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Brasil aciona OMC contra tarifas de até 37,5% impostas pelos EUA

O governo brasileiro formalizou um pedido de consultas na OMC para contestar sobretaxas americanas que impactam severamente setores exportadores nacionais.

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Foto: Folha de São Paulo - Mercado
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27/07 às 10:15 · atualizado 22:02

Pontos principais

  • O governo brasileiro questiona a legalidade de tarifas que somam 37,5% sobre produtos nacionais.
  • A medida é composta por uma sobretaxa de 25% via Seção 301 e um adicional de 12,5% sob alegações de trabalho forçado.
  • Setores como moveleiro, têxtil e de calçados relatam queda acentuada nas exportações e perda de postos de trabalho.
  • O Itamaraty alega que as barreiras violam acordos internacionais, incluindo o GATT 1994.
  • Empresas brasileiras enfrentam dificuldades para redirecionar produtos devido a exigências técnicas específicas do mercado americano.
  • A eficácia da ação na OMC é incerta devido ao impasse institucional que limita a obrigatoriedade das decisões do órgão desde 2019.

O governo brasileiro formalizou, junto à Organização Mundial do Comércio (OMC), um pedido de consultas para contestar as novas tarifas impostas pela administração de Donald Trump. A medida, que eleva a carga tributária sobre produtos brasileiros a até 37,5%, é classificada pelo Itamaraty como uma violação direta de acordos internacionais, como o GATT 1994. A estrutura tarifária é composta por uma sobretaxa de 25% baseada na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA e um adicional de 12,5% justificado por investigações americanas sobre supostas falhas no combate ao trabalho forçado, alegações que o Brasil rejeita formalmente. A ação marca um ponto crítico na diplomacia comercial entre os dois países em 2026. O impacto econômico tem sido severo para a indústria nacional, com setores como o moveleiro registrando uma queda de 42% nas exportações para os Estados Unidos apenas no primeiro quadrimestre do ano. A crise atinge diretamente polos produtivos em estados como Santa Catarina, São Paulo e Rio Grande do Sul, resultando em milhares de demissões e na perda de competitividade frente a concorrentes asiáticos. Para as pequenas e médias empresas, que dependem fortemente do mercado norte-americano, a situação impõe desafios logísticos e financeiros complexos. Especialistas apontam que a transição para mercados alternativos, como a União Europeia, é dificultada pelas exigências técnicas específicas dos EUA e pelo planejamento de longo prazo das coleções industriais. Embora o governo brasileiro busque uma solução diplomática e jurídica, a eficácia do contencioso na OMC enfrenta limitações institucionais significativas. Desde 2019, o órgão de solução de controvérsias lida com um impasse que compromete a obrigatoriedade de suas decisões, forçando o Itamaraty a desenhar uma estratégia jurídica distinta para mitigar os danos ao setor produtivo nacional.

Fontes primárias

Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (via @LulaOficial)

Nota à imprensa sobre a imposição de novas tarifas unilaterais dos EUA contra o Brasil

Em nota de 23/07/2026, o governo brasileiro rechaça a tarifa de 12,5% que os EUA impuseram com base em investigação da Seção 301 sobre trabalho forçado, classificando a medida como arbitrária e sem base legal interna nos EUA. A nota argumenta que o Brasil é signatário de 66 convenções da OIT (os EUA, apenas 10) e ratificou os quatro instrumentos da OIT sobre trabalho forçado (os EUA, só um), citando também a tipificação penal do trabalho forçado, jornadas exaustivas e condições degradantes, além da Lista Suja de empregadores. Anuncia que o governo "iniciará imediatamente os trâmites para acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade" e "levará o tema ao mecanismo de solução de controvérsias da OMC".

Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC)

Alcance das Medidas Tarifárias dos Estados Unidos sobre Exportações Brasileiras

Nota à imprensa de 24/07/2026 detalha que as sobretaxas dos EUA de 25% (Seção 301-Brasil, em vigor desde 22/07) e de 12,5% (Seção 301-trabalho forçado, aplicada a 41 economias) se acumulam quando incidem sobre o mesmo produto, gerando sobretaxa de 37,5%. Segundo o MDIC, com base no comércio bilateral de 2024, 16,5% das exportações brasileiras aos EUA (US$ 6,6 bi) estão sujeitas à tarifa acumulada de 37,5% — caso de máquinas e equipamentos, madeira, gorduras e óleos, calçados, móveis e confecções. Outros 4,7% pagam só os 12,5% e 1,9% só os 25%; 52,7% das exportações (café, carnes, aeronaves, suco de laranja, celulose) seguem sem sobretaxa. A nota registra queda de 13% nas exportações ao mercado americano no 1º semestre de 2026 e recuo da participação dos EUA nas exportações brasileiras de 12,1% para 9,4% no período.

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