Produção de milho na China cresce e reduz demanda por grãos dos EUA
O USDA projeta que a China colha 306 milhões de toneladas de milho em 2026/27, 5 milhões acima do ciclo anterior, e importe 6 milhões, com cargas programadas do Brasil e da Argentina, enquanto o milho americano segue sem competitividade de preço.
Pontos principais
- O posto do USDA em Pequim projeta 306 milhões de toneladas de milho em 2026/27, 5 milhões acima de 2025/26 e 1 milhão abaixo da previsão de setembro do próprio USDA.
- Entre meados de julho e fim de agosto, 50 estações meteorológicas chinesas registraram temperaturas iguais ou superiores aos recordes históricos, sobretudo em Jilin, Liaoning e Xinjiang, segundo reportagens citadas pelo USDA.
- O consumo de milho cai para 322 milhões de toneladas em 2026/27, 2 milhões abaixo da previsão de setembro do USDA.
- A parcela do milho nas rações caiu de 47% em janeiro para 29% em agosto, segundo fontes do setor citadas pelo USDA.
- As importações chinesas de milho devem subir para 6 milhões de toneladas em 2026/27, ante 4 milhões em 2025/26, segundo o posto do USDA em Pequim; a projeção oficial do departamento é de 5 milhões.
- O Brasil é o principal fornecedor de milho da China desde 2023, à frente dos EUA e da Ucrânia, com mais de 710 mil toneladas programadas para chegar em outubro.
- Segundo o USDA, o milho americano do Golfo custa de US$ 370 a US$ 406 por tonelada na entrega em outubro, conforme a tarifa de 1% a 11%, contra US$ 332 do brasileiro e US$ 313 do argentino, ambos dentro da cota.
- O sorgo brasileiro é ofertado a US$ 300 a US$ 310 por tonelada, contra US$ 391 do americano com tarifa de 12%, e fontes do setor citadas pelo USDA falam em 2 a 3 milhões de toneladas do Brasil para a China neste ano.
- Para 2026/27, o posto do USDA prevê importações de 7 milhões de toneladas de sorgo e 12,5 milhões de cevada, abaixo dos 7,2 e 14 milhões estimados para 2025/26.
Para o USDA, a safra cresce porque a área plantada avança e a produtividade sobe pouco, apesar de calor e enchentes localizados no Nordeste e em Henan. O consumo recua porque o rebanho de matrizes suínas caiu 6,5% em um ano, para 37,8 milhões de cabeças, segundo o Escritório Nacional de Estatísticas (NBS), e a ração troca milho por trigo, cevada e sorgo, mais baratos.
As importações devem voltar a crescer, mas o milho americano segue sem competitividade, com margens de importação fracas. O USDA também aponta avanço do sorgo e do DDGS brasileiros e do milho argentino sobre os exportadores dos EUA.
A análise usa as tarifas em vigor até 28 de setembro. A Casa Branca listou, em 27 de setembro, milho, trigo e sorgo americanos entre os produtos que EUA e China vão avaliar para tarifas menores no Board of Trade, e o USDA não projeta esses cortes.
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