Queda do desmatamento evitou R$ 1,16 trilhão em danos climáticos, estima FGV
No Brasil, a queda do desmatamento em 2023-26 evitou 1,49 bilhão de toneladas de CO₂e, que Bráulio Borges (Ibre/FGV) converte em danos climáticos globais evitados.
Pontos principais
- No cenário central de Borges, com CSC de US$ 145 por tonelada de CO₂, o ganho global é de US$ 216 bilhões (R$ 1,16 trilhão).
- Com outras premissas de CSC, o ganho global vai de US$ 115 bilhões, na mediana de estudos recentes, a quase US$ 2 trilhões, no valor de Bilal e Känzig (2026).
- Para a economia brasileira, o ganho fica entre R$ 67 bilhões e R$ 192 bilhões, conforme o CSC local adotado.
- No ciclo PRODES de agosto de 2025 a julho de 2026, o desmatamento na Amazônia caiu 41,8%, para 3.335 km², o menor da série iniciada em 1988; no Cerrado, a queda foi de 23,8%.
- Em relação à média de 2019-22, o desmatamento evitado em 2023-26 chega a 22,3 mil km².
- Os cálculos de CSC não incluem os rios voadores: o fluxo de chuva que a floresta preservada gera para a agricultura, em valor presente, vale ao menos US$ 4,2 bilhões (R$ 22 bilhões).
A redução do desmatamento na Amazônia e no Cerrado entre 2023 e 2026 evitou danos climáticos globais, segundo estimativa de Bráulio Borges, economista do Ibre/FGV. A conta compara o desmatamento brasileiro com a média de 2019-22, que Borges adota como cenário sem a guinada de política a partir de 2023, e valora as emissões evitadas pelo Custo Social do Carbono (CSC). Borges reconhece que é estimativa dele, não contagem oficial, e que o resultado é muito sensível às premissas do CSC, como a taxa de desconto e a função de dano.
Os dados do SEEG vão só até 2024, então Borges estima as emissões de 2025 e 2026 por uma regressão entre emissões líquidas de uso da terra e desmatamento medido pelo PRODES. O Ministério do Meio Ambiente calcula 1,1 bilhão de toneladas de CO₂ evitadas no período, número que Borges usa como piso.
Borges considera que mesmo o CSC local subestima o valor da floresta em pé. A literatura climatológica situa um ponto de inflexão entre 20% e 25% de desmatamento acumulado, patamar próximo ao da Amazônia brasileira, e o autor sugere que o principal ganho da queda talvez seja ter afastado o país desse limiar, algo que nenhuma estimativa capta.
