A fatia dos ocupados que trabalha no setor informal — sem registro, previdência ou vínculo formal —, pela EHM do INE.
Da população ocupada (com trabalho, ao contrário da desocupada), a fatia que está no setor informal: sem registro, sem previdência social, sem vínculo formal com o empregador. O complemento, o setor formal, soma exatamente 100% com este número em todos os 25 anos da série — o INE não classifica ninguém fora das duas categorias.
A crise inverteu a proporção. Em 1999 a informalidade (51,0%) já superava o setor formal (49,0%). A partir de 2005 o formal passa a maioria, e chega a um recorde de 62,0% em 2016 — bem no meio da fase mais aguda do colapso econômico, quando a informalidade caiu a 38,0%. Não é sinal de mais empregos formais sendo criados: é o retrato de uma economia encolhendo, com menos gente ocupada de qualquer tipo (e a EHM contando os poucos que sobram como formais).
Reversão na pandemia. A informalidade voltou a subir de 40,6% (2019) para 47,4% (2021-2022), coerente com o padrão latino-americano de perda de emprego formal durante a pandemia, e recuou um pouco para 45,5% em 2023.
De onde vem. A Encuesta de Hogares por Muestreo (EHM) é a pesquisa domiciliar do INE, rodando desde 1967 — o mesmo desenho conceitual da PNAD Contínua brasileira e da EPH argentina. O INE publica só um corte por ano em suas sínteses, o 1er semestre (janeiro a junho); é esse o número usado aqui, ano a ano.
A série oficial e a suspeita sobre ela. A partir de 2015 a taxa de desocupação da EHM oficial fica praticamente parada, entre 6,8% e 9,0%, mesmo durante o colapso da economia venezuelana (hiperinflação, êxodo de milhões de pessoas, contração do PIB de dois dígitos por vários anos seguidos). A estimativa do FMI para a mesma taxa (WEO, código LUR) sai de 12,5% em 2015 para 35,6% em 2018 — um descolamento de até 29 pontos percentuais que este site não reconcilia: é o mesmo tipo de desconfiança que recai sobre outras estatísticas oficiais venezuelanas do período. Até 2014 as duas séries batem, com desvio de no máximo 1,5 p.p.
| Período | Informalidade | vs. período anterior |
|---|---|---|
| 2023 | 45,5% | −1,9 p.p. |
| 2022 | 47,4% | 0,0 p.p. |
| 2021 | 47,4% | +2,2 p.p. |
| 2020 | 45,2% | +4,6 p.p. |
| 2019 | 40,6% | −1,4 p.p. |
| 2018 | 42,0% | −1,3 p.p. |
| 2017 | 43,3% | +5,3 p.p. |
| 2016 | 38,0% | −2,5 p.p. |
| 2015 | 40,5% | −0,3 p.p. |
| 2014 | 40,8% | −0,1 p.p. |
| 2013 | 40,9% | −1,2 p.p. |
| 2012 | 42,1% | −1,5 p.p. |
| 2011 | 43,6% | −0,5 p.p. |
| 2010 | 44,1% | +0,7 p.p. |
| 2009 | 43,4% | −0,7 p.p. |
| 2008 | 44,1% | +0,2 p.p. |
| 2007 | 43,9% | −1,8 p.p. |
| 2006 | 45,7% | −2,1 p.p. |
| 2005 | 47,8% | −3,1 p.p. |
| 2004 | 50,9% | −1,5 p.p. |
| 2003 | 52,4% | +1,9 p.p. |
| 2002 | 50,5% | −0,3 p.p. |
| 2001 | 50,8% | −1,8 p.p. |
| 2000 | 52,6% | +1,6 p.p. |
| 1999 | 51,0% | — |