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COP31

A COP31 é a conferência do clima da ONU de 2026, de 9 a 20 de novembro em Antália, na Turquia. Pela primeira vez, a liderança é dividida: a Turquia preside a conferência e a Austrália conduz as negociações. Em pauta estão financiamento climático, indicadores de adaptação e o mecanismo de transição justa criado na COP30, além da meta turca de levar a eletricidade a 35% do consumo de energia até 2035. Lula confirmou presença na cúpula de líderes, em 11 e 12 de novembro.

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Foto: Hendric Stattmann / CC BY-SA 4.0

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O que é a COP31

A COP31 é a 31ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), a cúpula anual em que os países negociam a resposta às mudanças climáticas. Acontece de 9 a 20 de novembro de 2026 em Antália, na Turquia. É a primeira COP com a liderança dividida entre dois países: a Turquia preside a conferência e a Austrália conduz as negociações.

Sucede a COP30, de Belém, e é a última em que os Estados Unidos ainda são parte da Convenção. Os temas centrais são o financiamento climático, os indicadores de adaptação, o mecanismo de transição justa criado em Belém e a meta de eletrificação proposta pela presidência turca.

Onde e quando será

A COP31 ocorre no Antalya Expo Center, em Antália, cidade turística no litoral mediterrâneo da Turquia, de 9 a 20 de novembro de 2026. A cúpula de chefes de Estado e de governo está marcada para 11 e 12 de novembro. Segundo o governo brasileiro, 77 chefes de Estado e de governo haviam confirmado presença até 30 de outubro de 2026, entre eles os de Brasil, China, Reino Unido e União Europeia.

A pré-COP, organizada pela Austrália, ocorreu em Fiji e Tuvalu de 5 a 8 de outubro de 2026; só dois líderes de fora do Pacífico aceitaram o convite, segundo o Guardian.

Quem preside: o arranjo entre Turquia e Austrália

Foto: Xuthoria / CC BY-SA 4.0
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Turquia deve sediar a COP31 em 2026 após acordo em Belém | CNN PRIME TIME

Turquia e Austrália disputaram o direito de sediar a COP31. O impasse foi resolvido na COP30, em novembro de 2025, com um acordo sem precedente. A Turquia sedia a conferência e a cúpula de líderes, e seu ministro do Meio Ambiente, Urbanização e Mudança do Clima, Murat Kurum, é o presidente da COP31. Ele também comanda a Agenda de Ação, a parte não negociada da conferência.

A Austrália ficou com a "presidência das negociações", com "autoridade exclusiva" sobre elas, segundo o documento de modalidades da parceria. O ministro australiano de Mudança do Clima e Energia, Chris Bowen, ocupa o cargo e é vice-presidente da COP durante a conferência. Cabe a ele produzir os rascunhos de texto e escolher os facilitadores: em 20 de outubro de 2026, anunciou cinco duplas de ministros para mitigação, adaptação, financiamento, transição justa e oceanos.

O documento prevê que, havendo divergência, os dois países conversem "até a diferença ser resolvida a contento de ambos". Em setembro de 2026, Kurum disse à imprensa que os dois não são copresidentes e que "a decisão final cabe à presidência da COP31".

O que está em negociação

A COP31 tem três frentes principais de negociação:

  • Financiamento climático. Na COP29, em Baku, os países fixaram a meta de US$ 300 bilhões por ano até 2035 para os países em desenvolvimento, com os ricos na liderança, e um apelo para chegar a US$ 1,3 trilhão por ano de todas as fontes. Belém criou um programa de trabalho de dois anos sobre o Artigo 9 do Acordo de Paris, que trata da obrigação dos países desenvolvidos de financiar os demais.
  • Adaptação. A COP30 aprovou 59 indicadores para medir o avanço da Meta Global de Adaptação. As negociações de Bonn, em junho de 2026, terminaram sem acordo sobre como refiná-los, e o tema volta em Antália.
  • Transição justa. Belém decidiu criar um mecanismo de transição justa para apoiar trabalhadores e comunidades na troca de matriz energética. Em Antália, os países devem decidir como ele funciona, quem o governa e que apoio oferece.

A transição para longe dos combustíveis fósseis não tem item próprio na pauta. As nações insulares do Pacífico pedem compromisso firme contra carvão, petróleo e gás, e cobram mais de US$ 5 bilhões em financiamento prometido e não entregue à região, segundo a RFI. Em 9 de outubro de 2026, Kurum defendeu que os países ricos gastem com o clima "muito mais" do que os 5% do PIB que os membros da Otan prometeram para defesa.

A meta de eletrificação "35 até 35"

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Presentation of the COP31 Action Agenda at the United Nations

A principal proposta da presidência turca é elevar a participação da eletricidade no consumo final de energia do mundo de pouco mais de 20% para 35% até 2035. Kurum lançou a meta em Bonn, em 9 de junho de 2026, com base em análises da Agência Internacional de Energia (IEA) e da Agência Internacional de Energia Renovável (Irena). Em 21 de setembro de 2026, na sede da ONU em Nova York, apresentou o texto final do "Compromisso Global de Eletrificação 35 até 35", que os países podem endossar.

O compromisso vem com iniciativas para edifícios, transportes, indústria e redes elétricas. A presidência turca também quer reduzir pela metade o crescimento da geração de lixo até 2035 e cortar em pelo menos 25% a intensidade energética dos edifícios no mesmo prazo. Lançou ainda o Compromisso de Antália sobre inteligência artificial, voltado ao consumo de energia dos data centers.

A meta não exige que a nova demanda venha de fontes renováveis, observou o centro de estudos britânico ODI; críticos temem que ela justifique mais geração a carvão e gás.

O que a COP30 de Belém deixou

A COP30 terminou em 22 de novembro de 2025 com 29 decisões aprovadas por consenso, o chamado Pacote de Belém. A principal, a decisão do Mutirão Global, pede triplicar o financiamento para adaptação até 2035, reconhece o roteiro para mobilizar US$ 1,3 trilhão por ano até 2035 e lança o Acelerador Global de Implementação e a Missão Belém para 1,5 °C, conduzida pelas presidências da COP29, COP30 e COP31.

Mais de 80 países apoiaram um roteiro para abandonar os combustíveis fósseis, mas o tema ficou fora do texto final. O presidente da COP30, André Corrêa do Lago, anunciou então dois roteiros próprios da presidência brasileira, fora da negociação formal: um para a transição longe dos combustíveis fósseis e outro para deter o desmatamento até 2030. O roteiro dos fósseis recebeu 268 contribuições e não terá metas por país nem força de acordo. A presidência brasileira prometeu entregar os dois roteiros e uma atualização do plano de financiamento em Antália.

O Brasil e Lula na COP31

O governo federal confirmou em 30 de outubro de 2026 que o presidente Lula, reeleito em 25 de outubro, vai à COP31. Ele chega a Antália em 10 de novembro, participa da cúpula de líderes em 11 e 12 de novembro e segue no dia 13 para a cúpula da Asean, nas Filipinas. Segundo o Planalto, Lula entregará a presidência da COP à Turquia.

O Brasil preside a COP até a abertura de Antália. Nesse período, conduziu os roteiros de Belém e o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), lançado na COP30. Em setembro de 2026, o governo abriu inscrições para representantes da sociedade civil integrarem a delegação brasileira.

Críticas e ausências

Em 4 de outubro de 2026, a organização ambientalista 350.org publicou relatório segundo o qual o carvão exportado pela Austrália para a Turquia respondeu por mais de 75 milhões de toneladas de CO₂ desde o Acordo de Paris. A Austrália é a segunda maior exportadora de carvão do mundo; a Turquia é a maior geradora de energia a carvão da Europa. Nenhum dos dois tem data para abandonar o carvão, e a entidade aponta que as comunicações oficiais da presidência da COP31 não mencionam combustíveis fósseis.

Os Estados Unidos deixaram o Acordo de Paris em 27 de janeiro de 2026 e notificaram a ONU, em 27 de fevereiro de 2026, da saída da própria UNFCCC, que vale a partir de 27 de fevereiro de 2027. O presidente Donald Trump anunciou a retirada em janeiro de 2026.

Linha do tempo

  • Novembro de 2025: durante a COP30, Turquia e Austrália fecham o acordo para dividir a COP31.
  • 22 de novembro de 2025: COP30 termina em Belém com o Pacote de Belém.
  • 27 de fevereiro de 2026: os Estados Unidos notificam a ONU da saída da UNFCCC, com efeito em 27 de fevereiro de 2027.
  • 13 de abril de 2026: Kurum anuncia Chris Bowen como presidente das negociações da COP31.
  • 9 de junho de 2026: em Bonn, a presidência turca lança a meta de 35% de eletrificação até 2035.
  • 21 de setembro de 2026: em Nova York, a Turquia apresenta o texto final do compromisso "35 até 35" e o Compromisso de Antália sobre IA.
  • 5 a 8 de outubro de 2026: pré-COP em Fiji e Tuvalu.
  • 20 de outubro de 2026: Bowen nomeia os dez facilitadores das negociações.
  • 30 de outubro de 2026: o governo confirma a ida de Lula a Antália.
  • 9 de novembro de 2026: abertura da COP31.
  • 11 e 12 de novembro de 2026: cúpula de líderes.
  • 20 de novembro de 2026: encerramento previsto.

Perguntas frequentes

Onde e quando será a COP31?

Em Antália, na Turquia, de 9 a 20 de novembro de 2026, com a cúpula de líderes em 11 e 12 de novembro.

Quem preside a COP31?

A Turquia, com o ministro Murat Kurum como presidente da conferência. A Austrália conduz as negociações, com o ministro Chris Bowen como presidente das negociações.

Qual é o tema da COP31?

A pauta negociada trata de financiamento climático, indicadores de adaptação e transição justa. A presidência turca promove a meta de levar a eletricidade a 35% do consumo final de energia até 2035, além de metas para lixo e edifícios.

Lula vai à COP31?

Sim. O governo confirmou em 30 de outubro de 2026 que Lula participa da cúpula de líderes em 11 e 12 de novembro.

Onde será a COP32?

A COP32, em 2027, será na Etiópia, em Adis Abeba.

Como participar da COP31?

A conferência é aberta a delegações oficiais, organizações observadoras credenciadas na UNFCCC e imprensa credenciada. No Brasil, o governo abriu em setembro de 2026 inscrições para a sociedade civil integrar a delegação oficial.

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