Quem é Silas Câmara
Silas Câmara é deputado federal pelo Amazonas, filiado ao Republicanos, e pastor da Assembleia de Deus. Nasceu em 15 de dezembro de 1962 em Rio Branco, no Acre, filho de Severo Câmara e Terezinha Duarte Câmara, e construiu toda a carreira política no Amazonas. Está na Câmara dos Deputados desde 1º de fevereiro de 1999, o que soma sete mandatos consecutivos — da 51ª à 57ª legislatura. O portal da Câmara registra sua profissão como empresário e sua escolaridade como superior.
É uma das principais lideranças da Frente Parlamentar Evangélica (FPE), que já presidiu mais de uma vez, e sua família está ligada à Rede Boas Novas, grupo de comunicação de perfil evangélico com sede no Amazonas. Ao longo do mandato acumulou também investigações e processos, incluindo um acordo de não persecução penal firmado com a Procuradoria-Geral da República em 2022 e uma cassação decretada pelo Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas em 2024, que ainda depende de decisão final da Justiça Eleitoral.
Câmara é pastor e presbítero da Assembleia de Deus e atua politicamente no Amazonas, embora seja natural do Acre. Chegou à Câmara dos Deputados em 1999 e foi reeleito em todas as eleições seguintes, sempre pelo Amazonas.
Sua trajetória partidária é longa: assumiu o primeiro mandato pelo PL, passou por PTB (2003 e 2007), PAN e PSC (2007), PSD (2011), PRB (2016) e permaneceu na sigla depois que ela se transformou em Republicanos, em 2019. O registro biográfico da Câmara lista ainda passagens anteriores por PMDB e outras legendas.
Na Casa, foi vice-líder de partidos e blocos em diferentes períodos e presidiu comissões permanentes: a Comissão de Integração Nacional e Desenvolvimento Regional (2009–2010), a Comissão de Minas e Energia (2019–2021) e a Comissão de Comunicação (2024–2025). Também foi presidente da Comissão de Desenvolvimento Urbano (2004–2005) e vice-presidente da Comissão de Ciência, Tecnologia e Inovação em várias legislaturas.
Esposa, filhos e vida pessoal
Silas Câmara foi casado com Antônia Lúcia, também deputada federal, eleita pelo Acre e igualmente filiada ao Republicanos. O casamento durou cerca de 33 anos.
Em dezembro de 2025, Antônia Lúcia anunciou publicamente a separação em publicações no Instagram, nas quais afirmou que havia entrado na Justiça e que o divórcio seria litigioso. Nas mesmas publicações fez acusações de infidelidade contra o então marido.
Silas Câmara respondeu por nota pública, negando as acusações. Afirmou que "traições, libertinagem ou qualquer coisa nesse sentido" não condizem com sua conduta, disse que o casal já estava separado havia alguns meses e classificou o período como um dos mais dolorosos de sua vida.
Em dezembro de 2025, a Justiça do Amazonas determinou que Antônia Lúcia deixasse de publicar acusações pessoais contra o ex-marido, removesse o conteúdo já postado e passasse a se comunicar com ele apenas por meio de advogados. A decisão considerou que as publicações extrapolaram os limites do interesse público.
Entre os filhos citados publicamente estão Milena Ramos Câmara, apontada em reportagens como sócia majoritária da Rede Boas Novas de Televisão, e Heber Câmara, mencionado nos trabalhos da CPMI do INSS. O irmão do deputado é o pastor Samuel Câmara, presidente da Assembleia de Deus em Belém e do Conselho Geral da Convenção da Assembleia de Deus no Brasil (CADB), além de presidente da Rede Boas Novas.
Bancada evangélica
Câmara é um dos nomes centrais da Frente Parlamentar Evangélica do Congresso Nacional, a chamada bancada evangélica. Assumiu a presidência do grupo mais de uma vez, em rodízio com o deputado Eli Borges (PL-TO) durante a 57ª legislatura — o revezamento previa períodos alternados de comando entre os dois.
Ele pertence à ala mais antiga da Assembleia de Deus, conhecida como Missão ou Belém, e é descrito na cobertura política como uma liderança de perfil conciliador, com mais abertura ao diálogo com o governo do que outros nomes da frente. Ao assumir o comando da FPE, afirmou que o grupo manteria independência em relação ao governo federal.
Atuação legislativa
O projeto mais associado ao nome de Silas Câmara é o PL 5.829/2019, de sua autoria, que instituiu o marco legal da microgeração e minigeração distribuída, o Sistema de Compensação de Energia Elétrica (SCEE) e o Programa de Energia Renovável Social. A proposta foi apresentada em 5 de novembro de 2019 e transformada em norma jurídica — a Lei 14.300, de 2022.
Suas comissões refletem essa área de atuação: Minas e Energia, Comunicação, Ciência e Tecnologia, Integração Nacional e Desenvolvimento Regional e a Comissão da Amazônia e dos Povos Originários e Tradicionais. Em 2022 integrou a comissão externa criada para acompanhar a apuração do desaparecimento do indigenista Bruno Pereira e do jornalista Dom Phillips no Vale do Javari.
Em votações de repercussão nacional, votou a favor da reforma trabalhista em abril de 2017 e, em agosto e outubro do mesmo ano, votou contra a abertura das denúncias apresentadas pela Procuradoria-Geral da República contra o então presidente Michel Temer.
Em 2020 foi agraciado com a Ordem de Rio Branco no grau de Grande Oficial.
Rede Boas Novas
A família Câmara está ligada à Rede Boas Novas, grupo de comunicação evangélico com rádios e televisão associado à Assembleia de Deus. Samuel Câmara, irmão do deputado, preside a rede; Milena Ramos Câmara, sua filha, é apontada como sócia majoritária da empresa de televisão.
A Fundação Boas Novas, vinculada ao grupo, foi objeto do inquérito 3.092, que apurou suposta corrupção eleitoral passiva — a suspeita era de captação de votos entre pessoas atendidas por cursos e oficinas da fundação, que teria recebido recursos de emendas parlamentares propostas pelo próprio deputado por meio de convênio com a Secretaria de Cultura do Amazonas. Um convênio de R$ 100 mil, assinado em 2009 para a realização de um evento de batismo na Ponta Negra, foi considerado irregular pelo Tribunal de Contas do Estado do Amazonas em novembro de 2011.
Cassação do mandato pelo TRE-AM
Em 31 de janeiro de 2024, o Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas cassou o mandato de Silas Câmara por captação ilícita de recursos e abuso de poder econômico na campanha de 2022. O placar foi de quatro votos a dois.
A representação partiu do Ministério Público Eleitoral e tratava do fretamento de quatro aeronaves durante a campanha. Segundo o órgão, as despesas com os voos somaram cerca de R$ 396,5 mil, o equivalente a 12,73% dos R$ 3,1 milhões arrecadados para a reeleição, e parte dos gastos não teria tido finalidade eleitoral.
A defesa alegou vício processual e anunciou recurso ao Tribunal Superior Eleitoral, a quem cabe a palavra final. Enquanto o recurso não é julgado, o deputado permanece no cargo: em setembro de 2026, o portal da Câmara ainda o registrava como titular em exercício pelo Amazonas.
Peculato, rachadinha e o acordo com a PGR
Silas Câmara respondeu à Ação Penal 864 no Supremo Tribunal Federal, na qual a Procuradoria-Geral da República o acusou de desviar recursos da Câmara destinados ao pagamento de assessores — a chamada "rachadinha" — em 2000 e 2001, e de nomear como servidores públicos empregados que prestavam serviços particulares.
No julgamento pelo Plenário, o relator, ministro Luís Roberto Barroso, votou pela condenação por peculato a uma pena de cinco anos e três meses de prisão, mas a análise foi suspensa por pedido de vista. Em 1º de dezembro de 2022, um dia antes da prescrição, a PGR e o parlamentar protocolaram um acordo de não persecução penal, homologado por Barroso no mesmo dia: Câmara confessou o crime e se comprometeu a pagar multa de R$ 242 mil em até 30 dias.
Em 5 de maio de 2023, verificado o pagamento integral, Barroso extinguiu o processo, aplicando o artigo 28-A, parágrafo 13, do Código de Processo Penal, que prevê a extinção da punibilidade quando o acordo é cumprido.
Outras investigações
Falsificação de documentos. Em 2009, o STF recebeu por unanimidade denúncia do Ministério Público Federal contra o deputado pelos crimes de falsificação de documento público e uso de documento falso (Inquérito 1695). A apuração apontava incompatibilidades entre a numeração da segunda via de sua carteira de identidade e o ano de expedição declarado, além de divergências no CPF e no nome utilizado nos documentos. A defesa alegou que ele havia acrescentado o sobrenome materno "Duarte" em homenagem à mãe, sem intenção de causar dano a terceiros. Em novembro de 2010, o Supremo rejeitou por maioria os embargos da defesa, e ele passou a réu.
Empresas de ex-assessores. Em abril de 2014, a Mesa Diretora da Câmara recebeu pedido de investigação, apresentado pelo deputado Chico Alencar (PSOL) a partir de reportagens do Correio Braziliense, sobre contratos das empresas Cracia Assessoria, Direct Voice Marketing e Gráfica & Papelaria BSB com a cota parlamentar. Duas delas pertenciam a ex-assessores de Silas Câmara e receberam R$ 1,224 milhão do "cotão", dos quais R$ 204 mil pagos pelo próprio gabinete do deputado. Ele afirmou não ter relação com a atuação dos ex-assessores.
CPMI do INSS. Em 2025 e 2026, o nome de Silas Câmara apareceu nos trabalhos da comissão parlamentar mista de inquérito que apura descontos irregulares em benefícios do INSS. Segundo a apuração, ele apoiou um acordo entre o instituto e a Confederação Brasileira de Pescadores e Aquicultores (CBPA), entidade acusada de fraude, que recebeu R$ 221 milhões em repasses. Documentos enviados à CPMI indicam que empresas ligadas a familiares do deputado receberam R$ 1,8 milhão da confederação em contratos de serviços. O presidente da CBPA, Abraão Lincoln Ferreira da Cruz, foi preso em flagrante por falso testemunho durante uma sessão da comissão em novembro de 2025.
Eleição para a prefeitura de Manaus
Em 4 de junho de 2016, Silas Câmara oficializou a pré-candidatura à prefeitura de Manaus, pelo PRB, à frente da coligação "Somos Todos Manaus". No primeiro turno, realizado em 2 de outubro de 2016, ficou em terceiro lugar, com 115.770 votos, ou 11,17% dos votos válidos. Passaram ao segundo turno Arthur Virgílio Neto (PSDB), com 35,17%, e Marcelo Ramos (PR), com 24,86%.
Licença do mandato em 2026
Em 13 de abril de 2026, Silas Câmara licenciou-se do mandato em afastamento conjunto consecutivo: um dia de licença para tratamento de saúde e 120 dias de licença para tratar de interesse particular. Com o afastamento, a vaga foi ocupada pelo primeiro suplente, o vereador João Carlos.
Em nota, o deputado disse que a decisão abria espaço para novas lideranças políticas no Amazonas e a descreveu como etapa de um "projeto maior", afirmando que continuaria acompanhando as pautas do estado. A imprensa amazonense associou o movimento ao arranjo eleitoral do estado para 2026.
Ele reassumiu o mandato em 12 de agosto de 2026 e voltou a integrar comissões e a Bancada Negra da Câmara dos Deputados.
