Chefe do MI5 alerta para risco crescente de ataques de extrema-direita
Segundo Ken McCallum, o nível de ameaça terrorista no Reino Unido voltou a severo, em boa parte impulsionado pelo terrorismo de extrema-direita.
Pontos principais
- O JTAC devolveu o nível de ameaça terrorista a severo, pela primeira vez em quase cinco anos, o que significa que um ataque é altamente provável.
- Segundo McCallum, a alta se deve em boa parte ao terrorismo de extrema-direita, cuja tendência mais marcada no último ano é o aumento de casos em que ressentimentos antimigração e antimuçulmanos extremos passam à intenção terrorista.
- O MI5 diz ter lidado com candidatos a terroristas que tentaram atacar mesquitas e locais ligados à imigração e ao asilo.
- Um adolescente de 13 anos, radicalizado na extrema-direita no Reino Unido, foi investigado pelo MI5; o trabalho ajudou um parceiro internacional a impedir um ataque letal.
- Um jovem de 16 anos de Inverclyde recebeu dez anos de prisão por tentar atacar o centro islâmico local.
- Os casos de ameaças estatais quadruplicaram na última década, e o MI5 dedica hoje mais recursos a elas do que durante a Guerra Fria.
- A Rússia é, nas palavras de McCallum, 'agressor número um', e conduz ataques híbridos que procuram ficar abaixo do limiar do Artigo 5 da OTAN.
- Operações ligadas ao Irã levaram a mais de cinquenta prisões no Reino Unido nos últimos doze meses, e dois cidadãos iranianos foram acusados de terrorismo por um suposto plano contra a comunidade judaica de Manchester.
- Na primavera, incêndios criminosos e sabotagens contra comunidades judaicas no Reino Unido e em outros países europeus foram reivindicados por um grupo que se apresenta como Islamic Movement of the Companions of the Right; McCallum diz que membros da IRGC estavam por trás da fachada, e ambos foram designados sob o National Security Act.
- O National Security Act já gerou dezenas de prisões em três anos; em maio, saíram as primeiras condenações por crimes de segurança nacional ligados à China, com dois homens presos por tentar montar uma operação de 'policiamento paralelo' contra um cidadão chinês no Reino Unido.
- O AI Threat Assessment Centre (AITAC), lançado em 2026 dentro do MI5 com contribuições de AISI, NCA e NCSC, produz avaliações de todas as fontes; McCallum diz que a IA já é usada para propaganda sob medida e para melhorar reconhecimento e ataques, inclusive com drones.
- Para McCallum, o risco mais grave da IA ainda não se concretizou: a possibilidade de mudar o risco de armas biológicas, existentes ou novas.
Em seu discurso anual de atualização de ameaças, feito em Thames House, em Londres, o diretor-geral do MI5, Ken McCallum, disse que o Reino Unido entrou em uma nova era de segurança nacional, em que sabotagem, ataques cibernéticos, coerção e violência atingem pessoas, empresas e comunidades, e não apenas o governo. Ele afirmou que as missões do MI5 contra o terrorismo e contra ameaças estatais têm hoje escala praticamente equivalente, e que nada indica que o terrorismo diminua quando crescem as ameaças de Estados.
McCallum disse que não pode detalhar casos com processo pendente ou investigações em curso, e reconheceu que nenhum sistema consegue deter todos os ataques, por isso defende a resiliência da sociedade. Para operadores de infraestrutura crítica e fornecedores de defesa, recomendou seguir a orientação da NPSA e da NCSC contra sabotagem, reconhecimento hostil e drones.
Cobertura da mídia
MI5 chief warns of threats to UK from Russia, Iran and AI
BBC World • 13 out, 12:52
Far-right and Iran add to mix of terror threats UK faces – not to mention AI
The Guardian World • 13 out, 14:58
Rightwing extremists increasingly likely to consider terrorist attacks, MI5 chief says
The Guardian World • 13 out, 09:00
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