O superávit ou déficit do governo geral venezuelano em cada ano, depois dos juros da dívida — estimativa do FMI, sem consulta oficial ao país desde 2004.
O dado mais recente é preliminar e ainda será revisado pela fonte.
Barras mais claras: dado preliminar, ainda sujeito a revisão da fonte.
Quanto o governo geral venezuelano — administração central, estados, municípios e previdência — arrecadou a menos do que gastou em cada ano, incluindo os juros da dívida, em proporção ao PIB. É o "net lending/borrowing" do FMI (GGXCNL_NGDP).
A hiperinflação nasceu de um déficit monetizado. O rombo passou de 8,5% do PIB em 2016 para 13,3% em 2017 e 31,0% em 2018 — o pico da série —, financiado em boa parte por emissão do próprio Banco Central, o mecanismo clássico por trás da hiperinflação que a Venezuela viveu entre 2017 e 2019. A dolarização parcial da economia avançou nesse período, e o rombo encolheu para 10,9% em 2019 e 6,6% em 2020.
Sanções mexem no número, não necessariamente no gasto. Em novembro de 2022 o governo americano concedeu à Chevron uma licença para voltar a operar na Venezuela (a General License 41); a queda do déficit para 1,3% do PIB em 2023, o mais baixo da série recente, coincide com essa reabertura. O governo Trump anunciou a revogação da licença em 26 de fevereiro de 2025, com wind-down inicialmente até 3 de abril e depois prorrogado até 27 de maio de 2025; em julho de 2025 o Tesouro americano concedeu à Chevron uma licença nova e mais restrita, que mantém a operação mas proíbe repassar receita ao governo venezuelano. O déficit, que tinha sido de 3,7% do PIB em 2024, voltou a 5,8% em 2025 — no mesmo período em que essa receita ficou bloqueada.
Por que é uma estimativa, não um dado oficial. A Venezuela não tem uma consulta do Artigo IV concluída desde 13 de setembro de 2004 — 22 anos, o maior atraso do FMI com qualquer país-membro. Desde então o Fundo faz só um briefing informal ao Board por ano, "com base em informação publicamente disponível", sem o acesso a dados que uma consulta normal garante. O Banco Central da Venezuela e a ONAPRE pararam de publicar execução fiscal fechada por volta de 2017–2018, no início da hiperinflação; a sociedade civil venezuelana (CEDICE) resume o orçamento de 2023 como "mais um ano de opacidade". Em abril de 2026 o FMI e o Banco Mundial anunciaram a retomada de contato com a Venezuela, sem diálogo desde 2019, mas nenhuma consulta do Artigo IV estava concluída até esta ingestão (28/09/2026).
O que entra na conta. O governo geral na definição padrão do FMI (GFSM): administração central, estados, municípios e a previdência. Não inclui a PDVSA nem as demais estatais — historicamente, a petroleira estatal financiou por fora do orçamento gasolina subsidiada e programas sociais, um gasto quase-fiscal que esta série não capta.
Como é calculado. O FMI publica este número com base no que descreve como "informação publicamente disponível", sem a prestação de contas venezuelana que uma consulta normal do Artigo IV garantiria. A ingestão confere que receita menos despesa (GGR_NGDP − GGX_NGDP) reproduz este número, que a diferença para o resultado primário — os juros líquidos — fica numa faixa plausível em todo ano da série, e que 2025 bate com uma segunda leitura independente do FMI.
Desde 2018 é preliminar, sem previsão de fechar: não existe balanço oficial venezuelano para o FMI revisar contra ele.
| Período | Déficit do governo geral | vs. período anterior |
|---|---|---|
| 2025preliminar | −5,8% | −2,2 p.p. |
| 2024preliminar | −3,7% | −2,4 p.p. |
| 2023preliminar | −1,2% | +4,0 p.p. |
| 2022preliminar | −5,3% | +0,6 p.p. |
| 2021preliminar | −5,8% | +0,8 p.p. |
| 2020preliminar | −6,6% | +4,3 p.p. |
| 2019preliminar | −10,9% | +20,0 p.p. |
| 2018preliminar | −31,0% | −17,7 p.p. |
| 2017 | −13,3% | −4,8 p.p. |
| 2016 | −8,5% | −0,4 p.p. |
| 2015 | −8,1% | +1,7 p.p. |
| 2014 | −9,8% | +0,5 p.p. |
| 2013 | −10,4% | −0,5 p.p. |
| 2012 | −9,9% | −1,6 p.p. |
| 2011 | −8,2% | −3,5 p.p. |
| 2010 | −4,7% | +3,9 p.p. |
| 2009 | −8,7% | −5,2 p.p. |
| 2008 | −3,5% | −0,6 p.p. |
| 2007 | −2,8% | −1,2 p.p. |
| 2006 | −1,6% | −5,7 p.p. |
| 2005 | 4,1% | +1,6 p.p. |
| 2004 | 2,5% | +2,3 p.p. |
| 2003 | 0,2% | +1,7 p.p. |
| 2002 | −1,5% | +3,1 p.p. |
| 2001 | −4,6% | −9,0 p.p. |
| 2000 | 4,4% | +3,7 p.p. |
| 1999 | 0,7% | +5,2 p.p. |
| 1998 | −4,5% | −7,1 p.p. |
| 1997 | 2,6% | −5,4 p.p. |
| 1996 | 7,9% | +13,8 p.p. |
| 1995 | −5,9% | +5,3 p.p. |
| 1994 | −11,2% | −8,3 p.p. |
| 1993 | −2,9% | +3,4 p.p. |
| 1992 | −6,4% | −4,1 p.p. |
| 1991 | −2,3% | −6,1 p.p. |
| 1990 | 3,8% | +4,7 p.p. |
| 1989 | −0,9% | +8,3 p.p. |
| 1988 | −9,2% | — |