmaras eleitas em 23 de julho de 2023 expiraria em 23 de julho de 2027, e a data-limite para o pleito seria 22 de agosto de 2027.
Por que Sánchez antecipou as eleições
A convocação veio três dias depois de o Congresso derrubar, em 2 de outubro de 2026, dois decretos de emergência do governo sobre moradia. Os textos previam a renovação automática de contratos de aluguel e restrições ao despejo de inquilinos vulneráveis, além de medidas contra a especulação imobiliária. Os partidos de direita votaram contra, e o partido separatista catalão Junts, de cujo apoio o governo minoritário depende, também rejeitou os decretos, alegando que foram redigidos às pressas e agravariam a crise.
Os decretos eram a resposta do governo a uma onda de protestos desencadeada em setembro de 2026 pelo despejo, transmitido pela televisão, de Maricarmen Abascal, de 87 anos, do apartamento em Madri onde vivia havia mais de sete décadas. O imóvel tinha sido comprado por uma empresa de investimento que, segundo ativistas de moradia, queria aumentar o aluguel em 275%. Após a repercussão, os novos donos fecharam um acordo para que ela voltasse ao apartamento com aluguel baixo.
Em 3 de outubro de 2026, um dia depois da derrota no Congresso, dezenas de milhares de pessoas protestaram em Madri e em outras cidades. Segundo o governo espanhol, cerca de 70 mil pessoas participaram do ato na capital. Em Valência, a polícia usou balas de borracha e gás lacrimogêneo contra manifestantes, e as marchas em outras 50 cidades foram pacíficas. A União dos Inquilinos anunciou que convocará uma greve geral depois de negociar com os sindicatos.
No pronunciamento, Sánchez disse que, "para fazer mais, precisamos renovar e ampliar o apoio do povo" e que seu objetivo é obter "uma maioria progressista muito mais ampla" no Parlamento.
A crise de moradia
A moradia é há anos uma das principais preocupações dos espanhóis, com a oferta abaixo da demanda. Segundo o portal imobiliário Idealista, o aluguel médio no país quase dobrou na última década, e o preço pedido pelos imóveis à venda subiu cerca de 90%.
Quem são os candidatos
A disputa principal opõe Pedro Sánchez, primeiro-ministro desde 2018 e líder do PSOE desde 2017, a Alberto Núñez Feijóo, líder do Partido Popular (PP) desde abril de 2022. Após o anúncio, Feijóo declarou: "Finalmente, os espanhóis vão decidir. Não são eleições como as anteriores. Trata-se de a Espanha vencer Sánchez."
Também concorrem o Vox, de extrema direita, liderado por Santiago Abascal, e os partidos regionais e nacionalistas, como Junts e a Esquerda Republicana da Catalunha (ERC). À esquerda do PSOE, o espaço está fragmentado: o Podemos rompeu com a coalizão Sumar em dezembro de 2023, e a vice-primeira-ministra Yolanda Díaz anunciou em fevereiro de 2026 que não disputará a reeleição.
O que dizem as pesquisas
As pesquisas de opinião recentes colocam o PP à frente do PSOE, mas indicam que o partido de Feijóo ficaria abaixo da maioria absoluta e precisaria do apoio do Vox para governar. Para o cientista político Oriol Bartomeus, da Universidade Autônoma de Barcelona, Sánchez escolheu um momento em que a moradia enquadra a eleição em termos favoráveis ao PSOE, numa disputa clássica entre esquerda e direita, enquanto o PP tende a centrar a campanha na corrupção.
O contexto do governo Sánchez
Sánchez governa desde 2018. Após as eleições de 2023, formou uma coalizão minoritária do PSOE com o Sumar, reeleita em 16 de novembro de 2023 com o apoio do Junts em troca de uma lei de anistia para envolvidos na crise separatista catalã. O Junts retirou o apoio ao governo em outubro de 2025, e a dependência de partidos menores travou a agenda legislativa. A Espanha ainda opera com o orçamento de 2023, o último aprovado pelo governo.
O governo também enfrenta investigações judiciais que envolvem a esposa de Sánchez, Begoña Gómez, o irmão dele e dirigentes do PSOE, como no caso Koldo, que atinge o ex-ministro dos Transportes José Luis Ábalos e o ex-secretário de organização do partido Santos Cerdán. Os familiares negam irregularidades. Sánchez é criticado ainda pela gestão da crise migratória em Ceuta, onde milhares de migrantes vindos do Marrocos entraram no fim de julho de 2026. Por outro lado, a economia espanhola cresceu nos últimos anos mais do que a de seus principais pares europeus.
Como funcionam as eleições na Espanha
O Congresso dos Deputados tem 350 cadeiras, eleitas para mandatos de até quatro anos. Cada uma das 50 províncias é um distrito eleitoral com no mínimo duas cadeiras, e as cidades autônomas de Ceuta e Melilla elegem um deputado cada; as demais cadeiras são distribuídas conforme a população. O eleitor vota numa lista fechada de partido, sem escolher candidatos, e as cadeiras são repartidas pelo método D'Hondt entre as listas que obtêm pelo menos 3% dos votos válidos na província. A maioria absoluta exige 176 deputados.
No Senado, a maior parte dos membros é eleita diretamente nas províncias: cada província peninsular elege quatro senadores, e o eleitor vota em candidatos pelo nome, o único voto personalizado das eleições nacionais espanholas. Os demais senadores são indicados pelos parlamentos das comunidades autônomas.
O primeiro-ministro pode propor ao rei a dissolução das câmaras e a convocação de eleições antecipadas a qualquer momento, desde que não haja moção de censura em tramitação nem estado de emergência em vigor, e que tenha passado ao menos um ano desde a dissolução anterior.
Quem ganhou as últimas eleições na Espanha
As últimas eleições gerais foram em 23 de julho de 2023, também antecipadas por Sánchez após o mau resultado da esquerda nas eleições regionais e municipais daquele ano. O PP ficou em primeiro lugar, com 33,1% dos votos e 137 cadeiras, seguido pelo PSOE (31,7%, 121 cadeiras), Vox (12,4%, 33 cadeiras) e Sumar (12,3%, 31 cadeiras). ERC e Junts conquistaram sete cadeiras cada. O comparecimento foi de 66,6%.
Nenhum bloco obteve maioria. Feijóo fracassou na tentativa de investidura, e Sánchez foi reeleito primeiro-ministro em 16 de novembro de 2023 com apoio do Junts e de outros partidos regionais e nacionalistas.
