ONU aprova resolução para adotar mapa-múndi com dimensões reais
Assembleia Geral da ONU vota a favor da projeção 'Terra Igual' para corrigir distorções históricas de tamanho entre continentes, com oposição dos EUA.
Pontos principais
- A Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou a resolução A/80/L.104, que incentiva a adoção de projeções cartográficas mais precisas.
- A iniciativa, liderada pelo Togo e apoiada pela União Africana, recebeu 164 votos favoráveis.
- Os Estados Unidos foram o único país a votar contra a medida, classificando-a como um projeto ideológico.
- Seis países optaram pela abstenção durante a votação na Assembleia Geral.
- A resolução visa substituir a projeção de Mercator, criticada por distorcer o tamanho de massas terrestres próximas aos polos.
- O novo modelo recomendado, denominado 'Terra Igual', busca representar com fidelidade as dimensões reais da África e de outras regiões.
- O documento afirma que distorções cartográficas históricas possuem impactos negativos em áreas educacionais, culturais e socioeconômicas.
- A medida não é juridicamente vinculante e não altera o uso técnico da projeção de Mercator para navegação aérea ou marítima.
- O governo do Togo planeja promover a adoção do novo mapa em instituições de ensino e empresas de tecnologia.
A Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou a resolução A/80/L.104, intitulada 'Corrija o mapa', que recomenda a transição de projeções cartográficas distorcidas para modelos que representem com maior precisão as dimensões geográficas dos continentes. A proposta, patrocinada pelo Togo e apoiada por mais de 50 Estados africanos, obteve 164 votos favoráveis, consolidando um esforço diplomático para combater o que os proponentes descrevem como vieses históricos que minimizam a representação visual da África no cenário global. O texto da resolução argumenta que tais distorções, herdadas de padrões cartográficos tradicionais, geram impactos cognitivos e geopolíticos significativos.
O centro da mudança é o afastamento da projeção de Mercator, amplamente utilizada desde o século XVI, que tende a ampliar áreas próximas aos polos e reduzir a escala de regiões equatoriais. Em substituição, a ONU incentiva o uso de modelos como a projeção 'Terra Igual', que preserva melhor as proporções relativas das massas de terra. Segundo os defensores da medida, a correção cartográfica é um passo necessário para promover a justiça e o desenvolvimento, garantindo que o mapa-múndi reflita a realidade geográfica do planeta de forma equitativa.
Os Estados Unidos foram a única nação a votar contra a resolução, caracterizando a iniciativa como um projeto ideológico radical. A postura americana reflete uma tendência recente de distanciamento do governo Trump em relação a diretrizes de órgãos internacionais, similar à saída do país da Unesco em 2025. Embora a resolução não possua caráter juridicamente vinculante e não interfira em protocolos de navegação marítima ou aérea, a decisão da ONU estabelece uma nova diretriz política que deve influenciar materiais didáticos e sistemas de mapeamento digital em escala global nos próximos anos.
Fonte primária
Cobertura da mídia
'Projeto ideológico radical': por que os EUA foram o único país a votar contra mudança do mapa-múndi para corrigir distorções na ONU
G1 Mundo • 5 set, 01:00
ONU aprova novo mapa-múndi mais fiel ao tamanho real da África
BBC Brasil • 4 set, 23:57
UN General Assembly endorses a new world map that shows more accurately Africa's size
ABC News US World • 4 set, 21:19
