McDonald's enfrenta processo nos EUA por uso de IA em precificação
Ação coletiva protocolada em Chicago, nos EUA, acusa a McDonald's de combinar preços entre franquias e lojas próprias por meio de um motor de precificação com aprendizado de máquina.
Pontos principais
- Michael Thomas, morador de DeKalb (Illinois), protocolou a ação em 2 de outubro de 2026 no tribunal federal de Chicago, sob o número 1:26-cv-12149.
- Thomas afirma que, desde pelo menos 2019, o motor de precificação da McDonald's recebe dados de transações de lojas próprias e franqueadas, inclusive vendas confidenciais dos franqueados, e recomenda preço por item e por restaurante.
- Segundo a Reuters, em reportagem de 29 de setembro de 2026, a ferramenta recomenda reajustes em itens sem alta havia pelo menos dois anos e em itens já reajustados em ao menos 30% das lojas, a chamada regra dos 30%.
- Thomas afirma que, desde janeiro de 2026, a McDonald's exige o uso das ferramentas de precificação aprovadas pela empresa e registra os desvios em relação às recomendações.
- Segundo Thomas, a McDonald's disse a investidores que a não conformidade em preços pesa na decisão de renovar ou ampliar franquias.
- Thomas cita um Big Mac meal a US$ 18 em Darien (Connecticut), em 2023; em processo de 2024, o franqueado George Michell disse que o preço foi recomendado por consultores do setor, referência que Thomas associa à ferramenta da empresa.
- A McDonald's diz que o preço médio do cardápio subiu cerca de 40% entre 2019 e 2024 e atribui a alta a custos, em ficha informativa de 29 de maio de 2024.
A ação, movida contra a McDonald's USA, LLC e a McDonald's Corporation, pede indenização em dobro em nome próprio e de consumidores de todo o país. Os franqueados não são réus, mas o autor os descreve como cúmplices do suposto acordo. Para ele, combinar preços por meio de dados compartilhados é ilícito por si só, sem necessidade de provar mercado relevante ou poder de mercado.
A McDonald's afirma publicamente que cada franqueado define os preços do próprio restaurante. No Investor Day de 23 de setembro de 2026, Morgan Flatley, CMO global da empresa, disse que os franqueados mantêm controle sobre decisões independentes de preços. O autor responde que, sem o acordo que descreve, cada franquia e cada loja própria disputaria preço com as demais. São alegações ainda não examinadas pelo tribunal.
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