A taxa básica de juros do euro: o que o BCE paga aos bancos por deixarem reservas de um dia para o outro nele. Desde 2024 é ela, não a de refinanciamento, que ancora o mercado.
A taxa básica de juros da Alemanha e dos outros dezenove países do euro — desde 1999, a Alemanha não fixa a própria. O Conselho do BCE decide a taxa da facilidade de depósito (DFR, deposit facility rate): o que um banco da zona do euro ganha por deixar dinheiro de um dia para o outro no BCE, em vez de emprestá-lo a outro banco. É a manchete desta família e, desde a reforma de 2024, a taxa que de fato ancora o mercado — ver abaixo.
Por que a de depósito, e não a de refinanciamento. Até 2008 quem ancorava o mercado interbancário era o MRO, a taxa de empréstimo do BCE aos bancos: o sistema operava com escassez de reservas, e os bancos tomavam emprestado toda semana. Depois da crise de 2008 o BCE inundou o sistema de reservas — primeiro com liquidez ilimitada, depois com a compra de ativos —, e um banco com sobra de caixa deixou de ter por que emprestar abaixo do que o próprio BCE paga para guardar o dinheiro: a taxa de depósito virou o piso efetivo do mercado. Em 13 de março de 2024 o BCE reconheceu isso e estreitou o corredor: o MRO, que pagava 0,50 ponto acima da taxa de depósito, passou a pagar só 0,15 ponto acima dela, com efeito em 18 de setembro de 2024.
Cada linha desta série é uma mudança, não uma reunião. Quem decide. O Conselho do BCE (Banco Central Europeu, sediado em Frankfurt): os seis membros da Diretoria mais os presidentes dos vinte bancos centrais nacionais do euro — o Bundesbank é um deles, sem voto próprio sobre a política monetária desde que a Alemanha entrou no euro, em 1999. São oito reuniões de política monetária por ano, com calendário público; a decisão sai às 14h15 de Frankfurt, num comunicado curto, e a presidente do BCE dá entrevista quarenta e cinco minutos depois.
Para que ela serve. O BCE tem mandato único, fixado pelo Tratado da União Europeia: estabilidade de preços, hoje definida como 2% de inflação ao ano no médio prazo, medida pelo HICP (o índice de preços harmonizado da zona do euro). Diferente do Fed americano, que também mira o emprego, o BCE não pesa desemprego na decisão — ele só entra pela porta dos fundos, como parte do que afeta a inflação futura.
O período de juro negativo. De junho de 2014 a julho de 2022 a taxa de depósito ficou abaixo de zero — o fundo foi -0,50%, de setembro de 2019 a julho de 2022 —, a resposta do BCE a quase uma década de inflação abaixo da meta depois da crise da dívida do euro. Um banco que deixava reservas no BCE pagava por isso, em vez de receber: o objetivo era empurrá-lo a emprestar, não a guardar. Subiu 4,5 pontos entre julho de 2022 e setembro de 2023, a reação mais rápida da história do euro à inflação da pandemia e da guerra na Ucrânia, cortou 2 pontos entre meados de 2024 e junho de 2025 e, com a guerra no Oriente Médio pressionando os preços, voltou a subir em 2026, para 2,50%.
A referência brasileira mais próxima é a meta Selic, com uma diferença: o Brasil mira a inflação de um país; o BCE, de vinte, com ciclos econômicos que nem sempre coincidem — a taxa que serve à Alemanha também serve à Itália e à Irlanda.
| Período | Taxa de depósito do BCE | vs. período anterior |
|---|---|---|
| 16/09/2026 | 2,50% | +0,25 p.p. |
| 17/06/2026 | 2,25% | +0,25 p.p. |
| 11/06/2025 | 2,00% | −0,25 p.p. |
| 23/04/2025 | 2,25% | −0,25 p.p. |
| 12/03/2025 | 2,50% | −0,25 p.p. |
| 05/02/2025 | 2,75% | −0,25 p.p. |
| 18/12/2024 | 3,00% | −0,25 p.p. |
| 23/10/2024 | 3,25% | −0,25 p.p. |
| 18/09/2024 | 3,50% | −0,25 p.p. |
| 12/06/2024 | 3,75% | −0,25 p.p. |
| 20/09/2023 | 4,00% | +0,25 p.p. |
| 02/08/2023 | 3,75% | +0,25 p.p. |
| 21/06/2023 | 3,50% | +0,25 p.p. |
| 10/05/2023 | 3,25% | +0,25 p.p. |
| 22/03/2023 | 3,00% | +0,50 p.p. |
| 08/02/2023 | 2,50% | +0,50 p.p. |
| 21/12/2022 | 2,00% | +0,50 p.p. |
| 02/11/2022 | 1,50% | +0,75 p.p. |
| 14/09/2022 | 0,75% | +0,75 p.p. |
| 27/07/2022 | 0,00% | +0,50 p.p. |
| 18/09/2019 | −0,50% | −0,10 p.p. |
| 16/03/2016 | −0,40% | −0,10 p.p. |
| 09/12/2015 | −0,30% | −0,10 p.p. |
| 10/09/2014 | −0,20% | −0,10 p.p. |
| 11/06/2014 | −0,10% | −0,10 p.p. |
| 13/11/2013 | 0,00% | 0,00 p.p. |
| 08/05/2013 | 0,00% | 0,00 p.p. |
| 11/07/2012 | 0,00% | −0,25 p.p. |
| 14/12/2011 | 0,25% | −0,25 p.p. |
| 09/11/2011 | 0,50% | −0,25 p.p. |
| 13/07/2011 | 0,75% | +0,25 p.p. |
| 13/04/2011 | 0,50% | +0,25 p.p. |
| 13/05/2009 | 0,25% | 0,00 p.p. |
| 08/04/2009 | 0,25% | −0,25 p.p. |
| 11/03/2009 | 0,50% | −0,50 p.p. |
| 21/01/2009 | 1,00% | −1,00 p.p. |
| 10/12/2008 | 2,00% | −0,75 p.p. |
| 12/11/2008 | 2,75% | −0,50 p.p. |
| 15/10/2008 | 3,25% | 0,00 p.p. |
| 09/10/2008 | 3,25% | +0,50 p.p. |
| 08/10/2008 | 2,75% | −0,50 p.p. |
| 09/07/2008 | 3,25% | +0,25 p.p. |
| 13/06/2007 | 3,00% | +0,25 p.p. |
| 14/03/2007 | 2,75% | +0,25 p.p. |
| 13/12/2006 | 2,50% | +0,25 p.p. |
| 11/10/2006 | 2,25% | +0,25 p.p. |
| 09/08/2006 | 2,00% | +0,25 p.p. |
| 15/06/2006 | 1,75% | +0,25 p.p. |
| 08/03/2006 | 1,50% | +0,25 p.p. |
| 06/12/2005 | 1,25% | +0,25 p.p. |
| 06/06/2003 | 1,00% | −0,50 p.p. |
| 07/03/2003 | 1,50% | −0,25 p.p. |
| 06/12/2002 | 1,75% | −0,50 p.p. |
| 09/11/2001 | 2,25% | −0,50 p.p. |
| 18/09/2001 | 2,75% | −0,50 p.p. |
| 31/08/2001 | 3,25% | −0,25 p.p. |
| 11/05/2001 | 3,50% | −0,25 p.p. |
| 06/10/2000 | 3,75% | +0,25 p.p. |
| 01/09/2000 | 3,50% | +0,25 p.p. |
| 28/06/2000 | 3,25% | 0,00 p.p. |
| 09/06/2000 | 3,25% | +0,50 p.p. |
| 28/04/2000 | 2,75% | +0,25 p.p. |
| 17/03/2000 | 2,50% | +0,25 p.p. |
| 04/02/2000 | 2,25% | +0,25 p.p. |
| 05/11/1999 | 2,00% | +0,50 p.p. |
| 09/04/1999 | 1,50% | −0,50 p.p. |
| 22/01/1999 | 2,00% | −0,75 p.p. |
| 04/01/1999 | 2,75% | +0,75 p.p. |
| 01/01/1999 | 2,00% | — |