A fatia da população ativa que trabalha menos de 35 horas por semana sem querer, e gostaria de trabalhar mais.
Quem tem trabalho, mas pouco. A subocupação do INDEC conta os ocupados que trabalham menos de 35 horas por semana por motivos alheios à própria vontade e que querem e podem trabalhar mais, como fatia da população economicamente ativa — o mesmo denominador da taxa de desocupação.
Somar com o desemprego é legítimo aqui. Como as duas taxas dividem pelo mesmo denominador, desocupação mais subocupação dá a fatia da população ativa com trabalho de menos ou nenhum: 7,9% + 11,5% = 19,4% no 2º trimestre de 2026. O INDEC ainda separa os subocupados em demandantes, que procuram outro trabalho, e não demandantes, que não procuram — perto de 70% são demandantes.
Não é a subutilização do Brasil. O IBGE publica uma taxa composta que junta desocupados, subocupados (com linha de corte em 40 horas) e a força de trabalho potencial, sobre uma força de trabalho ampliada. O INDEC não publica medida equivalente, e esta série não deve ser posta ao lado daquela.
Para que serve. É onde aparece a precarização que a taxa de desocupação não vê. Depois do isolamento de 2020, a desocupação já caía enquanto a subocupação subia, até o pico da série, 15,1%, no 4º trimestre daquele ano: o trabalho voltava, mas em pedaços.
Só as cidades grandes. A EPH não é uma pesquisa do país inteiro: cobre os 31 aglomerados urbanos que o INDEC acompanha — as capitais das províncias e as maiores cidades, cerca de 30 milhões de pessoas, uns dois terços da população. Cidades pequenas e a zona rural ficam de fora. Quando o noticiário argentino diz "o desemprego no país", está falando deste recorte.
Cada ponto é um trimestre civil. O INDEC divulga a EPH uma vez por trimestre, uns 80 dias depois do fim dele — o 2º trimestre sai em setembro. A série não é dessazonalizada, e o primeiro trimestre costuma ter o desemprego mais alto do ano; a comparação que diz mais é com o mesmo trimestre do ano anterior.
Por que a série começa em 2016. A EPH contínua existe desde 2003, mas entre 2007 e 2015 o governo interveio no INDEC, e o próprio instituto pede que os dados desse período sejam considerados "com reservas" — as projeções de população por trás da expansão da amostra, por exemplo, estavam defasadas. Na emergência estatística de 2016 o 4º trimestre de 2015 e o 1º de 2016 não foram publicados. A série começa na primeira pesquisa depois da reconstrução, o 2º trimestre de 2016.
| Período | Subocupação | vs. período anterior |
|---|---|---|
| 2º tri 2026 | 11,5% | +0,4 p.p. |
| 1º tri 2026 | 11,1% | −0,2 p.p. |
| 4º tri 2025 | 11,3% | +0,4 p.p. |
| 3º tri 2025 | 10,9% | −0,7 p.p. |
| 2º tri 2025 | 11,6% | +1,6 p.p. |
| 1º tri 2025 | 10,0% | −1,3 p.p. |
| 4º tri 2024 | 11,3% | −0,1 p.p. |
| 3º tri 2024 | 11,4% | −0,4 p.p. |
| 2º tri 2024 | 11,8% | +1,6 p.p. |
| 1º tri 2024 | 10,2% | −0,3 p.p. |
| 4º tri 2023 | 10,5% | +0,2 p.p. |
| 3º tri 2023 | 10,3% | −0,3 p.p. |
| 2º tri 2023 | 10,6% | +1,2 p.p. |
| 1º tri 2023 | 9,4% | −1,5 p.p. |
| 4º tri 2022 | 10,9% | −0,1 p.p. |
| 3º tri 2022 | 11,0% | −0,1 p.p. |
| 2º tri 2022 | 11,1% | +1,1 p.p. |
| 1º tri 2022 | 10,0% | −2,1 p.p. |
| 4º tri 2021 | 12,1% | −0,1 p.p. |
| 3º tri 2021 | 12,2% | −0,2 p.p. |
| 2º tri 2021 | 12,4% | +0,5 p.p. |
| 1º tri 2021 | 11,9% | −3,2 p.p. |
| 4º tri 2020 | 15,1% | +1,7 p.p. |
| 3º tri 2020 | 13,4% | +3,8 p.p. |
| 2º tri 2020 | 9,6% | −2,1 p.p. |
| 1º tri 2020 | 11,7% | −1,4 p.p. |
| 4º tri 2019 | 13,1% | +0,3 p.p. |
| 3º tri 2019 | 12,8% | −0,3 p.p. |
| 2º tri 2019 | 13,1% | +1,3 p.p. |
| 1º tri 2019 | 11,8% | −0,2 p.p. |
| 4º tri 2018 | 12,0% | +0,2 p.p. |
| 3º tri 2018 | 11,8% | +0,6 p.p. |
| 2º tri 2018 | 11,2% | +1,4 p.p. |
| 1º tri 2018 | 9,8% | −0,4 p.p. |
| 4º tri 2017 | 10,2% | −0,6 p.p. |
| 3º tri 2017 | 10,8% | −0,2 p.p. |
| 2º tri 2017 | 11,0% | +1,1 p.p. |
| 1º tri 2017 | 9,9% | −0,4 p.p. |
| 4º tri 2016 | 10,3% | +0,1 p.p. |
| 3º tri 2016 | 10,2% | −1,0 p.p. |
| 2º tri 2016 | 11,2% | — |