Tesouro dos EUA estuda usar US$ 1 trilhão para recomprar títulos
Segundo dois funcionários seniores do Tesouro ouvidos pela CNBC sob anonimato, o governo avalia usar parte da sua Conta Geral (TGA), hoje em cerca de US$ 950 bilhões, para bancar a recompra ampliada de títulos, movimento que ganha urgência porque os juros longos voltaram a subir desde o anúncio do programa, em meio a ceticismo do mercado.
Pontos principais
- Segundo dois funcionários seniores do Tesouro ouvidos pela CNBC, sob anonimato, o órgão avalia usar parte da sua Conta Geral (TGA) — hoje ao redor de US$ 950 bilhões, bem acima da meta de US$ 550-600 bilhões da era Biden — para bancar a recompra ampliada de títulos longos.
- O programa, anunciado em 19 de agosto, dobrou o piso de recompra de títulos 'off-the-run' de longo prazo, de US$ 2 bilhões para pelo menos US$ 4 bilhões por operação; Bessent disse à CNBC que as operações podem ser ainda maiores que esse novo mínimo.
- O Tesouro não informou como financiaria as recompras — o mercado presumiu venda de títulos de curto prazo, hipótese que os próprios funcionários não descartaram; Bessent chamou a manobra de 'Treasury Twist'.
- As fontes não revelaram quanto da TGA seria usado nem quando isso seria anunciado, apenas que os recursos 'estão disponíveis'; não há indicação de uso além da compra dos títulos off-the-run já anunciada.
- Desde o anúncio de 19/8, os rendimentos dos títulos longos voltaram a subir depois de uma alta inicial dos preços, em meio ao ceticismo do mercado sobre o real poder de fogo do Tesouro.
- Funcionários do Tesouro rejeitaram a crítica de que o anúncio-surpresa — feito duas semanas após o refinanciamento trimestral — rompeu a política de ser 'regular e previsível'; disseram que o calendário de leilões não mudou e que o mercado teve quase três semanas de aviso antes da operação de 9/9.
- A dívida pública dos Estados Unidos superou a marca de US$ 40 trilhões, pressionando os rendimentos dos títulos.
- A Citadel Securities criticou a medida, classificando a recompra como uma forma de 'repressão financeira' que pode inflacionar a economia.
- Analistas alertam que a injeção de liquidez pode enfraquecer o dólar e não resolve problemas fiscais estruturais, como a dificuldade de reformar a seguridade social e o déficit persistente.
O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos avalia usar parte da sua Conta Geral (TGA) — hoje ao redor de US$ 950 bilhões — para financiar a ampliação do programa de recompra de títulos públicos, segundo dois funcionários seniores do órgão ouvidos pela CNBC sob anonimato. A medida, batizada por Bessent de 'Treasury Twist', busca conter a escalada dos rendimentos dos títulos de longo prazo, pressionados pelo aumento do endividamento público — hoje acima de US$ 40 trilhões — e pela inflação elevada. O uso da TGA não foi anunciado oficialmente: as fontes não disseram quanto seria usado nem quando, apenas que os recursos estão disponíveis, o que dispensaria mais venda de títulos curtos ou ajuda do Fed. A primeira operação sob o programa ampliado ocorre em 9 de setembro.
O Tesouro não detalhou como financiaria as compras, e o mercado presumiu venda de títulos curtos — hipótese que os funcionários não descartaram. Desde o anúncio do programa, em 19 de agosto, os rendimentos voltaram a subir após uma alta inicial dos preços, em meio ao ceticismo do mercado sobre o alcance real da medida — o que motivou a discussão sobre usar a TGA. Funcionários do Tesouro também rejeitaram a crítica de que o anúncio-surpresa rompeu a política de ser 'regular e previsível', dizendo que o calendário de leilões não mudou. A Citadel Securities classificou a recompra como uma forma de 'repressão financeira', alertando que a estratégia pode gerar inflação e desvalorizar o dólar, levando investidores a buscar proteção em ativos reais como ouro e commodities.
O cenário é agravado por uma divergência de visões dentro da política econômica americana. Enquanto Bessent defende que os juros longos estão acima do nível de equilíbrio, o presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, interpreta a alta como uma resposta legítima do mercado aos fundamentos econômicos. Analistas permanecem cautelosos, ressaltando que, embora a recompra injete liquidez imediata no sistema, ela não ataca problemas estruturais, como a dificuldade política de reformar programas de seguridade social e o déficit fiscal persistente.
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