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EUA aceitam consultas na OMC sobre tarifas impostas ao Brasil

O governo americano concordou em discutir na OMC as sobretaxas de até 37,5% aplicadas a produtos brasileiros, enquanto a China solicitou participação no processo.

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Foto: Época Negócios
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10/08 às 11:33 · atualizado 19:05

Pontos principais

  • O governo dos Estados Unidos aceitou formalmente o pedido de consultas do Brasil na OMC.
  • A disputa contesta tarifas de 25% e 12,5% impostas sob a Seção 301 da legislação comercial americana.
  • O Brasil alega que as medidas são unilaterais, discriminatórias e violam regras do GATT de 1994.
  • As tarifas americanas foram justificadas por investigações sobre políticas brasileiras, incluindo questões ambientais e de propriedade intelectual.
  • A China solicitou ingresso nas consultas alegando interesse comercial substancial no caso.
  • Pequim argumenta que as medidas dos EUA sobre trabalho forçado também impactam suas exportações.
  • O processo de consultas é a primeira etapa do mecanismo de solução de controvérsias da OMC.
  • As partes têm um prazo de 60 dias para buscar uma solução negociada antes de um possível painel de arbitragem.
  • A eficácia do sistema é debatida devido à paralisia do Órgão de Apelação da OMC, iniciada em gestões anteriores de Donald Trump.

O governo dos Estados Unidos aceitou o pedido do Brasil para iniciar consultas formais no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre as recentes tarifas impostas a produtos brasileiros. A medida, que soma taxas de até 37,5%, foi implementada por Washington sob alegações de práticas desleais, questões ambientais e de propriedade intelectual. O Brasil contesta a legalidade das sobretaxas, classificando-as como unilaterais e inconsistentes com os compromissos multilaterais assumidos pelos EUA perante o Acordo Geral de Tarifas e Comércio (GATT). O governo brasileiro busca, por meio deste procedimento, reverter ou mitigar os impactos econômicos das barreiras comerciais impostas pelo governo Trump.

O processo de consultas representa a fase inicial do sistema de solução de controvérsias da OMC, servindo como uma tentativa diplomática de resolver o conflito antes da formação de um painel de especialistas. Durante este período de 60 dias, as missões diplomáticas dos dois países deverão definir uma data para o diálogo. Paralelamente, a China solicitou formalmente à organização a participação nas discussões. Pequim argumenta possuir um interesse comercial substancial na disputa, uma vez que as medidas americanas baseadas na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA também afetam produtos chineses, permitindo que o país acompanhe de perto os desdobramentos do caso.

A disputa ocorre em um cenário de fragilidade institucional da OMC, cujo Órgão de Apelação permanece paralisado devido a bloqueios iniciados durante o primeiro mandato de Donald Trump. Embora a aceitação das consultas não implique na suspensão imediata das tarifas ou em um recuo por parte da administração americana, o movimento é visto pelo Brasil como uma estratégia política para reforçar sua posição contra o unilateralismo comercial. O desfecho das negociações será determinante para definir se o caso avançará para instâncias mais rigorosas de arbitragem internacional.

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