Igrejas evangélicas ocupam espaço de sindicatos na política brasileira
Artigo aponta que o crescimento das igrejas evangélicas e o declínio sindical moldam a atual articulação social e política no Brasil.
Pontos principais
- A taxa de sindicalização no Brasil caiu de 16,1% em 2012 para 8,8% em 2025.
- A população evangélica cresceu de 9% em 1991 para 26,9% em 2022.
- Igrejas pentecostais suprem lacunas de suporte comunitário deixadas pelo Estado.
- A falta de uma estrutura de base robusta dificulta a mobilização eleitoral do PT.
O esvaziamento dos sindicatos no Brasil abriu espaço para que igrejas evangélicas assumissem o papel de principais articuladoras sociais no país. Segundo análise da socióloga Elizabeth McKenna, a queda na taxa de sindicalização, que atingiu 8,8% em 2025, coincide com a expansão da presença evangélica, que alcançou 26,9% da população brasileira. Esse fenômeno é impulsionado pela capacidade das igrejas pentecostais em oferecer suporte comunitário e assistência que o Estado frequentemente falha em prover, criando uma conexão direta entre a fé e as escolhas políticas dos cidadãos.
Essa mudança estrutural impacta diretamente a dinâmica eleitoral e a capacidade de mobilização de partidos como o PT. A autora argumenta que a dificuldade em engajar eleitores que se abstiveram no primeiro turno reflete a ausência de uma rede de base sólida, que anteriormente era sustentada pelas organizações sindicais. Dessa forma, a influência das igrejas tornou-se um fator determinante na moldagem do imaginário político contemporâneo, alterando a forma como o eleitorado se organiza e se posiciona diante das disputas nacionais.
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