Quanto o bolívar se desvalorizou frente ao dólar a cada ano, pela cotação oficial do BCV — dezembro contra dezembro, desde 2019.
Quanto o dólar oficial subiu em bolívares, de um dezembro ao dezembro seguinte — a desvalorização anual do bolívar pela cotação de referência do Banco Central de Venezuela (BCV). Só entram anos fechados; o ano em curso aparece mês a mês na série do dólar oficial.
O bolívar mudou de nome três vezes desde 2008, sempre cortando zeros: o bolívar forte (Bs.F, 1.000 bolívares antigos) em 1/1/2008; o bolívar soberano (Bs.S, 100.000 Bs.F) em 20/8/2018; e o bolívar digital (Bs.D, 1.000.000 Bs.S), a moeda atual, em 1/10/2021. Cada corte é só troca de escala — não muda quanto a moeda vale —, mas o BCV publica a cotação bruta do dia, sem reconverter a série antiga. Uma tabela que emendasse os três regimes sem avisar estaria somando centavos de moedas diferentes. A razão entre dois dezembros cancela a escala, contanto que os dois lados sejam convertidos para a mesma moeda antes de dividir — e é isso que esta série faz na única reconversão que atravessa, a de outubro de 2021. Uma queda de 4 zeros na cotação não aparece aqui como uma "desvalorização" gigante: os dois lados da conta já nasceram na mesma unidade.
O câmbio oficial não foi sempre um preço só. De 2003 a janeiro de 2018 a Venezuela teve controle cambial com mais de uma taxa oficial ao mesmo tempo: CADIVI (depois CENCOEX, depois DIPRO) fixava uma taxa preferencial para importação essencial — 10 Bs.F/US$ em 2016–2017, a que este arquivo do BCV registrava como "tipo de cambio de referencia" —, enquanto SICAD, depois SIMADI (a partir de 2015) e por fim DICOM (a partir de 2016) leiloavam dólares a um câmbio mais alto para o resto da economia. A referência única só existe a partir de 30 de janeiro de 2018, quando o governo extinguiu a taxa fixa (DIPRO) e passou a publicar o leilão DICOM como a cotação oficial — o salto de 10 para 3.345 Bs.F naquele dia é a unificação, não uma desvalorização de um dia. Por isso as séries desta página não usam 2016–2017: não há uma única cotação oficial para comparar com o resto da série. Por isso a série começa em 2019, o primeiro ano inteiro depois da unificação e da reconversão de agosto de 2018 (que juntou troca de moeda com uma desvalorização real de verdade — ver o cabeçalho do script de ingestão para os números).
A pior desvalorização do período foi 2019, ainda no auge da hiperinflação: o dólar oficial fechou o ano mais de 80 vezes mais caro que no dezembro anterior. De 2022 em diante o ritmo ficou na casa das dezenas a centenas por cento ao ano — com um repique a 474% em 2025 —, ainda uma forte perda de valor, mas ordens de grandeza abaixo do pico da crise.
Não é a inflação. Esta série mede o preço do dólar em bolívares, não o poder de compra do bolívar em bens — os dois costumam andar próximos numa economia tão dolarizada quanto a venezuelana, mas não são a mesma conta.
| Período | Variação anual | vs. período anterior |
|---|---|---|
| 2025 | 474,1% | +429,6 p.p. |
| 2024 | 44,5% | −63,4 p.p. |
| 2023 | 107,9% | −168,6 p.p. |
| 2022 | 276,5% | −44,9 p.p. |
| 2021 | 321,4% | −1.952,6 p.p. |
| 2020 | 2.274,0% | −5.760,1 p.p. |
| 2019 | 8.034,1% | — |