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MPT processa Uber em R$ 321 milhões por programa 'Passe para Motoristas'

Ação civil pública questiona a legalidade de taxas cobradas de motoristas e pede a suspensão imediata do programa da plataforma.

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Foto: Folha de São Paulo - Mercado
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25/08 às 16:02, atualizado 19:32

Pontos principais

  • O MPT da Bahia ajuizou ação civil pública contra a Uber com pedido de indenização de R$ 321 milhões por danos morais coletivos.
  • A investigação aponta que o programa 'Passe para Motoristas' transfere indevidamente riscos do negócio aos trabalhadores.
  • O Ministério Público solicita a suspensão do programa e a devolução dos valores pagos pelos motoristas desde o seu lançamento em maio de 2026.
  • O órgão requer acesso ao código-fonte do algoritmo da empresa para auditar critérios de distribuição de corridas e precificação.
  • O processo tramita na 9ª Vara do Trabalho de Salvador sob a alegação de possível configuração de servidão por dívida.

O Ministério Público do Trabalho (MPT) ajuizou uma ação civil pública de abrangência nacional contra a Uber, contestando a legalidade do programa 'Passe para Motoristas'. Lançada em maio de 2026, a iniciativa permite que os motoristas realizem pagamentos antecipados para evitar descontos de taxas de serviço em suas viagens. O MPT argumenta que o modelo transfere os riscos econômicos da operação para os trabalhadores, podendo configurar uma situação de servidão por dívida, o que seria análogo ao trabalho escravo. Além da indenização de R$ 321 milhões por danos morais coletivos, a ação exige a suspensão imediata da prática e o reembolso dos valores já cobrados da categoria.

O caso, que tramita na 9ª Vara do Trabalho de Salvador, também traz um pedido inédito de acesso ao código-fonte do algoritmo da Uber. Segundo o procurador Luiz Antônio do Nascimento Fernandes, a medida é necessária para garantir transparência sobre como o sistema distribui as corridas e define a precificação dinâmica. A disputa judicial coloca em xeque a autonomia do modelo de negócios da plataforma e a relação de subordinação entre a empresa e seus parceiros, sendo um desdobramento relevante na discussão sobre os direitos trabalhistas no setor de aplicativos no Brasil.

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