Japão protesta após primeira visita de Putin às Ilhas Curilas
O governo japonês convocou o embaixador russo após Vladimir Putin visitar o arquipélago, território disputado desde o fim da Segunda Guerra Mundial.
Pontos principais
- Vladimir Putin realizou sua primeira visita oficial à ilha de Iturup, parte das Ilhas Curilas.
- O Japão, que denomina a região como Territórios do Norte, classificou a viagem como inaceitável.
- A primeira-ministra Sanae Takaichi condenou o ato e convocou o embaixador russo para protesto formal.
- O ministro das Relações Exteriores, Toshimitsu Motegi, formalizou a queixa junto ao embaixador Nikolay Nozdrev.
- A soberania sobre o arquipélago é disputada desde 1945, impedindo a assinatura de um tratado de paz formal entre as nações.
- A Rússia baseia sua posse na vitória militar da Segunda Guerra Mundial, enquanto o Japão cita o tratado de 1855.
O presidente russo, Vladimir Putin, realizou uma visita à ilha de Iturup, no arquipélago das Ilhas Curilas, marcando a primeira vez que um líder russo viaja à região. O território é objeto de uma disputa diplomática histórica entre Moscou e Tóquio desde o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945, quando as ilhas foram ocupadas pela então União Soviética. A visita de Putin, que incluiu uma passagem por uma unidade industrial local, foi interpretada pelo governo japonês como uma afronta à sua soberania nacional.
Em resposta imediata, a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, condenou a viagem e classificou o movimento como inadmissível. O ministro das Relações Exteriores, Toshimitsu Motegi, convocou o embaixador da Rússia em Tóquio, Nikolay Nozdrev, para apresentar um protesto formal. O governo japonês reiterou que a ocupação russa carece de base legal internacional, defendendo que as ilhas, conhecidas localmente como Territórios do Norte, são parte integrante de seu território.
Este episódio intensifica o atrito nas relações bilaterais, que já enfrentam um período de deterioração acentuada. A disputa territorial permanece como o principal entrave para que Rússia e Japão formalizem um tratado de paz definitivo. O cenário é agravado pelo alinhamento estratégico do Japão com o Ocidente e a imposição de sanções econômicas contra Moscou após a invasão da Ucrânia em 2022, em um contexto onde Tóquio busca ampliar suas capacidades de defesa e fortalecer laços militares com os Estados Unidos.
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