O resultado do governo geral equatoriano antes dos juros da dívida, em cada ano, em proporção ao PIB — FMI.
O resultado do governo geral equatoriano sem a conta de juros: quanto a arrecadação cobre do gasto que o governo decide hoje, sem contar o serviço da dívida já contraída. É o "primary net lending/borrowing" do FMI (GGXONLB_NGDP).
Os juros pesavam mais no fim dos anos 1990. Em 1999, ano do default equatoriano sobre os Brady bonds (o primeiro calote de um país emergente sobre esse tipo de título), o resultado primário era superavitário em 2,3% do PIB, mas o financeiro ficava negativo em 4,8% — uma distância de mais de 7 pontos, os juros líquidos mais altos da série (ver "Como é calculado"). Depois da reestruturação que sucedeu o calote (troca por Global bonds em 2000), a distância entre as duas séries encolheu: menos de 2 pontos do meio dos anos 2000 em diante, e abaixo de 1 ponto na maior parte da década de 2010 e 2020 — o Equador paga hoje uma conta de juros líquidos pequena relativa ao tamanho do rombo fiscal.
Mesma trajetória do financeiro, sem a conta de juros. Superávits de mais de 4% do PIB em boa parte dos anos 2000 (pico de 5,7% em 2000, o ano seguinte ao calote e da dolarização), rombo abrindo com o gasto do governo Correa a partir de 2013 (−7,9% em 2013 e 2014), pico negativo de −9,7% em 2016 (o ano do terremoto de Muisne), recuo até um pequeno superávit de 0,5% em 2022 — o ano mais perto de equilíbrio da série — e piora para −2,6% em 2023, no ano da crise política da "morte cruzada". Sob o programa do FMI iniciado em 2024, o primário melhorou para −0,2% em 2024 e voltou a −1,7% em 2025.
Base oficial, sob programa com o FMI. O Equador tem um Extended Fund Facility (EFF) de 48 meses (~US$ 4 bilhões) aprovado pelo FMI em maio de 2024, com revisões periódicas — a quarta concluída em dezembro de 2025 —, e consultas do Artigo IV concluídas nos últimos anos. Diferente da Venezuela (sem Artigo IV desde 2004), o WEO usado aqui tem prestação de contas oficial por trás; só os anos que o próprio FMI ainda trata como projeção (depois do último ano real de cada série) entram como preliminares.
O que entra na conta. O governo geral na definição padrão do FMI (GFSM): administração central e previdência (IESS). Não é o mesmo perímetro do Ministerio de Economía y Finanzas (MEF), que reporta o Setor Público Não Financeiro (SPNF) — soma governos autônomos descentralizados (GADs, prefeituras e municípios) e empresas públicas ao governo central. O boletim do MEF com essa série está inacessível desta rede (finanzas.gob.ec não responde); os dois números não são comparáveis diretamente.
Como é calculado. Resultado total (GGXCNL_NGDP) mais os juros líquidos pagos pelo governo geral, na contabilidade do FMI. A ingestão confere que essa diferença fica numa faixa plausível em todo ano, e que o último ano real bate com a mesma conta publicada pelo Fiscal Monitor do FMI (GGXONLB_G01_GDP_PT), a outra metade da mesma rodada de divulgação.
| Período | Resultado primário | vs. período anterior |
|---|---|---|
| 2025 | −1,7% | −1,6 p.p. |
| 2024 | −0,2% | +2,4 p.p. |
| 2023 | −2,6% | −3,1 p.p. |
| 2022 | 0,5% | +1,9 p.p. |
| 2021 | −1,4% | +4,3 p.p. |
| 2020 | −5,8% | −3,8 p.p. |
| 2019 | −1,9% | −0,5 p.p. |
| 2018 | −1,4% | +3,3 p.p. |
| 2017 | −4,7% | +5,0 p.p. |
| 2016 | −9,7% | −3,3 p.p. |
| 2015 | −6,4% | +1,5 p.p. |
| 2014 | −7,9% | +0,1 p.p. |
| 2013 | −7,9% | −5,6 p.p. |
| 2012 | −2,3% | −2,8 p.p. |
| 2011 | 0,5% | +1,3 p.p. |
| 2010 | −0,8% | +2,4 p.p. |
| 2009 | −3,1% | −4,9 p.p. |
| 2008 | 1,7% | −2,7 p.p. |
| 2007 | 4,4% | −0,5 p.p. |
| 2006 | 4,9% | +2,2 p.p. |
| 2005 | 2,7% | −1,5 p.p. |
| 2004 | 4,2% | +0,5 p.p. |
| 2003 | 3,7% | −0,2 p.p. |
| 2002 | 3,8% | −0,5 p.p. |
| 2001 | 4,3% | −1,4 p.p. |
| 2000 | 5,7% | +3,4 p.p. |
| 1999 | 2,3% | +3,7 p.p. |
| 1998 | −1,4% | −2,5 p.p. |
| 1997 | 1,1% | +0,8 p.p. |
| 1996 | 0,3% | −1,5 p.p. |
| 1995 | 1,7% | — |