O resultado do Gobierno Central Total chileno descontado o efeito do ciclo do cobre e da atividade sobre a receita — o número que a regra fiscal chilena usa como meta, em proporção ao PIB.
O balanço efetivo do Gobierno Central Total chileno, descontado o "efeito cíclico": a parte da receita tributária e de cobre que sobe ou desce só porque a economia ou o preço do metal estão acima ou abaixo do seu nível de tendência. É o Balance Cíclicamente Ajustado (BCA) da DIPRES, e é o número que a regra fiscal chilena persegue desde 2001, não o resultado efetivo.
Positivo até a crise financeira, negativo desde então. A série começa com superávit estrutural (1,1% do PIB em 2001); o pior ano foi 2021, com −10,6% do PIB, no auge do gasto de pandemia financiado por saques dos fundos de pensão e retiradas extraordinárias; 2025 fechou em −3,675%, acima da meta do governo para aquele ano.
A base de cálculo muda ao longo da série. Cada ano é calculado com as Contas Nacionais vigentes quando foi fechado — base 2003 até 2007, 2008 até 2012, 2013 até 2017, 2018 daí em diante —, e por isso o denominador não é exatamente o mesmo do resultado financeiro, que usa sempre o PIB mais recente. Desde 2024, a metodologia também aplica um "ajuste prudencial" à receita de lítio (Decreto 346/2023), separando a parte considerada estrutural da cíclica.
O que entra na conta. O Gobierno Central Total: os ministérios e serviços do orçamento (Gobierno Central Presupuestario) mais os fundos e organismos extraorçamentários (o Fondo de Estabilización Económica y Social, o Fondo de Reserva de Pensiones, entre outros). Municípios ficam de fora — a DIPRES não publica um consolidado com eles, diferente do Banco Central do Brasil, que apura o setor público inteiro. Base devengado (o MEFP 2014 do FMI): a receita e a despesa contam quando o fato acontece, não quando o dinheiro entra ou sai.
A economia chilena depende do preço do cobre, e a conta fiscal também. Metade do cobre é minerado pela estatal Codelco, e o imposto sobre a mineração privada soma outra fatia — nos anos de preço alto (2021), o cobre bruto chegou perto de 4% do PIB em receita; nos de preço baixo, quase zero. Uma parte do resultado muda todo ano só porque o preço do metal mudou, sem que o governo tenha gastado ou cortado nada — é o que o balanço estrutural tenta isolar.
A regra fiscal chilena mira o balanço estrutural, não o efetivo. Desde 2001 o Chile define uma meta anual de balanço estrutural (hoje, um caminho de redução gradual do déficit) em vez de uma meta de resultado efetivo — a ideia, copiada por outros países da região depois, é que o governo possa gastar mais nos anos de cobre caro e menos nos de cobre barato sem que a meta fiscal mude com o preço do metal. A regra teve uma cláusula de escape em 2020–2021, suspensa durante a pandemia.
| Período | Balanço estrutural | vs. período anterior |
|---|---|---|
| 2025 | −3,67% | −0,33 p.p. |
| 2024 | −3,34% | −0,53 p.p. |
| 2023 | −2,81% | −3,30 p.p. |
| 2022 | 0,49% | +11,12 p.p. |
| 2021 | −10,63% | −7,97 p.p. |
| 2020 | −2,66% | −1,22 p.p. |
| 2019 | −1,44% | −0,04 p.p. |
| 2018 | −1,40% | +0,63 p.p. |
| 2017 | −2,03% | −0,95 p.p. |
| 2016 | −1,08% | −1,56 p.p. |
| 2015 | 0,48% | +0,98 p.p. |
| 2014 | −0,50% | +0,01 p.p. |
| 2013 | −0,52% | −0,15 p.p. |
| 2012 | −0,37% | +0,63 p.p. |
| 2011 | −1,00% | +1,05 p.p. |
| 2010 | −2,06% | +1,34 p.p. |
| 2009 | −3,39% | −2,38 p.p. |
| 2008 | −1,01% | −2,10 p.p. |
| 2007 | 1,08% | −0,33 p.p. |
| 2006 | 1,41% | +0,28 p.p. |
| 2005 | 1,14% | +0,05 p.p. |
| 2004 | 1,09% | +0,24 p.p. |
| 2003 | 0,84% | −0,00 p.p. |
| 2002 | 0,85% | −0,29 p.p. |
| 2001 | 1,14% | — |