Japão protesta contra prisão de jornalista japonês na Rússia
Tóquio convocou o embaixador russo depois que o FSB anunciou a detenção, em Sacalina, de um japonês que atua como correspondente do Hokkaido Shimbun e que o serviço acusa de espionagem.
Pontos principais
- O FSB anunciou em 13 de outubro a detenção, em Iuzhno-Sakhalinsk, de um cidadão japonês que atua como correspondente do Hokkaido Shimbun, credenciado junto ao Ministério das Relações Exteriores russo.
- Segundo o FSB, ele reunia e guardava informações sobre a capacidade de defesa do país para repassá-las a um serviço de inteligência japonês, e por isso foi aberto processo criminal por espionagem com base no artigo 276 do Código Penal.
- Detido na véspera da partida do país, foi levado a Moscou, onde o Tribunal de Lefortovo decretou prisão preventiva.
- O governo japonês diz não ter recebido nenhuma explicação sobre o detido até agora e pede informação rápida, tratamento humanitário, justo e equitativo e uma oportunidade rápida de contato com ele.
O governo japonês convocou o embaixador russo, Nikolai Nozdrev, para protestar contra a detenção de um cidadão japonês em Sacalina. Segundo o Ministério das Relações Exteriores japonês, o diretor-geral do Departamento Europeu, que conduziu a convocação, criticou com firmeza a conduta de Moscou, que mantém o cidadão preso e divulga o caso de forma unilateral.
Na mesma reunião, o diretor-geral levou ao embaixador outro tema: a visita à ilha de Etorofu (Iturup), no arquipélago que Tóquio chama de Territórios do Norte, de autoridades e empresas da província chinesa de Heilongjiang, anunciada pelo governo regional de Sacalina em 13 de outubro. O governo japonês afirma que as quatro ilhas do norte são território japonês, histórica e juridicamente, e que a presença de terceiros nelas como se fossem russas é inaceitável. Nozdrev disse que transmitirá a posição japonesa a Moscou e apresentou a versão russa, rebatida pelo diretor-geral com base na posição de Tóquio.
Fontes primárias
Convocação do embaixador russo Nozdrev pelo diretor do Departamento Europeu (comunicado do MOFA, 14/10/2026)
Em 14/10, o diretor do Departamento Europeu, Kimitake Nakamura, convocou o embaixador russo Nikolai Nozdrev. Pediu informação rápida sobre o anúncio do FSB de 13/10 de que um cidadão japonês havia sido detido em Sakhalin; pediu tratamento humanitário, justo e equitativo ao detido e a rápida oportunidade de contato com ele. Protestou com firmeza: o governo japonês não recebeu nenhuma explicação sobre o detido, e Moscou o mantém preso e divulga o caso unilateralmente. Nozdrev respondeu que transmitirá a posição japonesa a Moscou. Sobre as Curilas, o comunicado reafirma que as ilhas do Norte são território japonês, histórica e juridicamente, e diz ser inaceitável a visita a Iturup de representantes e empresas ligados ao governo da província chinesa de Heilongjiang, com pedido de medidas apropriadas. Nozdrev apresentou a posição russa; Nakamura rebateu com base na posição japonesa. O comunicado não identifica o detido nem sua profissão.
ФСБ России за шпионаж в интересах одной из японских спецслужб задержан подданный Японии
Em 13/10, o FSB informou que, em Sakhalin, interrompeu a atividade de um cidadão japonês, correspondente em Iuzhno-Sakhalinsk do jornal Hokkaido Shimbun, credenciado junto ao MFA russo, suspeito de espionagem a favor de um serviço de inteligência japonês. Segundo o comunicado, ele coletava e armazenava informações sobre a capacidade de defesa do país para repasse a uma inteligência estrangeira. Foi detido na véspera de deixar o país, levado a Moscou, e aberto processo criminal pelo artigo 276 do Código Penal (espionagem). O Tribunal de Lefortovo decretou prisão preventiva. Diligências seguem em curso.
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