Human Rights Watch acusa EUA de deportações ilegais para África
A Human Rights Watch diz que os EUA enviaram 536 pessoas a países africanos sem vínculo com elas desde janeiro de 2025, e que parte foi reenviada a lugares onde corre risco de perseguição ou tortura.
Pontos principais
- Segundo a HRW, os EUA enviaram 536 pessoas a países africanos entre 20 de janeiro de 2025 e 5 de agosto de 2026: cerca de 65 à Guiné Equatorial, 86 à República Centro-Africana, 46 a Camarões, 15 à RD Congo e 12 a Burundi.
- Gana recebeu mais de 100 pessoas em pelo menos nove voos, também segundo a organização.
- Em 24 entrevistas feitas entre fevereiro e julho de 2026, pessoas transferidas relatam voos de 18 horas ou mais, com algemas nos pulsos, na cintura e nos tornozelos.
- Pelo menos 12 pessoas LGBT foram enviadas a Estados que criminalizam relações entre pessoas do mesmo sexo.
- A maioria dos deportados soube do destino um dia antes da partida ou só ao pousar.
- A HRW enviou cartas ao DHS e ao Departamento de Estado em 4 de dezembro de 2025 pedindo informações sobre as transferências; até 28 de setembro de 2026, não houve resposta.
Para a Human Rights Watch, os Estados Unidos violam suas obrigações internas e internacionais de non-refoulement ao enviar pessoas a lugares onde enfrentariam perseguição, tortura ou outros danos graves. Em Camarões, segundo a organização, os deportados foram detidos ao chegar, ficaram sem remédios para doenças crônicas e tiveram a circulação restrita por mais de dois meses. Na Guiné Equatorial, foram mantidos em um hotel com guardas armados e ouviram que só podiam voltar para casa ou seguir para outro país.
O governo americano apoia as remoções em garantias diplomáticas dos países de destino. Um acordo com a Guiné Equatorial diz que os transferidos não serão submetidos a perseguição ou tortura 'na Guiné Equatorial ou em qualquer outro país'. Para a organização, porém, o papel do governo americano termina quando os deportados saem da custódia do ICE, no aeroporto do país de destino, e alguns chegam sem documentos, dinheiro ou celular.
O DHS defende as remoções como forma de tirar do país criminosos. Ao anunciar o envio de oito homens ao Sudão do Sul, chamou-os de 'criminosos violentos e bárbaros'; a HRW diz que eles ficaram seis semanas presos em um contêiner adaptado numa base naval dos EUA em Djibouti.
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