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Ruiz Coffees entra em recuperação judicial com dívida de R$ 1,6 bilhão

Segunda maior produtora de café do Brasil busca reestruturar R$ 775 milhões em dívidas após enfrentar três safras prejudicadas por eventos climáticos.

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Foto: Globo Rural
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20/10 às 05:45, atualizado 15:32

Pontos principais

  • O passivo total do grupo Ruiz Coffees alcança R$ 1,6 bilhão, com R$ 775 milhões incluídos no processo de recuperação judicial.
  • A Justiça de São José do Rio Preto suspendeu execuções de dívidas contra a empresa por 30 dias.
  • Fiagros como SNAG11, VCRA11 e GCRA11 assumirão 2,6 mil hectares de terras para garantir R$ 193 milhões em CRAs.
  • A empresa atribui a crise de liquidez a custos financeiros elevados e a três anos de condições climáticas adversas.

O grupo Ruiz Coffees, reconhecido como a segunda maior produtora de café do Brasil, protocolou um pedido de recuperação judicial na Vara Regional Empresarial de São José do Rio Preto, em São Paulo. A medida visa reestruturar um passivo de R$ 775 milhões, parte de uma dívida total que atinge R$ 1,6 bilhão. O juiz Paulo Roberto Zaidan Maluf concedeu uma liminar suspendendo por 30 dias as execuções de dívidas e proibindo o vencimento antecipado de contratos, enquanto a empresa passa por uma constatação prévia de suas condições financeiras.

A companhia justifica o cenário de crise pela combinação de altas taxas de juros e custos financeiros elevados com os impactos de geadas, calor extremo e estiagem registrados entre 2021 e 2024. Apesar da reestruturação, a empresa afirma manter a viabilidade operacional de suas atividades. Entre os principais credores estão a Caixa Econômica Federal, a Vert Companhia Securitizadora e a Cooperativa de Crédito Sicoob Unicentro.

Como desdobramento imediato, fundos de investimento do agronegócio (Fiagros) que possuem exposição a Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) da produtora assumirão a propriedade de 2,6 mil hectares de terras. A estrutura acordada prevê que o Grupo Ruiz continue operando as fazendas por meio de um contrato de aluguel, permitindo a continuidade da produção enquanto os fundos mitigam os riscos de inadimplência sobre os R$ 193 milhões em títulos afetados.

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