Governo Trump envia tropas à América Latina para combater cartéis
Segundo autoridades militares americanas, o Pentágono envia centenas de soldados ao Panamá e prepara treinos com forças da Colômbia e de Honduras; a Embaixada dos EUA no Panamá nega que o país receba um contingente desse porte.
Pontos principais
- Segundo autoridades militares americanas, os primeiros integrantes de um batalhão de 600 soldados da 10ª Divisão de Montanha, de Fort Drum (Nova York), começaram a ser enviados ao Panamá.
- A Embaixada dos EUA no Panamá classifica como "categoricamente falsa" a informação sobre 600 soldados e diz que há 120 militares da mesma divisão no país, em um curso de selva de duas semanas que termina em 25 de outubro.
- Depois do Panamá, os militares treinarão forças locais na Colômbia, no exercício Southern Vanguard, e em Honduras; parte poderá apoiar militares das Forças de Operações Especiais que assessoram operações contra suspeitos de tráfico de drogas.
- O Pentágono transferiu vários drones MQ-9 Reaper da África para a Colômbia e o Equador.
- Pete Hegseth criou recentemente um escritório no Pentágono para supervisionar as atividades militares contra cartéis.
- Várias centenas de soldados da mesma divisão seriam preparados para compor um novo comando de operações no Hemisfério Ocidental, em Miami.
- O general Francis L. Donovan, responsável pela maior parte da América Latina, afirmou que os EUA planejam passar de ataques a embarcações para ofensivas terrestres.
- Os 71 ataques a embarcações no Caribe e no Pacífico Oriental mataram ao menos 239 pessoas que, segundo autoridades americanas, traficavam drogas, sem apresentar provas.
- Especialistas afirmam que esses ataques tiveram pouco efeito sobre a disponibilidade de cocaína nos EUA.
Segundo autoridades militares americanas, que falaram sob condição de anonimato, o Pentágono começou a deslocar tropas para uma nova instalação de treinamento na selva do Panamá. Os deslocamentos, embora temporários, podem virar uma presença mais permanente.
A Embaixada dos EUA no Panamá nega que o país receba um contingente desse porte e diz que os militares presentes participam de um curso de treinamento a convite do governo panamenho. Adam Isacson, do Escritório de Washington para a América Latina (Wola), disse não se lembrar de envio de soldados americanos à região de tamanho comparável, exceto em invasões ou desastres naturais. Juristas afirmam que os bombardeios a embarcações são ilegais.
Panamá, Colômbia e Honduras não responderam de imediato aos pedidos de comentário. O Comando Sul encaminhou as perguntas ao Pentágono e, em nota, não quis comentar a movimentação.
Fontes primárias
Estados Unidos enviam centenas de soldados à América Latina para reforçar combate ao narcotráfico (reportagem do New York Times, em tradução)
Segundo autoridades militares americanas que falaram sob condição de anonimato, os primeiros integrantes de um batalhão de cerca de 600 soldados da 10ª Divisão de Montanha (Fort Drum, Nova York) começaram a ser enviados a uma nova instalação de treinamento na selva no Panamá. Depois, treinarão forças locais na Colômbia, onde participarão do exercício Southern Vanguard previsto para outubro, e em Honduras; parte poderá apoiar Forças de Operações Especiais que assessoram militares em ações contra suspeitos de tráfico de drogas. Os deslocamentos são temporários, mas podem tornar-se presença mais permanente. Várias centenas de soldados da mesma divisão seriam preparados para compor um novo comando de operações no Hemisfério Ocidental, em Miami. O Comando Sul encaminhou perguntas ao Pentágono e não detalhou a movimentação; Panamá, Colômbia e Honduras não responderam.
Comunicado da Embaixada dos EUA no Panamá sobre o suposto envio de 600 soldados (texto integral, em espanhol)
A embaixada classifica como "categoricamente falsa" a publicação do New York Times sobre o envio de 600 soldados ao Panamá. Afirma que há 120 militares da 10ª Divisão de Montanha em um curso de treinamento na selva de duas semanas, a convite do governo panamenho, que termina em 25 de outubro, quando retornam a Fort Drum. Diz que o centro de treinamento em operações na selva funciona há mais de um ano como escola reconhecida pelo Exército americano, com instrutores dos dois países, e que outros militares participarão de exercícios regionais, entre eles o Southern Vanguard, no Peru. Lamenta que veículos publiquem afirmações enganosas sem checar os fatos. O comunicado não trata de Colômbia nem de Honduras.
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