O que é a eleição das presidências da Câmara e do Senado
A eleição das presidências da Câmara dos Deputados e do Senado Federal de 2027 é a votação interna em que os 513 deputados e os 81 senadores escolhem quem vai comandar cada Casa no biênio 2027-2028. Ela acontece em fevereiro de 2027, na abertura da nova legislatura, quando tomam posse os parlamentares eleitos em outubro de 2026. Na mesma sessão, cada Casa elege a Mesa Diretora, com vice-presidentes e secretários.
Os atuais presidentes, Hugo Motta (Republicanos-PB), na Câmara, e Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), no Senado, disputam a recondução. Depois da reeleição de Lula em 25 de outubro de 2026, os dois receberam o apoio do PT e de partidos de centro. O PL, que fez as maiores bancadas nas duas Casas, desistiu de candidatura própria na Câmara e tenta derrotar Alcolumbre no Senado.
Quando é a eleição
O artigo 57, parágrafo 4º, da Constituição manda cada Casa se reunir em sessões preparatórias "a partir de 1º de fevereiro, no primeiro ano da legislatura", para dar posse aos eleitos e eleger as Mesas, com mandato de dois anos. A eleição do Senado está prevista para 1º de fevereiro de 2027. A Câmara vota no início da nova legislatura, que começa na mesma data.
Os eleitos ficam no cargo até fevereiro de 2029, quando há nova eleição, no meio da legislatura.
Como funciona a eleição
Na Câmara, o voto é secreto e feito na urna eletrônica. Candidaturas avulsas são aceitas para presidente. Para vencer no primeiro turno, o candidato precisa da maioria absoluta dos votos, 257 se todos os 513 deputados votarem. Se ninguém chegar lá, os dois mais votados vão a um segundo turno, decidido por maioria simples. Em caso de empate, vence o mais idoso entre os de mais legislaturas. O presidente é eleito primeiro e conduz em seguida a eleição dos demais cargos da Mesa, que são distribuídos de forma proporcional entre partidos e blocos.
No Senado, o voto também é secreto, mas em cédula de papel. É preciso a presença da maioria absoluta dos senadores (41) e 41 votos para eleger o presidente; se ninguém os obtiver, há novo turno.
Os blocos parlamentares formados para a eleição pesam depois dela: na Câmara, a escolha das comissões segue o tamanho dos blocos, e o maior escolhe primeiro. No Senado, a divisão se faz sobretudo por acordo entre líderes.
Reeleição: por que Motta e Alcolumbre podem concorrer de novo
O mesmo artigo 57, parágrafo 4º, proíbe "a recondução para o mesmo cargo na eleição imediatamente subsequente". O Supremo Tribunal Federal (STF) interpreta a regra como uma proibição dentro da mesma legislatura. Na ADI 6524, julgada em dezembro de 2020, a maioria dos ministros barrou a reeleição de Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre no meio da legislatura de 2019-2023 e reafirmou que a vedação não vale quando começa uma nova legislatura, "situação em que se constitui Congresso novo".
Motta e Alcolumbre foram eleitos em 1º de fevereiro de 2025, no terceiro ano da legislatura de 2023-2027. A eleição de fevereiro de 2027 abre a legislatura seguinte, e por isso os dois podem disputar a recondução. Foi o mesmo caminho de Arthur Lira e Rodrigo Pacheco, eleitos em 2021 e reconduzidos em 1º de fevereiro de 2023.
Alcolumbre já presidiu o Senado de 2019 a 2021 e voltou ao cargo em 2025, com 73 votos. Motta foi eleito em 2025 com 444 votos, apoiado por um bloco de 17 partidos que ia do PT ao PL.
Candidatos à presidência da Câmara
Hugo Motta (Republicanos-PB), presidente desde 2025, é o favorito. Em 14 de outubro de 2026, um bloco do centrão com 252 deputados declarou apoio à reeleição dele; o PSD, cujo líder, Antonio Brito (BA), chegou a ser cotado como adversário, aderiu. Em 21 de outubro, PSB e PDT entraram, e o apoio passou da metade da Câmara. Em 27 de outubro de 2026, a bancada do PT oficializou o apoio, com o PCdoB, e Motta chegou a 15 partidos: União Brasil, PP, PSD, MDB, Republicanos, PSDB, Cidadania, Podemos, Solidariedade, PRD, PDT, PSB, PV, PT e PCdoB. A adesão de um partido não garante o voto de cada deputado, porque a votação é secreta.
PL. O partido de Flávio Bolsonaro trabalhava contra Motta e pensava em candidato próprio caso Flávio vencesse a eleição presidencial. Em 26 de outubro de 2026, um dia depois da derrota de Flávio, o líder do PL, Sóstenes Cavalcante (RJ), desistiu. "Eu sempre falei que seria presidente da Câmara se o Flávio ganhasse. Não tenho interesse em ser candidato com Lula", disse à Folha de S.Paulo. O vice-presidente da Câmara, Altineu Côrtes (PL-RJ), também era cotado. A bancada vai decidir se apoia Motta ou lança outro nome. Isolado do bloco majoritário, o PL corre o risco de ficar sem cargos na Mesa e sem a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
Candidatos à presidência do Senado
Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) busca o terceiro mandato no cargo. Em 26 de outubro de 2026, ele e Motta se reuniram com Lula no Palácio da Alvorada, e o presidente sinalizou apoio à recondução dos dois. Em 27 de outubro, a federação União Brasil-PP, em nota de Antonio Rueda e Ciro Nogueira, declarou apoio a Alcolumbre, o primeiro de um partido. A decisão rachou as bancadas das duas siglas. A bancada do PT no Senado deve deliberar na semana seguinte. Aliados de Alcolumbre contam até 48 votos, com um piso de 43; a oposição diz que ele teria 38.
Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição e coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, é o nome do PL. Ele perdeu a eleição de 2023 para Rodrigo Pacheco por 49 votos a 32. Diz contar com 48 votos e afirmou que o apoio da federação União-PP a Alcolumbre "não vai refletir a posição da bancada".
Tereza Cristina (PP-MS), ex-ministra da Agricultura de Jair Bolsonaro e líder do PP no Senado, contrariou a cúpula do partido e indicou em 27 de outubro de 2026 que será candidata. Em nota, disse que a eleição será decidida em fevereiro "pelo voto livre, soberano e secreto de cada um dos 81 senadores". Ela era vista como alternativa do PL caso Marinho virasse ministro de um governo Flávio. Marinho e Tereza discutem uma candidatura única da oposição; parte dela considera Tereza mais capaz de atrair votos do centro.
O principal ponto da disputa é o impeachment de ministros do STF. Pelo regimento, só o presidente do Senado pode abrir esses processos, e Alcolumbre já descartou abri-los, o que move os bolsonaristas contra ele.
As bancadas eleitas em 2026
Nas eleições de 2026, o PL elegeu 121 deputados, a maior bancada de um partido na Câmara desde a Constituinte, e terá 29 senadores, segundo o g1 (levantamentos anteriores do g1 e de O Globo contavam 28). O PT terá 70 deputados e 9 senadores; somado a PCdoB (11) e PV (7), a federação Brasil da Esperança chega a 88 deputados.
Outras bancadas na Câmara, segundo o g1: União Brasil (46 deputados), Republicanos (41), Podemos (27), PSB (15), PSOL (14), Novo (10), PDT (6) e Rede (1). No Senado, o PSD cai de 14 para 5 senadores; PSB terá 4, PDT 3, Novo 3 e Rede 1.
Nenhum partido sozinho alcança a maioria: o PL precisa de aliados para chegar a 257 deputados ou 41 senadores, e o mesmo vale para o bloco governista.
Por que a eleição importa
Os presidentes da Câmara e do Senado decidem o que vai a votação e quando. O presidente do Senado preside também o Congresso Nacional e é quem abre ou engaveta pedidos de impeachment de ministros do Supremo. Pela Constituição, o presidente da Câmara é o primeiro na linha de sucessão da Presidência da República depois do vice-presidente; o do Senado vem em seguida.
Para Lula, que começa o quarto mandato com um Congresso em que o PL e os partidos que apoiaram Flávio no segundo turno são maioria, ter aliados no comando das Casas é a base da governabilidade. Em 2026, a aproximação com Motta e Alcolumbre permitiu aprovar o fim da "taxa das blusinhas", o perdão de dívidas de microempreendedores individuais e a redução da jornada para 40 horas semanais com duas folgas (veja escala 6x1).
O que acontece agora
- Câmara: o PL reúne a bancada na semana seguinte à eleição presidencial, segundo Sóstenes Cavalcante, para decidir se apoia Motta ou lança outro candidato. Motta procura também os deputados eleitos, um a um.
- Senado: a bancada do PT decide o apoio a Alcolumbre; Marinho e Tereza Cristina tentam fechar uma candidatura única da oposição.
- 1º de fevereiro de 2027: posse dos eleitos e eleição dos presidentes e das Mesas.
Linha do tempo
- Dezembro de 2020: o STF, na ADI 6524, proíbe a reeleição dos presidentes da Câmara e do Senado dentro da mesma legislatura e a admite em legislatura nova.
- 1º de fevereiro de 2023: Arthur Lira e Rodrigo Pacheco são reconduzidos na abertura da nova legislatura; Pacheco vence Rogério Marinho por 49 a 32.
- 1º de fevereiro de 2025: Hugo Motta é eleito presidente da Câmara com 444 votos, e Davi Alcolumbre, do Senado, com 73.
- 4 de outubro de 2026: primeiro turno das eleições gerais; o PL elege 121 deputados e a maior bancada do Senado.
- 14 de outubro de 2026: bloco do centrão com 252 deputados declara apoio à reeleição de Motta.
- 21 de outubro de 2026: PSB e PDT aderem, e o apoio a Motta passa da metade da Câmara.
- 25 de outubro de 2026: Lula vence Flávio Bolsonaro no segundo turno.
- 26 de outubro de 2026: Sóstenes Cavalcante desiste de disputar a Câmara; Lula recebe Motta e Alcolumbre no Alvorada.
- 27 de outubro de 2026: PT oficializa apoio a Motta; União Brasil e PP declaram apoio a Alcolumbre; Tereza Cristina indica que será candidata no Senado.
- 1º de fevereiro de 2027: eleição das Mesas da Câmara e do Senado.
Perguntas frequentes
Quando é a eleição para presidente da Câmara e do Senado?
Em fevereiro de 2027, na abertura da nova legislatura: a Constituição marca as sessões a partir de 1º de fevereiro, e a eleição no Senado está prevista para esse dia. Os eleitos comandam as Casas até fevereiro de 2029.
Quem são os candidatos à presidência da Câmara em 2027?
O favorito é o atual presidente, Hugo Motta (Republicanos-PB), apoiado por 15 partidos, do centrão à esquerda. O PL, maior bancada, retirou o nome de Sóstenes Cavalcante e ainda não definiu se terá candidato.
Quem são os candidatos à presidência do Senado em 2027?
Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) tenta a recondução com apoio da federação União Brasil-PP e de Lula. Na oposição, Rogério Marinho (PL-RN) e Tereza Cristina (PP-MS) se apresentam e discutem uma candidatura única.
Até quando Alcolumbre fica na presidência do Senado?
O mandato atual de Davi Alcolumbre vai até a eleição de fevereiro de 2027. Se for reeleito, ele fica até fevereiro de 2029.
Quanto tempo dura o mandato de presidente do Senado e da Câmara?
Dois anos. Há duas eleições por legislatura: uma no primeiro ano, outra no terceiro.
Motta e Alcolumbre podem ser reeleitos?
Sim. A Constituição proíbe a recondução na eleição imediatamente seguinte, mas o STF entende que a proibição vale só dentro da mesma legislatura. Como a eleição de 2027 abre uma legislatura nova, os dois podem concorrer.
Quantos votos são necessários para ser eleito?
Na Câmara, 257 votos (maioria absoluta) no primeiro turno; no segundo turno, basta a maioria simples. No Senado, 41 votos dos 81 senadores.
O voto é secreto?
Sim, nas duas Casas. Na Câmara, o voto é na urna eletrônica; no Senado, em cédula de papel. Por isso o apoio formal de um partido não garante o voto de todos os seus parlamentares.
Notícias relacionadas
Federação PT-PCdoB-PV apoia reeleição de Hugo Motta à presidência da Câmara
28 de out, 2026
Tereza Cristina sinaliza disputa pela presidência do Senado em 2027
27 de out, 2026
Alcolumbre articula anistia a Bolsonaro para garantir apoio no Senado
28 de out, 2026
PT e federação Brasil da Esperança apoiam reeleição de Hugo Motta
27 de out, 2026
União Brasil e PP formalizam apoio à reeleição de Davi Alcolumbre
27 de out, 2026
