Pesquisadores criam 'tesouras moleculares' via inteligência artificial
Cientistas da Universidade de Washington desenvolveram enzimas sintéticas capazes de cortar proteínas específicas com precisão atômica.
Pontos principais
- O estudo, publicado na revista Nature em 14 de outubro de 2026, foi liderado pelo Institute for Protein Design.
- As novas enzimas, chamadas de proteases, foram projetadas do zero utilizando métodos de deep learning.
- No caso das metaloproteases, o corte da proteína beta-amiloide, ligada ao Alzheimer, foi acelerado em 100 milhões de vezes.
- As proteases de cisteína apresentaram uma taxa de sucesso de 19% e demonstraram funcionamento dentro de células humanas vivas.
- Diferente de medicamentos convencionais que exigem doses elevadas, as enzimas agem de forma catalítica, permitindo tratamentos com doses menores.
- A tecnologia possibilita atacar proteínas anteriormente consideradas 'não medicáveis' por não possuírem locais de ligação para fármacos tradicionais.
Pesquisadores do Institute for Protein Design, da Universidade de Washington, alcançaram um marco no design de proteínas ao criar enzimas sintéticas que funcionam como tesouras moleculares programáveis. Utilizando modelos avançados de deep learning, a equipe desenvolveu proteases capazes de identificar e cortar sequências específicas de proteínas com precisão atômica. O avanço, liderado pelo diretor do instituto David Baker, marca a transição da área de simples modelagem estrutural para a criação de máquinas biológicas ativas.
Os resultados, detalhados em dois artigos publicados na revista Nature, demonstram que essas enzimas podem acelerar reações químicas em até 100 milhões de vezes em comparação com processos naturais. A capacidade de operar dentro de células vivas abre novas possibilidades terapêuticas para doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer e a esclerose lateral amiotrófica, ao permitir a degradação de proteínas malformadas que antes eram inacessíveis a terapias convencionais.
