Visão geral
O Talibã é um movimento islâmico militante e fundamentalista sunita de origem pashtun que governa o Afeganistão desde agosto de 2021, estabelecendo o Emirado Islâmico do Afeganistão. Fundado em 1994, o grupo retornou ao poder após a retirada das forças dos Estados Unidos e da coalizão internacional, impondo um regime teocrático baseado na interpretação rigorosa da sharia. Em 2026, após cinco anos de governo, o Talibã enfrenta desafios como isolamento internacional parcial, tensões com o Paquistão, restrições severas aos direitos das mulheres e presença de grupos terroristas no território, incluindo ligações com a Al-Qaeda.
História
O Talibã emergiu em 1994 no sul do Afeganistão, durante a guerra civil pós-soviética, sob a liderança de Mullah Mohammed Omar. Controlou o país entre 1996 e 2001, sendo derrubado após a invasão liderada pelos EUA em resposta aos atentados de 11 de setembro. Após duas décadas de insurgência, retomou o controle em agosto de 2021 com a queda de Cabul. Desde então, consolidou o poder, mas enfrenta resistência interna e pressões externas.
Estrutura e liderança
O Talibã opera como um emirado teocrático unitário, com o líder supremo detendo autoridade final sobre assuntos políticos, militares e religiosos. O atual líder supremo é Hibatullah Akhundzada, desde 2016. O governo é chefiado por um gabinete interino de 33 membros, todos homens, sob o primeiro-ministro interino Mohammad Hassan Akhund. Deputados incluem Sirajuddin Haqqani, Mullah Yaqoob e Abdul Ghani Baradar. Uma shura de liderança (Rahbari Shura) auxilia nas decisões. A estrutura é predominantemente pashtun e clerical.
Linha do tempo
- 1994: Fundação do Talibã em Kandahar.
- 1996–2001: Primeiro período de governo como Emirado Islâmico.
- 2001: Queda do regime após invasão dos EUA.
- 2016: Hibatullah Akhundzada assume como líder supremo.
- 2021 (15 de agosto): Retomada do poder em Cabul.
- 2025 (julho): Rússia reconhece formalmente o governo talibã.
- 2025–2026: Escalada de tensões com o Paquistão, incluindo ataques aéreos transfronteiriços e conflitos com o TTP.
- 2026: Celebração de cinco anos no poder; advertências da ONU sobre violações de direitos humanos.
Governo e políticas
O regime impõe leis baseadas na sharia, incluindo o "Código de Promoção da Virtude e Prevenção do Vício" (2024) e decretos sobre tribunais e separação de cônjuges. Mulheres e meninas enfrentam restrições extensas à educação (proibidas após o ensino fundamental em muitos casos), trabalho e participação pública. A economia permanece frágil, com alto desemprego e dependência de ajuda humanitária. O Talibã afirma controlar a segurança nacional, mas grupos como o TTP e o ISKP operam no território.
Relações internacionais
Apenas a Rússia reconheceu formalmente o regime (julho de 2025). Outros países, como China, Irã, Turquia e estados da Ásia Central, mantêm engajamento pragmático para comércio, segurança e investimentos, sem reconhecimento pleno. Ocidentais evitam reconhecimento devido a preocupações com terrorismo e direitos humanos. Tensões com o Paquistão persistem por causa de militantes anti-Paquistão baseados no Afeganistão. O Talibã busca relações com os EUA e outros, mas permanece isolado diplomaticamente em grande parte.
Direitos humanos e controvérsias
Especialistas da ONU alertam contra a normalização devido à perseguição de gênero, com mais de 1,1 milhão de meninas sem educação secundária e aumento de punições públicas (mais de 1.110 flagelações em 2025). Violações incluem prisões de mulheres por vestimenta e repressão a protestos. O regime nega abrigar terroristas, mas relatórios indicam presença de Al-Qaeda e outros grupos. Conflitos transfronteiriços causaram centenas de baixas civis.
Principais atores
- Liderança talibã: Hibatullah Akhundzada (líder supremo), Mohammad Hassan Akhund (primeiro-ministro interino).
- Paquistão: Tensões por TTP e ataques aéreos.
- Rússia: Único reconhecimento formal.
- China e Irã: Principais parceiros econômicos e de segurança.
- ONU e Ocidente: Críticas a direitos humanos e isolamento.
