O resultado do governo nacional depois de pagar os juros da dívida — o "déficit cero" do governo Milei —, em quatro trimestres e em % do PIB.
O resultado primário menos os juros pagos da dívida pública, nos doze meses encerrados em cada trimestre e em proporção ao PIB. É o que no Brasil se chama resultado nominal: acima de zero, o governo nacional fechou as contas sem precisar de dívida nova.
É a meta do governo. Na Argentina o equilíbrio financeiro, e não o primário, virou o compromisso político: o "déficit cero" anunciado em dezembro de 2023 e mantido desde então. Até 2023 a série não fecha um ano no azul; em 2024 marcou superávit de 0,3% do PIB, o primeiro desde 2008, e em 2025, 0,2%.
Por que a distância para o primário é pequena. A conta de juros do governo nacional argentino ficou perto de 1,5% do PIB em 2024, bem abaixo da brasileira, que passa de 6%: a dívida reestruturada em 2020 paga cupons baixos, e boa parte da dívida em pesos capitaliza juros, que na base caixa só entram no vencimento.
O que entra na conta. O Setor Público Nacional: a administração central (o Tesouro), os organismos descentralizados, a previdência (ANSES), o PAMI, os fundos fiduciários e as empresas públicas nacionais. As províncias e os municípios ficam de fora — cada uma tem orçamento próprio e a soma delas não sai todo mês. É uma diferença grande em relação ao número do Brasil, que o Banco Central apura para o setor público inteiro.
Sem lucro do Banco Central na receita. Desde a metodologia de 2017 a Hacienda deixa fora da receita os lucros que o Banco Central (BCRA) transfere ao Tesouro e a renda dos ativos do fundo da previdência (FGS) aplicados em outros órgãos públicos. Antes disso, essas transferências engordavam o resultado sem que o governo arrecadasse um peso a mais. A série começa em 2015 porque é o primeiro ano que a Hacienda reconstruiu com a regra nova.
Base caixa: conta quando o dinheiro sai. Um pagamento adiado para o mês seguinte melhora o resultado do mês em que deixou de ser feito, e o juro de um título que capitaliza (as LECAP do Tesouro) só aparece quando o título vence e é pago. Os dois efeitos foram apontados nas críticas ao superávit de 2024; nenhum aparece nesta série.
| Período | Resultado financeiro | vs. período anterior |
|---|---|---|
| 2º tri 2026 | −0,02% | −0,22 p.p. |
| 1º tri 2026 | 0,21% | +0,03 p.p. |
| 4º tri 2025 | 0,17% | −0,20 p.p. |
| 3º tri 2025 | 0,37% | +0,06 p.p. |
| 2º tri 2025 | 0,31% | +0,02 p.p. |
| 1º tri 2025 | 0,29% | −0,01 p.p. |
| 4º tri 2024 | 0,30% | +0,55 p.p. |
| 3º tri 2024 | −0,24% | +0,48 p.p. |
| 2º tri 2024 | −0,72% | +1,44 p.p. |
| 1º tri 2024 | −2,16% | +2,18 p.p. |
| 4º tri 2023 | −4,34% | −0,17 p.p. |
| 3º tri 2023 | −4,17% | +0,10 p.p. |
| 2º tri 2023 | −4,27% | −0,09 p.p. |
| 1º tri 2023 | −4,18% | −0,37 p.p. |
| 4º tri 2022 | −3,81% | +0,15 p.p. |
| 3º tri 2022 | −3,96% | +0,02 p.p. |
| 2º tri 2022 | −3,98% | −0,26 p.p. |
| 1º tri 2022 | −3,72% | −0,12 p.p. |
| 4º tri 2021 | −3,60% | −0,67 p.p. |
| 3º tri 2021 | −2,93% | +1,60 p.p. |
| 2º tri 2021 | −4,53% | +2,61 p.p. |
| 1º tri 2021 | −7,14% | +1,29 p.p. |
| 4º tri 2020 | −8,43% | −0,18 p.p. |
| 3º tri 2020 | −8,24% | −1,12 p.p. |
| 2º tri 2020 | −7,13% | −2,73 p.p. |
| 1º tri 2020 | −4,39% | −0,59 p.p. |
| 4º tri 2019 | −3,80% | +0,31 p.p. |
| 3º tri 2019 | −4,11% | +0,20 p.p. |
| 2º tri 2019 | −4,32% | +0,38 p.p. |
| 1º tri 2019 | −4,69% | +0,24 p.p. |
| 4º tri 2018 | −4,94% | −0,17 p.p. |
| 3º tri 2018 | −4,77% | +0,26 p.p. |
| 2º tri 2018 | −5,02% | +0,64 p.p. |
| 1º tri 2018 | −5,67% | +0,23 p.p. |
| 4º tri 2017 | −5,90% | −0,36 p.p. |
| 3º tri 2017 | −5,54% | +0,38 p.p. |
| 2º tri 2017 | −5,92% | −0,45 p.p. |
| 1º tri 2017 | −5,47% | +0,30 p.p. |
| 4º tri 2016 | −5,77% | −0,44 p.p. |
| 3º tri 2016 | −5,33% | −0,37 p.p. |
| 2º tri 2016 | −4,96% | −0,14 p.p. |
| 1º tri 2016 | −4,83% | +0,27 p.p. |
| 4º tri 2015 | −5,10% | — |