O déficit (ou superávit) do setor público consolidado uruguaio depois dos juros, em doze meses e em % do PIB, sem o dinheiro das AFAP que entrou nos fideicomissos da seguridade social — o número de manchete no Uruguai.
O dado mais recente é preliminar e ainda será revisado pela fonte.
Barras mais claras: dado preliminar, ainda sujeito a revisão da fonte.
Quanto o setor público uruguaio gastou a mais do que arrecadou nos doze meses encerrados em cada trimestre, já contando os juros da dívida, em proporção ao PIB. É o "déficit fiscal" das manchetes uruguaias: o número que o MEF divulga todo mês, no comunicado "Resultado del Sector Público", no fim do mês seguinte.
A série não fecha um ano no azul. O déficit foi de 3,4% do PIB em 2016, subiu a 5,7% em 2020, com a pandemia, e voltou a 3,2% em 2022. Em 2025 fechou em 4,8%, e nos doze meses até junho de 2026 estava em 4,3%.
Global e primário. Sem os juros chega-se ao resultado primário. A distância entre as duas séries é a conta de juros do consolidado, entre 2,6% e 3,1% do PIB por ano desde 2016, que inclui os juros pagos pelo BCU e não só os da dívida do governo central.
O que entra na conta. O setor público consolidado, que os comunicados do Ministério da Economia (MEF) chamam de Sector Público Global: o governo central, a previdência pública (BPS), as empresas públicas (UTE, ANCAP, ANTEL, OSE, AFE, ANP e ANV), as intendências (os governos departamentais), o Banco de Seguros del Estado e o Banco Central (BCU). É o número que o MEF anuncia todo mês e o que se noticia no Uruguai como "o déficit fiscal". O resultado do governo central com o BPS, que o MEF também publica e comenta primeiro no comunicado, é um pedaço dessa conta.
Sem o dinheiro dos "cincuentones". A Lei 19.590, de dezembro de 2017, permitiu a quem tinha 50 anos ou mais em abril de 2016 sair do regime misto e se aposentar só pelo BPS. A AFAP (o fundo privado de previdência) transfere a poupança da pessoa para um fideicomisso do BPS, o FSS, e esse dinheiro entra na conta pública como receita: UY$ 23,4 bilhões em 2018 e UY$ 22,9 bilhões em 2019, 1,2% e 1,0% do PIB. Não é folga — é o que vai pagar as aposentadorias dessas pessoas nas próximas décadas. Por isso o MEF publica o resultado com e sem ele, e a manchete é sem: em 2018, com o dinheiro dentro, o déficit consolidado foi de 2,7% do PIB; sem ele, de 3,9%. Em novembro de 2025 veio uma segunda leva, pela Lei 20.209, de 2023: o FSS II, que recebe a poupança de quem desfez a opção pela AFAP da Lei 19.162 (os "cuarentones" dos comunicados). Foram UY$ 13,96 bilhões num mês só, 0,4% do PIB no ano. Todas as séries desta página são sem os ingressos dos dois fideicomissos.
Os juros do fideicomisso ficam na conta. O FSS aplica o dinheiro em títulos do governo, e o juro que o governo paga a ele é pagamento de um pedaço do setor público a outro. Até março de 2025 o MEF também descontava esse juro do número "sem cincuentones"; desde abril de 2025 deixou de descontar, por considerá-lo estrutural. A série inteira segue a regra atual, e por isso os anos até 2024 aparecem aqui um pouco menos deficitários do que o MEF anunciou na época: 2019 tem 4,2% do PIB aqui e 4,4% no comunicado de fechamento de 2020.
Por que trimestral. O BCU publica o PIB por trimestre. Cada ponto divide o resultado dos doze meses encerrados no trimestre pelo PIB nominal dos mesmos quatro trimestres. O MEF faz a conta todo mês com uma estimativa própria do PIB do ano, revista duas vezes por ano, e por isso o número do comunicado pode diferir deste em um ou dois décimos. A série começa no fim de 2016 porque o PIB da base atual do BCU (base 2016) começa em 2016; o da base anterior tem outro nível e não emenda sem quebra.
Pagamentos antecipados distorcem alguns pontos. Quando um feriado cai no começo do mês (Carnaval, Semana de Turismo, 1º de maio), o BPS e o governo pagam aposentadorias e salários do mês seguinte no último dia útil do anterior, e a janela de doze meses que pega só um dos dois meses fica com um pagamento a mais ou a menos. Nos doze meses até março de 2026, a série marca déficit de 5,8% do PIB; o MEF, sem o FSS II e sem os pagamentos de abril feitos em março, calculou 4,7%. Os pontos afetados levam nota, com os adiantamentos que os comunicados do MEF registram (o de março de 2016 e os de julho de 2019 em diante).
| Período | Resultado global | vs. período anterior |
|---|---|---|
| 2º tri 2026preliminar | −4,35% | +1,50 p.p. |
| 1º tri 2026preliminar | −5,84% | −1,04 p.p. |
| 4º tri 2025preliminar | −4,81% | −0,75 p.p. |
| 3º tri 2025preliminar | −4,06% | +0,43 p.p. |
| 2º tri 2025preliminar | −4,49% | −0,45 p.p. |
| 1º tri 2025preliminar | −4,04% | −0,01 p.p. |
| 4º tri 2024preliminar | −4,03% | 0,00 p.p. |
| 3º tri 2024preliminar | −4,03% | +0,06 p.p. |
| 2º tri 2024preliminar | −4,09% | −1,30 p.p. |
| 1º tri 2024preliminar | −2,79% | +0,88 p.p. |
| 4º tri 2023 | −3,67% | +0,62 p.p. |
| 3º tri 2023 | −4,30% | −0,45 p.p. |
| 2º tri 2023 | −3,84% | +0,83 p.p. |
| 1º tri 2023 | −4,67% | −1,43 p.p. |
| 4º tri 2022 | −3,25% | −0,86 p.p. |
| 3º tri 2022 | −2,39% | +0,35 p.p. |
| 2º tri 2022 | −2,74% | −0,46 p.p. |
| 1º tri 2022 | −2,28% | +1,56 p.p. |
| 4º tri 2021 | −3,83% | +0,96 p.p. |
| 3º tri 2021 | −4,79% | +0,11 p.p. |
| 2º tri 2021 | −4,91% | +1,77 p.p. |
| 1º tri 2021 | −6,67% | −0,97 p.p. |
| 4º tri 2020 | −5,71% | −0,53 p.p. |
| 3º tri 2020 | −5,17% | −0,18 p.p. |
| 2º tri 2020 | −4,99% | −0,42 p.p. |
| 1º tri 2020 | −4,57% | −0,33 p.p. |
| 4º tri 2019 | −4,23% | +0,16 p.p. |
| 3º tri 2019 | −4,39% | −0,08 p.p. |
| 2º tri 2019 | −4,31% | −0,19 p.p. |
| 1º tri 2019 | −4,13% | −0,27 p.p. |
| 4º tri 2018 | −3,85% | −0,38 p.p. |
| 3º tri 2018 | −3,47% | +0,28 p.p. |
| 2º tri 2018 | −3,75% | −0,72 p.p. |
| 1º tri 2018 | −3,02% | +0,19 p.p. |
| 4º tri 2017 | −3,22% | +0,12 p.p. |
| 3º tri 2017 | −3,34% | −0,16 p.p. |
| 2º tri 2017 | −3,18% | +0,18 p.p. |
| 1º tri 2017 | −3,36% | +0,01 p.p. |
| 4º tri 2016 | −3,37% | — |