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CNA apresenta oito propostas para o setor agropecuário na COP 31

A CNA apresentou oito eixos de posição para a COP31, em Antalya, priorizando financiamento acessível ao produtor, valor econômico para a vegetação nativa conservada e avaliações de emissões baseadas em ciência.

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Foto: Globo Rural
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15/10 às 16:31, atualizado 21:31

Pontos principais

  • A CNA diz que a redução do desmatamento legal depende do financiamento da conservação da vegetação nativa, sem penalizar o potencial produtivo das áreas privadas.
  • A entidade lembra que a meta da COP29 prevê que países desenvolvidos mobilizem ao menos US$ 300 bilhões por ano até 2035, sem que isso signifique doação, e que todos os atores juntos mobilizem US$ 1,3 trilhão por ano.
  • Segundo o Secretariado da UNFCCC, 7 dos 29 projetos de adaptação aprovados em 2025 foram exclusivamente para agricultura e segurança alimentar, somando US$ 56,8 milhões de um total de US$ 202,2 milhões.
  • A CNA pede que os 59 indicadores de adaptação aprovados na COP30, cinco deles para agricultura, respeitem as especificidades do setor e venham acompanhados de financiamento e tecnologia.
  • A entidade defende que o segundo balanço global, que será aprovado em 2028, use ciência robusta e inventários nacionais precisos para evitar conclusões equivocadas sobre as emissões da agropecuária brasileira.
  • A CNA pede que a transição justa considere emprego, renda e sucessão rural, e que não legitime medidas comerciais unilaterais com justificativa climática.
  • A CNA cita o Regulamento Antidesmatamento da União Europeia (EUDR) e o Mecanismo de Ajuste de Carbono na Fronteira (CBAM) como regras que podem impor exigências desproporcionais à soja, à carne e ao café, e pede mecanismos de equivalência entre políticas climáticas.
  • O mandato de agricultura do Trabalho Conjunto de Sharm el-Sheikh termina na COP31, e a CNA pede um novo mandato com foco em agricultura, adaptação e transparência.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) apresentou o documento Agropecuária Brasileira no Acordo de Paris com oito eixos para a 31ª Conferência das Partes (COP31), que será realizada de 9 a 20 de novembro de 2026, em Antalya, na Turquia. Os eixos vão da Agenda de Ação e dos Mapas do Caminho à mitigação, passando por financiamento, adaptação, balanço global, transição justa e comércio. Como a presidência brasileira se encerra na abertura da conferência, a entidade quer que o Ministério das Relações Exteriores e demais representantes do setor defendam a agenda agropecuária nas negociações conduzidas pela nova presidência.

No financiamento, a CNA pede acesso mais fácil aos recursos, crédito com custo menor e ampliação do seguro climático. Sobre a adaptação, a entidade registra que a força-tarefa que vai aplicar os indicadores ainda não tem consenso: os países desenvolvidos defendem especialistas independentes, e os países em desenvolvimento, uma ação orientada pelas Partes. Para a CNA, essa definição deverá ser um dos temas centrais da COP31.

Fonte primária

Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA)

Agropecuária Brasileira no Acordo de Paris – COP 31 (documento de posicionamento da CNA, 36 p.)

Documento apresentado em 15/10/2026, em Brasília, para a COP31 (9 a 20 de novembro, Antalya). A CNA organiza seu posicionamento em oito eixos e pede que a COP31 avance na implementação do Acordo de Paris, não só em novas metas. (1) Agenda de Ação e Mapas do Caminho: a conservação da vegetação nativa dentro das propriedades deve ter valor econômico e ser financiável, sem comprometer a produção. (2) Agricultura e segurança alimentar: manter uma agenda específica para o setor, fortalecer o Portal de Sharm el-Sheikh e definir novo mandato do Trabalho Conjunto de Sharm el-Sheikh. (3) Balanço Global: avaliações baseadas em ciência robusta e inventários nacionais precisos, para evitar conclusões equivocadas sobre as emissões da agropecuária brasileira. (4) Financiamento: facilitar o acesso ao dinheiro (a CNA diz que não basta anunciar volumes), reduzir o custo do crédito e ampliar seguros climáticos; cita a meta de US$ 300 bi/ano até 2035 dos países desenvolvidos e US$ 1,3 tri/ano de todos os atores. (5) Adaptação: os 59 indicadores aprovados na COP30 (5 ligados à agricultura) devem respeitar as especificidades do setor e vir acompanhados de financiamento e tecnologia. (6) Transição justa: considerar emprego, renda e sucessão rural, e não usar a transição climática para justificar medidas comerciais unilaterais. (7) Comércio e clima: evitar que regras ambientais virem barreiras, com mecanismos de equivalência entre políticas climáticas. (8) Mitigação: o Programa de Trabalho de Mitigação da ONU deve gerar resultados mensuráveis e reconhecer práticas como plantio direto e fixação biológica de nitrogênio.

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