Quem é Glauber Braga
Glauber de Medeiros Braga é advogado e político brasileiro, deputado federal pelo Rio de Janeiro filiado ao PSOL. Nascido em Nova Friburgo (RJ) em 26 de junho de 1982, cumpre o quarto mandato consecutivo na Câmara dos Deputados e é uma das vozes mais associadas à ala combativa da esquerda no Congresso. Entre dezembro de 2025 e junho de 2026 teve o mandato suspenso por seis meses, decisão que o plenário da Câmara adotou no lugar da cassação recomendada pelo Conselho de Ética.
Braga é filho da médica Saudade Braga, primeira mulher a governar Nova Friburgo, e do médico Roberto Braga. Formou-se em direito e ocupou secretarias na prefeitura de Nova Friburgo durante as gestões da mãe, entre 2001 e 2008.
Na Câmara, seu identificador oficial é 152605. É conhecido por discursos de plenário de forte tom retórico, pela atuação contra privatizações e pela oposição frontal a adversários da direita parlamentar. Em 2014 presidiu a Comissão de Educação da Câmara e, em janeiro de 2017, foi líder da bancada do PSOL.
De qual partido é Glauber Braga
Glauber Braga é filiado ao PSOL (Partido Socialismo e Liberdade) desde setembro de 2015. Antes disso passou catorze anos no PSB, legenda pela qual iniciou a carreira e chegou a presidir o diretório estadual do Rio de Janeiro em 2014.
Situa-se à esquerda do espectro político. O PSOL disputou as eleições de 2022 em federação com a Rede Sustentabilidade e apoiou a candidatura presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva. Braga, porém, mantém posições próprias e críticas em pautas econômicas, tendo apresentado em 2026 projeto para revogar a lei que criou o Programa Nacional de Desestatização.
Trajetória política
Braga foi eleito suplente de deputado federal em 2006, com 51.259 votos, e assumiu a cadeira pela primeira vez em 6 de janeiro de 2009, no lugar de Jorge Bittar, permanecendo até 31 de março de 2010.
Desde então foi eleito quatro vezes em sequência:
- 2010 — 57.549 votos, pelo PSB; tomou posse em 1º de fevereiro de 2011.
- 2014 — 82.236 votos, ainda pelo PSB.
- 2018 — 40.199 votos, já pelo PSOL.
- 2022 — 78.048 votos, pela federação PSOL-Rede.
Em 2016 disputou a prefeitura de Nova Friburgo e ficou em segundo lugar, com 24.472 votos (23,79%), derrotado por Renato Bravo (PP). Em maio de 2021 anunciou pré-candidatura à indicação do PSOL para a Presidência da República em 2022, apoiado por parlamentares como Luiza Erundina, Sâmia Bomfim e Fernanda Melchionna, mas a candidatura não avançou dentro do partido.
Um de seus momentos de maior repercussão foi a votação da admissibilidade do impeachment de Dilma Rousseff, em abril de 2016, quando discursou contra o processo e votou "não", em fala dirigida ao então presidente da Câmara, Eduardo Cunha.
O que aconteceu com Glauber Braga: o caso do militante do MBL
Em 16 de abril de 2024, Braga expulsou das dependências da Câmara dos Deputados o youtuber Gabriel Costenaro, então integrante do Movimento Brasil Livre (MBL). Imagens registradas pela Polícia Legislativa mostram o deputado empurrando Costenaro para fora do prédio e, em seguida, desferindo um chute contra ele, sem reação do agredido.
O episódio começou com uma troca de acusações e ofensas. Em sua defesa, Braga alegou que vinha sendo perseguido pelo militante e que reagiu depois de ofensas dirigidas à sua mãe, Saudade Braga, então internada em estado grave — ela morreria semanas depois, em maio de 2024.
O partido Novo apresentou representação contra o deputado no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar por quebra de decoro.
Greve de fome
Em 9 de abril de 2025, o Conselho de Ética aprovou por 13 votos a 5 o parecer que recomendava a cassação do mandato. No mesmo dia, Braga iniciou uma greve de fome em protesto contra a decisão, acampado no Plenário 5 da Câmara e ingerindo apenas água, soro e isotônico.
O deputado encerrou o jejum em 17 de abril de 2025, depois de nove dias, após acordo com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que se comprometeu a só levar o caso ao plenário 60 dias depois da deliberação do recurso na Comissão de Constituição e Justiça. A negociação foi conduzida com a participação da deputada Sâmia Bomfim (PSOL-SP) e do líder do PT, Lindbergh Farias (RJ).
Glauber Braga foi cassado? O desfecho do processo
Glauber Braga não foi cassado. Em 29 de abril de 2025, a CCJ rejeitou por 44 votos a 22 o recurso do deputado contra o parecer do Conselho de Ética, e o caso seguiu para o plenário, onde a cassação exigiria ao menos 257 votos.
Na véspera da votação, em 9 de dezembro de 2025, Braga ocupou a cadeira da presidência da Câmara em protesto depois que Hugo Motta anunciou a inclusão do caso na pauta. Foi retirado à força pela Polícia Legislativa. Entidades como Fenaj, ABI e Abraji condenaram a atuação da segurança da Casa contra jornalistas durante o episódio.
Em 10 de dezembro de 2025, o plenário aprovou uma emenda do PT que substituía a cassação pela suspensão do mandato por seis meses. A preferência pela emenda passou por 226 votos a 220, e a suspensão foi aprovada em seguida por 318 votos a 141, com 3 abstenções, na forma do Projeto de Resolução 86/25, promulgado como Resolução 32/25.
Com isso, o mandato foi preservado e Braga manteve os direitos políticos. A ex-senadora Heloísa Helena (Rede), primeira suplente da federação PSOL-Rede no Rio de Janeiro, assumiu a vaga em 16 de dezembro de 2025, voltando ao Congresso depois de 18 anos.
Braga reassumiu o mandato em 16 de junho de 2026, ao fim do período de suspensão, e apresentou como primeiro ato o projeto de revogação do Programa Nacional de Desestatização.
Vida pessoal: família e Sâmia Bomfim
Em janeiro de 2020, Braga assumiu publicamente o relacionamento com a deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP). O casal tem um filho, Hugo, nascido em junho de 2021. Os dois vivem em união estável; não há registro público de casamento anterior do deputado.
Sua mãe, Saudade Braga, foi médica, vereadora de Nova Friburgo entre 1992 e 1996 e prefeita da cidade em dois mandatos (2001-2004 e 2005-2008), a primeira mulher no cargo. Convivia com a doença de Alzheimer e morreu em maio de 2024, aos cuidados intensivos, deixando também a filha Ivana. A prefeitura decretou três dias de luto oficial.
Glauber Braga é candidato a governador em 2026?
Não. Braga chegou a articular uma pré-candidatura ao governo do Rio de Janeiro pelo PSOL, mas a maioria do diretório estadual preferiu lançar William Siri ao Palácio Guanabara. O deputado afirmou discordar da tática adotada pelo partido, dizendo enxergar um veto à linha política que sua candidatura representava, mas acatou a decisão.
Nas eleições de 2026 ele concorre à reeleição para a Câmara dos Deputados pelo Rio de Janeiro, pela federação PSOL-Rede, com o número 5080. O registro da candidatura foi deferido pela Justiça Eleitoral. Ao TSE declarou patrimônio de aproximadamente R$ 1,13 milhão e ocupação de deputado.
No Congresso
ver perfil completo na Câmara →Votos, projetos e discursos de Glauber Braga (PSOL-RJ) na Câmara dos Deputados, com fonte primária em cada item. Selecionados por relevância, não tudo o que aconteceu.
O Deputado discutiu o Projeto de Lei Complementar nº 114, de 2026, que dispõe sobre regras para renúncias de receita com o objetivo de mitigar os impactos econômicos causados pelo choque no mercado internacional de energia decorrente do conflito no Oriente Médio. Além disso, defendeu a retomada da proposta original, sem alterações da Relatora, e condenou a manutenção de R$ 60 bilhões em emendas parlamentares, que considerou incompatível com cortes em áreas sociais.
Pequenos produtores rurais que cultivam para o próprio sustento terão regras mais leves ao serem punidos por danos ambientais. Atualmente, esses produtores respondem pelas infrações seguindo as mesmas normas rigorosas aplicadas a grandes empresas e latifundiários. O projeto beneficia quem vive da agricultura familiar, enquanto órgãos de fiscalização passam a ter a obrigação de aplicar sanções diferenciadas.
O Deputado discutiu a Medida Provisória nº 1.346, de 2026, que abre crédito extraordinário, em favor do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar. Na oportunidade, criticou a diferença de recursos entre o Ministério do Desenvolvimento Agrário e o Ministério da Agricultura. Ademais, questionou a atuação da Presidência da Câmara em relação à indicação de emendas parlamentares por pessoas sem mandato, mencionando Eduardo Cunha e Valdemar Costa Neto, e defendeu o fim do orçamento secreto, por considerar que a prática comprometia a transparência e a lisura do processo orçamentário.
