ONU aprova resolução para substituir mapa de Mercator
Assembleia Geral da ONU aprova por 164 votos a 1 (dos EUA) a resolução que recomenda o uso mais amplo de projeções de área igual, como a Equal Earth, no lugar da Mercator, com seis abstenções ligadas sobretudo a objeções territoriais da Ucrânia.
Pontos principais
- A Assembleia Geral da ONU aprovou a resolução A/80/L.104, "Correct the map", por 164 votos a favor, 1 contra e 6 abstenções, no encerramento dos trabalhos substantivos do seu 80º período de sessões.
- O texto recomenda o uso mais amplo de projeções cartográficas de área igual, sobretudo a Equal Earth, preferida pela União Africana, em vez da projeção de Mercator (1569), em contextos educacionais, institucionais e tecnológicos.
- Apresentada pelo Togo em nome do Grupo dos Estados Africanos, a proposta associa a distorção de Mercator, que reduz visualmente a África, a uma perda de justiça cognitiva; o delegado togolês disse que "um mapa justo não muda a geografia do mundo, muda a forma como a vemos".
- Os Estados Unidos foram o único voto contrário: a representante americana chamou o texto de "craca" sobre o trabalho da ONU e disse que ele integra "um projeto ideológico muito mais amplo e radical".
- A Rússia apoiou a resolução, associando-a à luta contra o legado do colonialismo e à defesa de um mundo multipolar.
- Das seis abstenções (Estônia, Geórgia, Lituânia, Moldávia, Sérvia e Ucrânia), a da Ucrânia foi motivada pela forma como a Equal Earth retrata seu território ocupado pela Rússia, considerada "totalmente inaceitável" e incompatível com resoluções da Assembleia sobre a não reconhecimento da anexação da Crimeia em 2014.
- A União Europeia, pela voz da Irlanda, apoiou o objetivo do texto mas frisou que seu escopo está "estritamente limitado" a fins educacionais e não afeta questões de soberania, status territorial ou fronteiras reconhecidas dos Estados.
- A resolução não tem caráter vinculante.
As Nações Unidas aprovaram uma resolução para tentar corrigir as distorções de tamanho causadas pela projeção de Mercator, de 1569, que amplia visualmente o hemisfério norte e reduz a percepção de tamanho da África e de outras regiões próximas ao equador. A Assembleia Geral adotou o texto, Correct the Map (A/80/L.104), por 164 votos a favor, 1 contra e 6 abstenções, no encerramento dos trabalhos substantivos do seu 80º período de sessões. A proposta recomenda o uso mais amplo de projeções de área igual, sobretudo a Equal Earth, preferida pela União Africana, em contextos educacionais, institucionais e tecnológicos onde o tamanho comparativo dos continentes é relevante.
Apresentada pelo Togo em nome do Grupo dos Estados Africanos, a resolução liga a cartografia tradicional a uma perda histórica de justiça cognitiva. Um mapa justo não muda a geografia do mundo; muda a forma como a vemos, disse o delegado togolês, que também frisou que a proposta não é dirigida contra nenhuma nação, civilização ou tradição cartográfica. Os Estados Unidos rejeitaram o texto antes da votação como parte de um projeto ideológico muito mais amplo e radical; a Rússia manifestou apoio, associando a iniciativa à luta contra o legado do colonialismo.
As abstenções concentram-se no Leste Europeu: a Ucrânia objetou porque a Equal Earth retrata seu território ocupado pela Rússia de forma totalmente inaceitável. Já a União Europeia, pela voz da Irlanda, apoiou o objetivo do texto mas frisou que seu escopo está estritamente limitado a fins educacionais e não afeta questões de soberania, status territorial ou fronteiras reconhecidas dos Estados. A resolução não tem caráter vinculante.
