O resultado do Gobierno Central Total chileno depois dos juros — receita menos despesa, incluindo o serviço da dívida —, em proporção ao PIB de cada ano.
Quanto o Gobierno Central Total chileno arrecadou a mais (ou a menos) do que gastou em cada ano, já contando os juros da dívida pública, em proporção ao PIB. A DIPRES chama esse número de "préstamo neto/endeudamiento neto" e o publica no Estado de Operaciones de Gobierno; positivo é superávit.
Décadas de superávit, quebradas pela crise financeira e pela pandemia. De 1990 a 2008 o Chile fechou a maioria dos anos no azul — o ponto alto foi 2007, com mais de 8% do PIB de superávit, no auge do preço do cobre. A crise de 2009 e a pandemia de 2020 marcam os dois maiores déficits da série (mais de 5% e mais de 7% do PIB); desde então o resultado não voltou a fechar positivo, e 2025 marcou −2,802% do PIB.
Sem os juros, chega-se ao resultado primário — uma aproximação, porque a DIPRES desconta também a receita de juros do governo, que não está numa série pública separada. O balanço ajustado pelo ciclo do cobre é o que a regra fiscal chilena mira, e costuma vir mais negativo do que este.
O que entra na conta. O Gobierno Central Total: os ministérios e serviços do orçamento (Gobierno Central Presupuestario) mais os fundos e organismos extraorçamentários (o Fondo de Estabilización Económica y Social, o Fondo de Reserva de Pensiones, entre outros). Municípios ficam de fora — a DIPRES não publica um consolidado com eles, diferente do Banco Central do Brasil, que apura o setor público inteiro. Base devengado (o MEFP 2014 do FMI): a receita e a despesa contam quando o fato acontece, não quando o dinheiro entra ou sai.
A economia chilena depende do preço do cobre, e a conta fiscal também. Metade do cobre é minerado pela estatal Codelco, e o imposto sobre a mineração privada soma outra fatia — nos anos de preço alto (2021), o cobre bruto chegou perto de 4% do PIB em receita; nos de preço baixo, quase zero. Uma parte do resultado muda todo ano só porque o preço do metal mudou, sem que o governo tenha gastado ou cortado nada — é o que o balanço estrutural tenta isolar.
A regra fiscal chilena mira o balanço estrutural, não o efetivo. Desde 2001 o Chile define uma meta anual de balanço estrutural (hoje, um caminho de redução gradual do déficit) em vez de uma meta de resultado efetivo — a ideia, copiada por outros países da região depois, é que o governo possa gastar mais nos anos de cobre caro e menos nos de cobre barato sem que a meta fiscal mude com o preço do metal. A regra teve uma cláusula de escape em 2020–2021, suspensa durante a pandemia.
| Período | Resultado financeiro | vs. período anterior |
|---|---|---|
| 2025 | −2,80% | +0,06 p.p. |
| 2024 | −2,86% | −0,48 p.p. |
| 2023 | −2,38% | −3,51 p.p. |
| 2022 | 1,13% | +8,85 p.p. |
| 2021 | −7,72% | −0,45 p.p. |
| 2020 | −7,27% | −4,40 p.p. |
| 2019 | −2,87% | −1,21 p.p. |
| 2018 | −1,66% | +1,09 p.p. |
| 2017 | −2,76% | −0,04 p.p. |
| 2016 | −2,72% | −0,57 p.p. |
| 2015 | −2,15% | −0,52 p.p. |
| 2014 | −1,63% | −1,03 p.p. |
| 2013 | −0,60% | −1,16 p.p. |
| 2012 | 0,56% | −0,72 p.p. |
| 2011 | 1,28% | +1,74 p.p. |
| 2010 | −0,45% | +3,91 p.p. |
| 2009 | −4,37% | −8,25 p.p. |
| 2008 | 3,89% | −3,94 p.p. |
| 2007 | 7,82% | +0,47 p.p. |
| 2006 | 7,35% | +2,94 p.p. |
| 2005 | 4,41% | +2,35 p.p. |
| 2004 | 2,06% | +2,50 p.p. |
| 2003 | −0,44% | +0,75 p.p. |
| 2002 | −1,19% | −0,67 p.p. |
| 2001 | −0,51% | +0,12 p.p. |
| 2000 | −0,63% | +1,42 p.p. |
| 1999 | −2,06% | −2,46 p.p. |
| 1998 | 0,40% | −1,57 p.p. |
| 1997 | 1,97% | −0,14 p.p. |
| 1996 | 2,12% | −0,89 p.p. |
| 1995 | 3,00% | +1,56 p.p. |
| 1994 | 1,44% | +0,09 p.p. |
| 1993 | 1,36% | −0,68 p.p. |
| 1992 | 2,04% | +0,52 p.p. |
| 1991 | 1,51% | −0,79 p.p. |
| 1990 | 2,30% | — |