Crise política e social na França derruba bolsas europeias
Distúrbios na França e o projeto de orçamento de 2027 pressionam as bolsas europeias, com o Stoxx 600 em queda de 0,76%.
Pontos principais
- O Stoxx 600 recuou 0,76% nesta segunda-feira, puxado pelo setor bancário, e o CAC 40, em Paris, caiu 1,2%.
- Em pronunciamento de 18 de outubro, Macron classificou como violência desenfreada os ataques de 17 de outubro contra comércios e prédios públicos.
- Macron atribui a violência a grupos de ultraesquerda acompanhados de delinquentes comuns.
- Segundo Macron, as manifestações contra o custo de vida e o preço dos combustíveis reuniram centenas de milhares de pessoas.
- O Élysée fala em centenas de policiais e gendarmes feridos, sem contagem de detidos ou de lojas atingidas.
- O primeiro-ministro deve instalar, a partir de 19 de outubro, uma célula de crise para ajudas a comerciantes e artesãos, sem valores definidos.
- O governo projeta, no projeto de lei de finanças para 2027, déficit de −5,0% do PIB em 2027, ante −5,4% em 2026.
- A dívida pública chegaria a 121,7% do PIB em 2027.
- O governo prevê 43 bilhões de euros em medidas de ajuste (redressement) nos projetos de lei de finanças e de seguridade social, e 54 bilhões somando medidas de 2026 e anteriores.
- Sem novas medidas, o governo estima que o déficit se deterioraria cerca de 1 ponto do PIB em 2027.
- O governo diz que o orçamento deve ser votado até o fim de 2026 e que uma lei especial não é alternativa.
As bolsas europeias operaram em baixa nesta segunda-feira, pressionadas pelos distúrbios sociais na França e pela incerteza fiscal no país. O Stoxx 600 recuou 0,76%, puxado pelo setor bancário, e em Paris o CAC 40 caiu 1,2%.
Em pronunciamento de 18 de outubro, o presidente Emmanuel Macron classificou como violência desenfreada os ataques de 17 de outubro, que atingiram comércios e prédios públicos. Ele atribui a violência a grupos de ultraesquerda acompanhados de delinquentes comuns e fala em centenas de policiais e gendarmes feridos, sem contagem de detidos ou de lojas atingidas. O primeiro-ministro deve instalar, a partir de 19 de outubro, uma célula de crise para ajudas a comerciantes e artesãos, sem valores definidos.
No projeto de lei de finanças para 2027, depositado em 1º de outubro, o governo projeta déficit público de −5,0% do PIB em 2027, ante −5,4% em 2026, e dívida de 121,7% do PIB. Prevê 43 bilhões de euros em medidas de ajuste (redressement) e 54 bilhões somando medidas de 2026 e anteriores. Sem novas medidas, o déficit se deterioraria cerca de 1 ponto do PIB, e o orçamento precisa ser votado até o fim de 2026.
Fontes primárias
Adresse aux Français (allocução do Presidente, 18/10/2026)
Em allocução na noite de 18/10/2026, Macron descreve como “violência débridée” os ataques de 17/10: comércios saqueados, prédios públicos e prefeituras atacados, “plusieurs centaines” de policiais e gendarmes feridos. Atribui a violência a “factieux” de grupúsculos de ultraesquerda, “rejoints par de nombreux délinquants”, e diz que “rien ne le justifie”. Distingue quem depredou dos manifestantes, cujas “revendications et inquiétudes” considera legítimas. Anuncia “réponses concrètes” do governo a prefeitos, eleitos e comerciantes, “suites judiciaires appropriées” para cada infração e reuniões do primeiro-ministro, nos próximos dias, com estudantes, professores, sindicatos, organizações patronais, coletividades e parlamentares.
Projeto de lei de finanças para 2027 (PLF, n° 3210)
Exposição geral de motivos do PLF 2027 (depositado em 1º/10/2026): o déficit público chegaria a −5,0% do PIB em 2027, melhora de 0,4 ponto frente aos 5,4% previstos para 2026, com 43 bilhões de euros em “mesures de redressement” nos PLF e PLFSS. Somando a montagem de medidas tomadas em 2026 e antes, o esforço total chega a 54 bilhões. A dívida pública subiria de 119,3% do PIB em 2026 para 121,7% em 2027. Sem medidas de redressement, o texto estima que o déficit se deterioraria cerca de 1 ponto do PIB em 2027.
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