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ONU aprova resolução para adotar mapa-múndi com dimensões reais

Assembleia Geral da ONU vota a favor da projeção 'Terra Igual' para corrigir distorções históricas de tamanho entre continentes, com oposição dos EUA.

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Foto: G1 Mundo
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04/09 às 14:46, atualizado 05/09 às 01:31

Pontos principais

  • A Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou a resolução A/80/L.104, que incentiva a adoção de projeções cartográficas mais precisas.
  • A iniciativa, liderada pelo Togo e apoiada pela União Africana, recebeu 164 votos favoráveis.
  • Os Estados Unidos foram o único país a votar contra a medida, classificando-a como um projeto ideológico.
  • Seis países optaram pela abstenção durante a votação na Assembleia Geral.
  • A resolução visa substituir a projeção de Mercator, criticada por distorcer o tamanho de massas terrestres próximas aos polos.
  • O novo modelo recomendado, denominado 'Terra Igual', busca representar com fidelidade as dimensões reais da África e de outras regiões.
  • O documento afirma que distorções cartográficas históricas possuem impactos negativos em áreas educacionais, culturais e socioeconômicas.
  • A medida não é juridicamente vinculante e não altera o uso técnico da projeção de Mercator para navegação aérea ou marítima.
  • O governo do Togo planeja promover a adoção do novo mapa em instituições de ensino e empresas de tecnologia.

A Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou a resolução A/80/L.104, intitulada 'Corrija o mapa', que recomenda a transição de projeções cartográficas distorcidas para modelos que representem com maior precisão as dimensões geográficas dos continentes. A proposta, patrocinada pelo Togo e apoiada por mais de 50 Estados africanos, obteve 164 votos favoráveis, consolidando um esforço diplomático para combater o que os proponentes descrevem como vieses históricos que minimizam a representação visual da África no cenário global. O texto da resolução argumenta que tais distorções, herdadas de padrões cartográficos tradicionais, geram impactos cognitivos e geopolíticos significativos.

O centro da mudança é o afastamento da projeção de Mercator, amplamente utilizada desde o século XVI, que tende a ampliar áreas próximas aos polos e reduzir a escala de regiões equatoriais. Em substituição, a ONU incentiva o uso de modelos como a projeção 'Terra Igual', que preserva melhor as proporções relativas das massas de terra. Segundo os defensores da medida, a correção cartográfica é um passo necessário para promover a justiça e o desenvolvimento, garantindo que o mapa-múndi reflita a realidade geográfica do planeta de forma equitativa.

Os Estados Unidos foram a única nação a votar contra a resolução, caracterizando a iniciativa como um projeto ideológico radical. A postura americana reflete uma tendência recente de distanciamento do governo Trump em relação a diretrizes de órgãos internacionais, similar à saída do país da Unesco em 2025. Embora a resolução não possua caráter juridicamente vinculante e não interfira em protocolos de navegação marítima ou aérea, a decisão da ONU estabelece uma nova diretriz política que deve influenciar materiais didáticos e sistemas de mapeamento digital em escala global nos próximos anos.

Fonte primária

Assembleia Geral das Nações Unidas

A/80/L.104 — "Correct the map": rebalancing global cartographic representation and promoting equitable representation of the world's regions, particularly Africa

Resolução A/80/L.104, apresentada por Argélia, Angola, Bahamas e mais de 50 Estados africanos, afirma que as distorções cartográficas de tamanhos continentais herdadas da história têm impactos cognitivos, educacionais, culturais, geopolíticos e socioeconômicos e constituem vieses históricos cuja correção promove reconhecimento, justiça e desenvolvimento, particularmente para o continente africano. Reconhece que a projeção de Mercator, amplamente usada no mundo, distorce especialmente as massas continentais distantes do equador, resultando em encolhimento proporcional da África e de outras regiões. Declara que a projeção Equal Earth oferece representação mais precisa dos tamanhos das massas terrestres continentais. Incentiva Estados-membros, organizações internacionais e outras entidades relevantes a adotar, disseminar e usar a projeção Equal Earth e métodos de projeção de mapas de área equivalente onde o tamanho for crítico, e incentiva o desenvolvimento de padrões internacionais para representação mais precisa dos tamanhos dos continentes em ferramentas de mapeamento digitais e impressas. Convida UNESCO, PNUD, o Comitê de Especialistas em Gestão da Informação Geoespacial Global, o Escritório de Assuntos do Espaço Exterior e outras entidades da ONU a colaborar com organizações regionais, incluindo a União Africana, e a academia para promover padrões geoespaciais mais precisos, aprimorar currículos educacionais e fortalecer capacidades geoespaciais nacionais.

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