Quanto das reservas internacionais da Venezuela é ouro — a parte que só vira dinheiro se alguém aceitar comprar, num país sob sanções.
A fração das reservas internacionais totais do Banco Central de Venezuela (BCV) que é ouro monetário, no fim de cada ano. O resto é dólar e outra moeda forte, a posição do país no FMI e os direitos especiais de saque.
De coadjuvante a maioria. Nos anos 2000 o ouro era uma fatia estável de 17% a 29% do total. A partir de 2010 passou a maioria: 55,5% em 2010, 66,8% em 2011 — o ano em que Hugo Chávez ordenou repatriar boa parte do ouro que o BCV mantinha em bancos americanos e europeus, invocando o risco de que fosse bloqueado por sanções — e ficou entre 60% e 72% até o fim da série, em 2018 (64,2%).
Por que a série para em 2018. O BCV não publica mais esta tabela de composição por instrumento desde então — nem no site, nem em nenhuma outra planilha desta seção de estatísticas. O período coincide com o agravamento das sanções dos Estados Unidos e com a disputa pelo ouro venezuelano depositado no Banco da Inglaterra: cerca de 31 toneladas ficaram retidas ali desde 2018, quando o Reino Unido deixou de reconhecer o governo de Nicolás Maduro, e cortes britânicas negaram, em mais de uma ocasião, os pedidos do Banco Central de Venezuela para reavê-las. A Venezuela também vendeu parte do ouro guardado no país para levantar caixa durante a crise. Depois que os Estados Unidos capturaram Maduro em janeiro de 2026, governo e oposição venezuelanos concordaram em pedir juntos a liberação desse ouro — avaliado em cerca de US$ 4 bilhões — para financiar a reconstrução após os terremotos de junho de 2026. Em setembro de 2026 o ouro continuava no Banco da Inglaterra; o plano negociado prevê que ele passe por contas do Tesouro americano, com mecanismos de fiscalização ainda por definir. Sem a tabela de composição do BCV, não dá para saber se a fatia de ouro no total de reservas de hoje ainda está perto de 64% ou mudou.
O DES bloqueado de 2021. Em agosto de 2021 o FMI alocou cerca de US$ 5 bilhões em novos direitos especiais de saque para a Venezuela, parte de uma emissão global — mas o país não tinha um governo reconhecido pelo Fundo, e o valor ficou congelado, fora do alcance do BCV. Em abril de 2026, depois da captura de Maduro, o FMI voltou a tratar com o governo da presidente interina Delcy Rodríguez. Em julho de 2026 o país sacou US$ 346 milhões da sua posição de reserva no Fundo para a reconstrução pós-terremoto; o acesso aos direitos especiais de saque seguia em negociação.
Conferência: nesta tabela, ouro, DEG, posição no FMI, divisas e outros ativos somam exatamente o total de ativos publicado, em todos os 22 anos da série.
| Período | Ouro nas reservas | vs. período anterior |
|---|---|---|
| 2018 | 64,2% | −4,4 p.p. |
| 2017 | 68,6% | −1,7 p.p. |
| 2016 | 70,3% | +8,9 p.p. |
| 2015 | 61,4% | −4,8 p.p. |
| 2014 | 66,2% | −5,7 p.p. |
| 2013 | 71,9% | +5,0 p.p. |
| 2012 | 66,9% | +0,1 p.p. |
| 2011 | 66,8% | +11,3 p.p. |
| 2010 | 55,5% | +17,5 p.p. |
| 2009 | 38,0% | +16,2 p.p. |
| 2008 | 21,8% | −5,9 p.p. |
| 2007 | 27,7% | +7,9 p.p. |
| 2006 | 19,8% | +0,5 p.p. |
| 2005 | 19,3% | −2,5 p.p. |
| 2004 | 21,8% | −0,6 p.p. |
| 2003 | 22,4% | −6,9 p.p. |
| 2002 | 29,3% | +4,4 p.p. |
| 2001 | 24,9% | +7,3 p.p. |
| 2000 | 17,6% | −1,4 p.p. |
| 1999 | 19,0% | −0,7 p.p. |
| 1998 | 19,7% | +0,4 p.p. |
| 1997 | 19,3% | — |