Brasil prepara ação na OMC contra sobretaxas de 37,5% dos EUA
Governo contesta tarifas impostas pela gestão Trump, que causaram queda de 42% nas exportações de móveis e perda de 10 mil empregos no país.
Pontos principais
- O Brasil contesta a nova sobretaxa de 12,5% aplicada sob a Seção 301, que eleva a carga total para 37,5%.
- As tarifas impactaram 200 empresas brasileiras e resultaram no fechamento de 10 mil postos de trabalho.
- O governo brasileiro rejeita as alegações americanas sobre trabalho forçado, classificando-as como infundadas.
- O setor moveleiro, com foco em Santa Catarina, é o mais afetado pela medida protecionista.
- A eficácia da ação na OMC enfrenta limitações devido ao impasse institucional que trava o órgão desde 2019.
O governo brasileiro está estruturando uma nova ação junto à Organização Mundial do Comércio (OMC) para contestar o recente aumento de tarifas imposto pela gestão do presidente Donald Trump. A medida, fundamentada na Seção 301 da legislação americana sob a justificativa de combate ao trabalho forçado, elevou a sobretaxa acumulada sobre produtos brasileiros, como móveis, máquinas e calçados, para 37,5%. O governo brasileiro nega formalmente as acusações, buscando uma estratégia jurídica distinta para enfrentar o cenário atual. O impacto econômico já é severo, com o setor moveleiro registrando uma queda de 42% nas exportações para os Estados Unidos apenas no primeiro quadrimestre de 2026, afetando diretamente cerca de 200 empresas e resultando na perda de 10 mil postos de trabalho, com maior concentração de danos no estado de Santa Catarina. Paralelamente, o governo chinês também manifestou oposição a medidas similares de Washington, criticando o uso de barreiras unilaterais sob pretextos protecionistas. Embora o Brasil busque reparação, a eficácia do contencioso na OMC é vista com cautela por especialistas, dado o impasse institucional que impede a obrigatoriedade das decisões do órgão desde 2019. A Abimóvel, entidade que representa o setor moveleiro, reforça que o Brasil detém apenas 0,7% do mercado americano de móveis, o que torna a imposição das tarifas desproporcional frente aos grandes exportadores globais.
Comentários
Carregando comentários...
